Troy Deeney, atacante do Watford, sempre foi conhecido por falar sem rodeios. E, em meio à crise do Coronavírus, não tem mudado seu comportamento. O capitão dos Hornets é um dos jogadores a expressar seu descontentamento com os planos de reinício do futebol na Inglaterra. O experiente jogador está disposto até mesmo a abrir mão de seu salário completamente se isso significar que sua família não estará em risco.

Durante uma live no Instagram nesta quinta-feira (14), Deeney deixou claro que sua preocupação principal é a saúde de seus entes queridos: “Não estou nem falando de futebol no momento, estou falando da saúde da minha família. Se eu sinto que não estou cuidando da minha família, então não vou jogar. Não vou colocar minha família em risco”.

A ameaça de cortes no salário em caso de recusa a voltar a campo tampouco muda sua posição. De origens humildes, o atacante não teme ficar sem seus vencimentos. “O que é que eles vão fazer, tirar meu dinheiro? Já estive falido antes, então não me incomoda”, afirmou.

Em um questionamento válido, Deeney aponta que tem se falado que não seria seguro para os torcedores voltarem aos estádios antes de 2021. Para ele, não deveria haver distinção entre jogadores e torcedores.

“Eles estão falando sobre não jogar diante de torcedores até 2021. Então, se não é seguro o bastante para os torcedores estar dentro de um estádio, por que deveria ser seguro para os jogadores estarem lá?”

O Projeto Reinício encontra resistência entre outros capitães da Premier League. Além de Deeney, Mark Noble, do West Ham, e Glenn Murray, do Brighton, criticaram o procedimento. Murray, em entrevista à Sky Sports, chegou a propor que o futebol inglês aguarde os impactos do relaxamento do isolamento social recentemente colocado em prática antes de determinar a volta da Premier League: “Não consigo entender por que, logo após relaxar um pouco o isolamento, estamos com tanta pressa para voltar”.

A Premier League trabalha para retomar sua competição já no próximo mês, depois de Boris Johnson informar que esportes profissionais não poderiam ser praticados antes de 1º de junho. Trabalhando em protocolos de segurança e tentando chegar a um acordo sobre quais estádios receberiam as partidas, a liga inglesa por enquanto descarta um encerramento precoce de sua disputa.