Vasco e Flamengo fizeram um clássico esvaziado neste sábado. Esvaziado pelo Maracanã com apenas 29 mil torcedores, esvaziado dos titulares rubro-negros que priorizam a Libertadores, esvaziado por um Campeonato Carioca que significa pouco ao que realmente se anseia no ano. Apesar de tudo isso, o clássico contou com um digno e movimentado duelo. Chances de gol não faltaram ao longo dos 90 minutos, ainda que os desperdícios tenham sido inúmeros. Mesmo assim, o empate por 1 a 1 foi razoável a ambos os rivais. O mistão flamenguista saiu em vantagem e teve a vitória até os instantes derradeiro. Já os cruzmaltinos tiveram a satisfação final, ao arrancarem a igualdade já nos acréscimos do segundo tempo, em resultado que manteve sua invencibilidade.

Às vésperas do jogo contra a LDU pela Copa Libertadores, Abel Braga preferiu dar descanso aos seus principais jogadores. Raros foram os titulares que participaram do clássico, com o Vasco levando a sério o embate. E os primeiros minutos mostraram que seria um duelo totalmente aberto. O Vasco começou criando e deu dois sustos enormes, sobretudo na cabeçada de Marrony que acertou a parte externa da rede. Mas a resposta do Fla não tardaria, com Ronaldo e Trauco exigindo duas defesaças de Fernando Miguel.

O jogo era lá e cá. O Vasco deu mais duas réplicas, com Marrony perdoando outra vez e Danilo Barcelos obrigando César a trabalhar. Fernando Miguel pararia Vitor Gabriel, até Werley desperdiçar sozinho o primeiro tento cruzmaltino totalmente livre na área. Foram cerca de 15 minutos de tirar o fôlego, no qual os rubro-negros tinham mais posse de bola, embora os vascaínos explorasse os espaços na defesa e tocassem com muito mais eficiência, progredindo rapidamente ao ataque. A metade final do primeiro tempo, contudo, diminuiu a rotação do clássico. Dominando a posse de bola, algo incomum neste início de ano, o Fla tentava pressionar e esbarrava na defesa do Vasco. Enquanto isso, os cruzmaltinos não demonstravam o mesmo acerto nas investidas, com César bem menos exigido.

A volta ao segundo tempo foi fundamental ao Flamengo. Mais ligado, finalmente o time conseguiu converter seu controle em gol. O tento saiu aos dois minutos. Vitinho recebeu de Éverton Ribeiro e deu um bolão em direção à área. Encontrou Arrascaeta, que partiu sozinho e tirou de Fernando Miguel, balançando as redes. Reconhecimento à participação constante do uruguaio, se movimentando e chamando o jogo. Parecia outro jogador, após a noite apática em Oruro. O problema é que a postura dos rubro-negros não se manteria. Outra vez, o time preferiria recuar e tentar matar o jogo nos contra-ataques. Cedo demais, considerando até a superioridade individual de seus homens de frente, o que beneficiou o Vasco.

Faltava mais criatividade ao ataque vascaíno. O time insistia demais no jogo aéreo, o que não dava tantos resultados. Ainda assim, ameaçava. Leandro Castán chegou a acertar a trave aos 11 minutos. Além disso, César demonstrava muita segurança quando exigido. Não que o Flamengo fosse mero espectador. Também poderia ter feito mais nos contragolpes. Fernando Miguel realizou grande defesa diante de Ronaldo, enquanto Lucas Silva e Bruno Henrique garantiram novo gás ofensivo, ao saírem do banco. Rossi foi outra mexida boa, feita por Alberto Valentim do lado vascaíno.

No final, outra vez o jogo ficou aberto. Ronaldo e Arrascaeta erraram o alvo por pouco, enquanto Danilo Barcelos também arrancou suspiros dos vascaínos. A torcida cruzmaltina ficou na bronca por um pênalti não marcado em Maxi López aos 41. Maior ainda foi o incômodo dos torcedores do Fla com Rodinei, quando este jogou fora um gol feito na pequena área, após passe açucarado de Bruno Henrique. E o vacilo do lateral nos acréscimos terminou punido no minuto seguinte. O árbitro anotou pênalti de Thuler em Marrony. Na cobrança, Maxi López venceu César e balançou as redes. Só que a reclamação dos flamenguistas foi além do apito final, com a expulsão de Bruno Henrique já na saída dos vestiários.

Tecnicamente, o jogo teve seus poréns. A intensidade influenciou bastante e os times tiveram seus lampejos em alguns momentos, entre o início do primeiro tempo do Vasco e o início do segundo do Flamengo. De qualquer maneira, a maneira como os dois rivais buscaram o gol valeu ao clássico, mesmo com a ineficiência nas conclusões e nos desleixos da defesa. O empate por 1 a 1 reflete outros números, com 17 finalizações para cada lado e também 7 arremates no alvo para cada lado. Ainda que cada clube tenha seu argumento, o furor pagou o ingresso.