Demorou, mas a Uefa tomou a decisão mais sensata: adiou os jogos de suas competições na próxima semana. A preocupação é como o novo Coronavírus pode se espalhar, e como tem acontecido muito rapidamente e fazendo muitas pessoas contraírem o COVID-19. A decisão vem junto com diversas ligas já tendo paralisado suas atividades. Itália, Espanha e Portugal já tinham parados e França e Alemanha já tinham determinado fechamento dos portões, parcial ou total. Nesta sexta, Inglaterra e Alemanha decidiram parar de vez os jogos com adiamentos.

A reunião aconteceu nesta quinta-feira à noite, com vários representes entrando por vídeo. Segundo a Uefa, foram convidados representantes dos seus 55 membros, junto com a European Club Association (ECA, que representa os principais clubes europeus), representantes das ligas europeias e também um da FIFPro, associação que funciona como um sindicato mundial de jogadores. A reunião foi por videoconferência para determinar como seria a reação do futebol europeu ao surto.

Com a decisão, os jogos restantes das oitavas de final da Champions League que aconteceriam nesta semana foram adiados, assim como os jogos da Liga Europa, também na fase oitavas de final. Nesta quinta, ainda tivemos alguns jogos da competição, muitos com portões fechados. Os jogos da Uefa Youth League, uma espécie de Champions League sub-19, também foram adiados.

“À luz dos desenvolvimentos devido à propagação do COVID-19 na Europa e das decisões relacionadas tomadas por diferentes governos, todos os jogos das competições de clubes da Uefa programados para a próxima semana são adiados”, diz o comunicado divulgado pela Uefa.

A entidade ainda informa que os jogos das quartas de final, previstos inicialmente para o dia 20 de março, foram adiados, por consequência. Ainda não há data para os jogos acontecerem e, segundo a Uefa, “outras decisões sobre quando essas partidas ocorrerão serão comunicadas oportunamente”.

Foi uma resposta que demorou demais, mas a Uefa parece finalmente ter entendido que não era possível continuar com as competições europeias como se nada estivesse acontecendo. A semana teve jogos como Liverpool e Atlético de Madrid com torcidas dos dois times, assim como a partida entre Rangers e Bayer Leverkusen no Ibrox Stadium, em Glasgow, com tudo normal, como se nada estivesse acontecendo. Os dois países vivem um problema sério com o Coronavírus.

Não dá mais para fingir normalidade. O futebol é importante e o calendário é um problema para reorganizar depois. Isso, porém, é o de menos. A questão é que esses eventos, com público, e mesmo sem, acabam ajudando a ter mais contato entre as pessoas e mais probabilidade de contágio.

O problema do Coronavírus não é a sua letalidade (que é baixa, fica entre 0,5% a 4,5%, chegando a um pico de 6% na Itália, onde saiu de controle). O problema é a rapidez do contágio, que espalha o vírus muito rapidamente e faz com que milhares de pessoas fiquem doentes ao mesmo tempo, levando o sistema de saúde ao colapso. Com um excesso de pessoas precisando de atendimento, o sistema de saúde acaba falhando mais, não há leitos para todos e as pessoas acabam morrendo por um vírus que, em uma situação comum, é controlável. Por isso, cancelar shows, eventos esportivos e qualquer situação que gere aglomerações de pessoas é tão importante. Os dirigentes, e os governos, precisam ser sensatos.

Eurocopa em risco

A Uefa fará uma nova reunião na terça-feira para decidir o que fazer com a Eurocopa. As 55 federações que são membros da entidade irão participar da reunião por vídeo. A Eurocopa teria, pela primeira vez 12 sedes diferentes e a data marcada para início seria em 12 de junho, na Itália, onde a situação está complicada.

É bastante provável que o torneio seja adiado. A maior probabilidade é que a proposta seja a disputa ser adiada para junho de 2021. O problema é que esta é a data em que se disputaria a Eurocopa Feminina e também o Mundial de Clubes da Fifa, no seu novo formato. Por isso, será preciso muita negociação para que o adiamento de um ano possa ser feito.