O atacante do Watford, Troy Deeney, foi um dos mais contundentes nos questionamentos e críticas aos planos da Premier League de retomar as partidas após a paralisação pela pandemia de coronavírus, cujo segundo passo foi dado na última quarta-feira com a aprovação dos protocolos para treinos com contato físico. E, por sua posição, foi xingado.

“Eu vi comentários em relação ao meu filho (que nasceu prematuro, tem cinco meses e problemas respiratórios), pessoas dizendo ‘espero que seu filho pegue coronavírus’.  Essa é a parte difícil para mim. Se eu responder, as pessoas dirão ‘ah, pegamos ele’ e continuam fazendo”, afirmou, em entrevista à CNN. “Minhas esposa recebe (xingamentos) e você está andando na rua e as pessoas dizem ‘estou no trabalho, volte ao seu trabalho’.”.

Ele disse também que sentiu oscilações na opinião pública depois que ele e outros jogadores, como Sergio Agüero e N’Golo Kanté, que se recusou a se juntar aos treinos do Chelsea, expressaram suas oposições e que isso mostra o poder que os jogadores têm quando se unem.

“Eu recebi muitas mensagens de apoio de pessoas que não as me enviariam normalmente – que eu nem sabia que tinham meu número, para começar. Mas certamente de clubes maiores e isso mostra que eu estou fazendo algo certo porque eu sou apenas o pequeno Troy de Watford e todos parecem ouvir o que eu eu digo”, acrescentou.

Apesar dos questionamentos, Deeney não sente que a Premier League está impondo o retorno aos jogadores e que criou “linhas de comunicação muito boas”, mas, nas primeiras reuniões, ainda não tinha informações suficientes.

“Minhas preocupações eram puramente por causa da minha família. Eu precisava de mais perguntas respondidas com mais autoridade e, no começo, eles não conseguiam fazer isso.  Eu acho que todos apreciam tudo que a Premier League está fazendo. Eu não acho que seja negligência: ‘Voltem ao trabalho ou vocês vão ver’. Não é assim”, disse.

“Essas reuniões não ficam muito seguras. Há algumas conversas frustrantes. Quando alguém disse que eu corro o mesmo risco de pegar coronavírus jogando futebol ou indo ao super-mercado, eu disse: ‘eu nunca tive que dar uma cabeçada para pegar um pepino’. Mas também houve reuniões muito boas” , completou.

Pouco antes da paralisação, o Watford de Deeney foi o primeiro time a conseguir derrotar o Liverpool nesta temporada da Premier League. Os Reds caminhavam a passos largos para o seu primeiro título inglês desde 1990, com 25 pontos de vantagem para o segundo colocado, e Deeney disse que sente pelo clube, mas que a integridade da temporada “já era”.

“É que nem correr uma maratona, 35 quiômetros, parar dois meses e depois tentar correr o resto e dizer ‘ah, foi uma boa corrida’. Eu sinto pelo Liverpool porque independentemente do que aconteça, eles merecem vencer a liga. Eles merecem o troféu”, disse.

“Mas não importa o que aconteça, mesmo que joguemos todas as partidas, ainda será o ano estragado pela pandemia. Não será o ano em que o Liverpool ganhou a liga sendo o melhor time e, sabe, faz 30 anos que eles não vencem”.

“Então eu sinto pelo Liverpool e por seus jogadores, mas, em termos de integridade, não tem como dizer que foi uma competição viável”, encerrou.

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