“Quatro em cima dele! É uma cena diferente na Copa do Mundo. Um batalhão para cima do Denílson!” A descrição de Galvão Bueno, ao vivo, já indicava que estávamos diante de um lance icônico. Naquele momento, Denílson estava apenas obedecendo ordens de Felipão da maneira como podia, mas mal sabia que também estava colocando seu rosto para sempre nos melhores momentos da história dos Mundiais.

Em entrevista à Trivela, Denílson reconhece: “Plasticamente, é o grande lance da minha carreira”. Teria ainda oito anos pela frente dentro dos campos, mas nenhuma outra jogada o marcou tanto quanto aquela diante de Tugay Kerimoglu, Bulent Korkmaz, Muzzy Izzet e Alpay Ozalan.

“Confesso que, naquele momento, e nos anos seguintes, na minha cabeça era só mais uma jogada que eu tinha feito, mais um drible. Mas é o que falo para os jogadores hoje: muitos vão perceber o que eles fizeram só quando pararem de jogar futebol. Aconteceu isso comigo, por isso que falo”, observou o pentacampeão mundial.

Apesar de ter ao longo de sua carreira protagonizado lances de encher os olhos, com a habilidade e a velocidade que tinha com a bola nos pés, Denílson não parava para prestar atenção em sua repercussão por muito tempo. Teria tempo para isso quando pendurasse as chuteiras – certo de que o reconhecimento viria, após fazer por merecer.

“Quando você para, começa a ter o reconhecimento da mídia, do torcedor, pelas jogadas que você tinha feito e que, naquele momento, você nem dava importância. Hoje fico muito feliz de ser lembrado por essas jogadas.”

Reconhecimento este que é ainda mais especial quando vem de quem não teve a oportunidade de vê-lo jogar. Se para alguns poderia ser um problema ser lembrado por um outro lance em vez da obra completa da carreira, para o ex-atacante, é uma honra.

“Alegra-me muito mais quando é de uma criança, de um adolescente. Já faz nove anos que parei de jogar, então a molecada de 15, 16 anos, provavelmente não lembra de me ver jogar, mas eles lembram dessa jogada. Então eu fico muito feliz quando alguém chega e diz: pô, você é o cara da jogada contra os turcos, né? Normalmente eles erram o time, aí eu falo: ‘Não, não, é a Turquia’”, brincou.

Quatro anos antes do icônico lance, Denílson também fizera história, mas fora das quatro linhas, ao se tornar a contratação mais cara do mundo ao deixar o São Paulo para o Betis por US$ 32 milhões.

Então com apenas 20 anos, o ex-jogador conta que aquilo trouxe muita pressão. Desde sua estreia no profissional, havia passado quatro anos no São Paulo, vivendo apenas coisas boas. Teve que aprender, e rápido, a enfrentar as dificuldades, que vieram aos montes.

“A partir do momento em que me tornei o jogador mais caro do mundo, aquilo me trouxe uma responsabilidade muito grande, que até então eu não tinha noção do que era, aí começa a pesar. Eu era um garoto indo para um mundo desconhecido e enfrentei todas as dificuldades de ter que administrar um time, ter que carregar essa responsabilidade de ser o cara de decidir os jogos e, normalmente, nunca fui esse jogador do gol, do último passe. Eu era o jogador do penúltimo passe, da construção da jogada, então tive que me adaptar a tudo isso no futebol espanhol. Joguei lá por quase dez anos, demorei pelo menos uns dois anos para me adaptar à cultura do país e, principalmente, à questão profissional.”

Eternizado nos pixels de PES

Todos os desafios e a bagagem que acumulou com os anos de carreira foram recompensados. Denílson alcançou patamar alto o suficiente para ser eternizado nos pixels da série Pro Evolution Soccer, como embaixador e, posteriormente, lenda do jogo, com sua versão de 2002, aquela do lance contra os turcos, fielmente retratada no game.

“Você estar indiretamente em um jogo virtual remete à minha infância, à dificuldade que os meus pais tinham de comprar um videogame. Aí, hoje, você estar dentro do jogo… E o que me deixou mais feliz foi saber que eu vou poder mostrar pros meus filhos, hoje como pai, que eu representei alguma coisa no futebol e que hoje eu estou ali”, avalia o pentacampeão mundial, que revela que seus filhos se divertem vendo o pai no jogo.

O carisma, outra faceta bem conhecida do hoje comentarista, certamente também o ajudou em sua trajetória, dentro e fora do campo. Como rosto do PES, foi um dos anfitriões, ao lado de Mauro Beting, do evento promovido pela Konami na terça-feira (8), em São Paulo, para divulgar a parceria da empresa com a International Champions Cup.

A organizadora de torneios amistosos pré-temporada entre clubes europeus tem também uma competição para categorias de base, a ICC Futures, que, neste ano, contará pela primeira vez com um clube brasileiro – e a classificatória será um tanto diferente.

Representantes das equipes sub-13 de Palmeiras, Corinthians, Vasco e Flamengo disputarão um torneio de PES 2020 na Brasil Game Show, nesta quinta-feira (10), e o vencedor levará todos seus colegas de time para disputar o torneio, que conta com grandes equipes, como Barcelona e Juventus, e que teve o Bayern de Munique como campeão na edição do ano passado.