A vitória do Palmeiras sobre o Flamengo, por 4 a 2, foi outra partida para ser colocada entre as mais divertidas de um Campeonato Brasileiro cheio de bons jogos. O time da casa saiu na frente, sofreu a virada e depois mostrou poder de reação para encerrar a sequência de três derrotas seguidas. A chave do placar foi a fragilidade das duas defesas, em péssimo dia no ensolarado Allianz Parque.

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O Palmeiras abriu o placar com Jackson, que virou titular depois da atuação ruim de Leandro Almeida contra o Coritiba. O zagueiro foi o simbolo do jogo: bom no ataque, ruim na defesa. Aos 6 minutos, apareceu na segunda trave como um raio para cabecear o escanteio cobrado por Zé Roberto sem ser acompanhado por nenhum jogador do Flamengo. Com 1 a 0 no placar, o time de Marcelo Oliveira recuou para buscar os contra-ataques e deixou o adversário jogar. Deixou demais.

O empate parecia questão de tempo porque a bola só ficava com o Flamengo, e a defesa do Palmeiras era constantemente ameaçada e, pior que isso, estabanada na hora de fazer os desarmes e os cortes. Parecia estar no limite. Aguentou até o intervalo, mas assim que o segundo tempo começou, o gol saiu. Jackson deu um dos botes mais infantis que o futebol já viu, ao tentar dar um chutão na bola, e facilitou o drible de Ederson, que completou para o gol. O mesmo Ederson, seis minutos depois, deu o troco e concretizou a virada em jogada de escanteio.

Os 37 mil torcedores que abarrotaram o Allianz Parque em mais uma partida às 11h com bom público ficaram irritados. O Palmeiras mais uma vez não jogava bem e qualquer esperança no campeonato seria desperdiçada com quatro derrotas seguidas. Mas eis que apareceu a defesa do Flamengo, e se Cristóvão Borges quiser levar esse time a algum lugar, precisa dar um jeito nesse setor. Especialmente Samir foi muito mal, tanto que acabou substituído depois do quarto gol do Palmeiras.

A reação começou meio na sorte, mas também na incapacidade da defesa do Flamengo de simplesmente cortar uma bola que ficou pingando na área. Cleiton Xavier cabeceou em Samir, que desviou enganando César. Zé Roberto, na lateral esquerda, e em boa partida, deu o passe para Alecsandro fazer o pivô de forma brilhante para Dudu chegar pela direita e bater cruzado, um chute que César poderia ter defendido. Cinco minutos depois, o ex-jogador do Flamengo aproveitou a confusão da defesa para fazer o quarto.

No encontro de duas defesas frágeis ao longo de todo o campeonato, o Palmeiras soube aproveitar melhor os espaços e as falhas para construir o placar, mas também tem os seus ajustes a fazer se quiser manter-se vivo na briga pela Libertadores. A mesma coisa serve para o Flamengo, se o objetivo da temporada for mais do que simplesmente se livrar do rebaixamento. Mas, enquanto eles não fazem isso, pudemos nos divertir com essa grande partida.