Clint Dempsey fez seu primeiro jogo pelo Seattle Sounders no último sábado (10) e, apesar de se mostrar cansado e pouco ambientado com seus companheiros, ajudou na vitória por 2 a 1 contra o Toronto FC em solo canadense. Foi apenas a primeira partida de um jogador que mostrou a todos que a MLS está crescendo, mas que ainda tem alguns pequenos problemas.

A decisão de Dempsey de voltar à MLS com 30 anos deve ser fundamental para que a liga continue crescendo e outros jogadores vejam que estar nos Estados Unidos não é prejudicial para a carreira, já que a qualidade do jogo está aumentando e a liga tem vários atletas que são figurinhas carimbadas nas convocações de suas seleções.

O próprio Seattle tem Brad Evans como titular da seleção americana e Eddie Johnson como um dos principais substitutos. Raul Fernandez, em sua primeira temporada de fato com o FC Dallas, já o goleiro do Peru nas Eliminatórias Sul-americanas para a Copa de 2014. E outros jogadores também estão em seleções de menor expressão, como Soony Saad, do Sporting Kansas City e do Líbano.

Outro fato que chama a atenção na transferência é o modo como Dempsey afirma que queria ajudar o crescimento do jogo nos EUA o mais rápido possível e que não queria voltar mais velho, já que não poderia contribuir tanto com a qualidade do futebol com 35 anos e teria um impacto menor em seu time e na liga.

A transferência também mostra que a MLS e suas equipes podem competir com clubes estrangeiros em questão de dinheiro para transferências e salários. A própria ligou US$ 9 milhões para ter os serviços do jogador e os Sounders pagarão um salário anual de US$ 5,08 milhões, o quarto maior da história da MLS.

Além disso, a transferência de Dempsey para os Sounders faz com que os outros clubes da liga se sintam desafiados a fazer movimentos do tipo. Tanto que o maior rival do Seattle, o Portland Timbers, anunciou no dia seguinte a compra do argentino Diego Valeri, que estava emprestado pelo Lanús e faz uma ótima temporada pela equipe da Rose City.

Mas a contratação do capitão da seleção americana pelo Seattle também mostra um grande problema da liga: os processos da MLS ainda são obscuros e a falta de transparência em algumas negociações.

Como Dempsey é um jogador da seleção e a MLS está pagando a transferência, ele deveria passar pela lista de alocação, que é mais um dos métodos que a liga usa para equilibrar os times. E como os Sounders não estavam no topo desta lista – que pertencia aos Timbers, ironicamente -, a equipe de Seattle teria que fazer uma troca para poder subir e ter o direito de ficar com o meia.

A liga chegou a dizer que a transferência de Claudio Reyna para o NY/NJ Metrostars em 2005 abriu um precedente para isso, já que o ex-jogador não passou pela lista de alocação. Mas não há uma regra que realmente explique isso ou que faça com que seja um argumento válido.

E as coisas ainda pioram quando voltaram os rumores de que os Timbers tiveram interesse em Mix Diskerud, meia da seleção americana e do Rosenborg. Mas como a liga não quis ajudar a equipe na transação, o dono Merritt Paulson se viu obrigado a escolher entre Valeri e Mix. A solução foi ficar com quem já estava em Portland e mais acostumado com o espírito.

A chegada de Dempsey realmente ajudará no crescimento da liga, ainda mais em uma cidade que ama tanto o futebol como Seattle. Prova disso é que os Sounders colocarão mais de 66 mil torcedores no CenturyLink Field no primeiro jogo de Dempsey na cidade, contra os Timbers (as ironias do destino, mais uma vez), no dia 25 de agosto. Mas ela também mostrou o lado ruim da MLS e isso precisa ser resolvido com urgência.