No aquecimento para a nova temporada da Premier League, dois clubes que haviam acabado de subir da segunda divisão investiram o suficiente para sinalizar que ambicionavam mais do que apenas escapar do rebaixamento. Enquanto o Wolverhampton cumpre a promessa, em uma confortável nona colocação, o Fulham entrou na zona da degola, depois de perder por 4 a 2 para o Cardiff City, derrota para ligar todos os sinais vermelhos em Craven Cottage.

São seis partidas sem vencer na Premier League para o time que desembolsou mais de £ 100 milhões em contratações no último mercado. É verdade que boa parte da sequência poderia ser creditada à dificuldade dos adversários. Desde a vitória contra o Burnley, na terceira rodada, a única até agora, o Fulham encarou o Manchester City, o Everton e o Arsenal, além de Brighton e Watford, contra os quais empatou.

No entanto, não há desculpas para a maneira como perdeu para o Cardiff, um duelo que deveria ser vencido por um clube que busca terminar a Premier League na parte de cima da tabela, seja ele realizado no País de Gales ou no Cazaquistão. Neil Warnock tem à disposição praticamente o mesmo time que disputou a Championship na última temporada, após ter gastado pouco mais de £ 20 milhões em reforços.

Nas oito primeiras rodadas, o Cardiff fez quatro gols. Em 90 minutos contra o Fulham, marcou a mesma quantidade de vezes, escancarando o grande problema da equipe treinada por Slavisa Jokanovic: a defesa. É o pior sistema defensivo da Premier League com 25 gols sofridos em nove partidas. O segundo é o do próprio Cardiff, com 19.

O site Football London destacou todos os erros individuais que levaram o Fulham a ser vazado e, embora a análise talvez seja um pouco rígida demais, é verdade que muitos deles aconteceram. O principal problema que o Fulham tem encontrado, porém, deriva do seu estilo de jogo. Jokanovic foi muito elogiado por ter conseguido o acesso com um futebol vistoso, favorecendo a posse de bola e o ataque.

A transferência para a Premier League foi bem-sucedida, do ponto de vista da implementação, porque o Fulham é o sétimo time da liga com mais média de posse de bola, atrás apenas dos seis clubes mais ricos do país. No entanto, a execução deixa a desejar, e é natural haver mais dificuldade para atuar da mesma maneira contra equipes mais fortes, principalmente com um estilo que naturalmente implica riscos.

Basta observar os gols que o Fulham sofreu na Premier League. A defesa londrina se desorganiza com muita facilidade quando o adversário ataca em velocidade. Abandona a posição para pressionar e cede espaços. Além disso, é muito fácil acionar atacantes nas costas da última linha. Essas falhas não são compensadas pelo ataque, que produziu apenas 11 gols em nove rodadas.

O dinheiro gasto pelo Fulham inegavelmente qualificou o seu elenco, mas também quer dizer que o time precisará de um pouco de tempo para encaixar todas as peças e alcançar o entrosamento ideal. Dos 14 jogadores que participaram da derrota para o Cardiff City, seis chegaram na última janela de transferências: Calum Chambers, Maxime Le Marchand, Jean Michael Sërri, André Schürrle, Alfie Mawson e Luciano Vietto.

Antes da Premier League começar, os técnicos mais cotados pelas casas de aposta para serem os primeiros demitidos eram Claude Puel, do Leicester, e José Mourinho, do Manchester United. Agora, Jokanovic já encostou em Mourinho. Ele se reunirá com o dono do Fulham, Shahid Khan, esta semana, para uma reunião que promete não ser muito agradável. O rumor na imprensa inglesa é que ele tem dois jogos para salvar o emprego: Bournemouth e Huddersfield – há um duelo contra o City, pela Copa da Liga, entre eles, mas seria pouco sensato que ele pesasse na avaliação.

O que pesa a favor de Jokanovic é que o Fulham também começou mal a última temporada, na Championship, com apenas quatro vitórias nas primeiras 17 rodadas, antes de emendar uma boa sequência de resultados entre novembro e abril para terminar na terceira posição e arrancar a vaga na Premier League das mãos do Aston Villa, nos playoffs.

“Ano passado, as pessoas estavam contra nós, mas encontramos uma maneira de melhorar e ser mais competitivo. Já mostramos coisas positivas, mas as negativas estão nos matando. Eu consigo encontrar a solução. Meu trabalho é continuar trabalhando e lutar para encontrar a solução”, afirmou Jokanovic, segundo a Sky Sports, que nega que ele tenha recebido um ultimato da diretoria do Fulham.

O Fulham gastou muito para chegar à Premier League fazendo barulho, possivelmente terminá-la na parte de cima da classificação. Até agora, está dando errado. É verdade que metade da tabela foi dura, com duelos contra Tottenham, Everton, City e Arsenal. Mas, na outra metade, os resultados não foram muito melhores. Pressionado, Jokanovic precisa trabalhar rápido para encontrar o equilíbrio que a sua equipe necessita.