Clarence Seedorf foi um dos jogadores mais vitoriosos do futebol europeu, mas sua carreira como técnico vem tomando um caminho bem diferente. Nesta terça-feira, o holandês foi demitido da seleção camaronesa, após perder nas oitavas de final da Copa Africana de Nações. Foi o seu quarto trabalho com prancheta na mão e a quarta decepção.

Seedorf assumiu Camarões em agosto, com a missão de defender o título da Copa Africana de Nações, cuja próxima edição, àquela altura, ainda seria disputada em solo camaronês. Alguns meses depois, a competição foi transferida para o Egito. O holandês confirmou vaga com o segundo lugar do Grupo B, com dois empates, duas vitórias e uma derrota.

Camarões marcou apenas cinco gols nessas quatro partidas oficiais, sendo três em uma vitória sobre Comoros. A dificuldade para colocar a bola na rede seguiu na Copa Africana de Nações. Após derrotar Guiné-Bissau por 2 a 0 na estreia, ficou no empate sem gols contra Gana e Benin. Marcou duas vezes nas oitavas de final contra a Nigéria, mas perdeu por 3 a 2.

A demissão foi anunciada horas depois de o ministro dos Esportes de Camarões, Narcisse Mouelle Kombi, exigir a saída do treinador holandês, alegando que todas as condições foram oferecidas para uma boa campanha no Egito, incluindo um pagamento de US$ 55 mil para cada jogador e treinos na Espanha e no Catar.

“Quando você considera o que foi feito e os resultados ruins, com objetividade, não há necessidade de continuar tendo Clarence Seedorf como técnico do time masculino de Camarões. Eu conversei com o presidente da federação (Seidou Mbombo Njoya) e eu pedi que ele ativasse a cláusula no contrato que abre espaço para encerrar seu acordo com Camarões”, disse, à emissora camaronesa CRTV.

A Federação Camaronesa anunciou que “após a saída prematura de Camarões” da Copa Africana de Nações, os contratos de Seedorf e do seu auxiliar Patrick Kluivert foram encerrados. Ambos tinham mais três anos de vínculo. De qualquer maneira, o trabalho por Camarões acabou sendo o mais longo da carreira de Seedorf como treinador até agora.

Seedorf assumiu o Milan, em janeiro de 2014, e não foi mal, com 11 vitórias em 19 rodadas do Campeonato Italiano. Mas foi demitido em junho. O projeto seguinte foi o chinês Shenzen. Não conseguiu o acesso à Superliga e foi trocado por Sven-Goran Eriksson. Assumiu o Deportivo La Coruña cambaleante, não conseguiu o milagre de salvá-lo do rebaixamento, e com apenas duas vitórias, saiu ao fim da temporada.

O holandês conseguiu tirar um rendimento bom do La Coruña, dentro das circunstâncias, e teve bons resultados no Milan. São alguns sinais de que poderia dar certo como técnico, se tivesse uma boa oportunidade. Ainda não veio nenhuma. Há quatro anos e meio como treinador, ele sequer comandou uma pré-temporada por um clube e nem o ambiente relativamente mais tranquilo de uma seleção o ajudou a emplacar.

Por um lado, ele deveria escolher melhor os projetos nos quais embarca. Por outro, não pode ser muito exigente porque não aparecem muitas oportunidades pela sua frente. Ele já reclamou de “preconceito destrutivo” contra sua falta de experiência, embora já tenha quatro trabalhos para servir de referência. Infelizmente, nenhum muito bom.