Que assistir a um jogo de futebol no Brasil pesa bastante no bolso do torcedor, já sabemos há algum tempo. O Daily Mail, no entanto, colocou em números o quão caro é, e, comparada a outras grandes ligas de todo o planeta, o Brasileirão é o campeonato nacional com os ingressos relativamente mais caros, levando-se em conta a riqueza do país e quantas entradas é possível comprar com a renda média semanal.

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Usando dados do último relatório de PIB per capita do FMI, o jornal inglês calculou a renda semanal média dos países e ranqueou 34 ligas, de acordo com a quantidade de ingressos que podem ser comprados com a média de renda de uma semana. O Brasil aparece na penúltima colocação. Com preço médio de ingressos a R$ 51,84 e renda semanal de R$ 733, é possível adquirir apenas 14,2 entradas no Brasileirão. Em comparação ao México, de perfil similar ao brasileiro, a distância é grande. Na Liga MX, dá para comprar, em média, 32,8 ingressos com a renda de R$ 851,14.

A comparação com grandes ligas da Europa ajuda também a ver o quão caro é o produto futebol no Brasil. A renda média da Alemanha, por exemplo, permite aos torcedores comprarem quase o dobro de ingressos que os brasileiros, 27,3. Assistir a partidas in loco na Itália e na Espanha também é relativamente mais barato, com a conta do Daily Mail mostrando que é possível comprar 22 e 20 ingressos, nesta ordem, com a renda média desses países.

Comparando o Brasileirão com outros campeonatos da América do Sul, a diferença é gritante. O mais próximo do Brasil no ranking é a Colômbia, em que a renda média semanal possibilita a compra de 25,5 ingressos, número já bastante superior. No entanto, é pegando os sul-americanos melhores posicionados que a discrepância fica mais nítida. No Chile, quinto colocado, a mesma conta mostra que é possível adquirir 72 entradas, enquanto na Argentina, 11ª, o número é de 45 ingressos.

Nem mesmo colocamos na balança a qualidade do espetáculo que é vendido, e a constatação é de um completo desequilíbrio no preço cobrado dos torcedores pelos clubes brasileiros. Quando paramos então para pensar na diferença de nível entre o Brasileirão e as principais ligas europeias, o valor fica ainda mais descabido. As arquibancadas vazias, o frequente “mosaico em homenagem à Ucrânia no Maracanã”, já têm sido avisos claros que os dirigentes recebem há tempos do descompasso dessa política de ingressos. O torcedor precisa de motivos para ir ao estádio, e a cobrança justa pelo que é oferecido é um dos mais relevantes.

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