Não há mais como questionar: o Hoffenheim faz uma campanha espetacular na Bundesliga. Não, não vai disputar a Salva de Prata. Mas o desempenho maciço tem tudo para garantir a vaga inédita na Liga dos Campeões, apenas uma temporada depois de lutar contra o rebaixamento. Os alviazuis sofreram apenas duas derrotas em 27 rodadas. E, nesta terça, impuseram o segundo revés ao Bayern de Munique no campeonato. O belo chute de Andrej Kramaric determinou o triunfo por 1 a 0, o primeiro da história do clube contra os bávaros, após já terem arrancado o empate na Allianz Arena durante o primeiro turno. Invicto há sete jogos, time de Julian Nagelsmann abre 11 pontos de vantagem no Top 4, com a estreia continental bastante encaminhada.

O Hoffenheim tratou de fazer o serviço logo no primeiro tempo. O time da casa imprimiu sua ofensividade na Wirsol Rhein-Neckar Arena desde os minutos iniciais. Trabalhava muito bem os passes e ia colocando o Bayern contra a parede. Aos oito minutos, Nadiem Amiri teve chance clara de abrir o placar, mas parou no goleiro Sven Ulreich. Só depois é que os bávaros passaram a respirar um pouco mais, em escalação com alguns titulares poupados. Contudo, os alviazuis merecidamente abriram o placar aos 21 minutos. Kramaric arriscou da entrada da área e Ulreich não conseguiu desviar o chute potente.

A partir de então, o Hoffenheim diminuiu o seu ritmo. O que não significa que o Bayern melhorou. O trabalho defensivo do time da casa era excelente, dando poucos espaços aos líderes do campeonato. O quinteto de meio-campo, sobretudo, ia muito bem no combate. Somente aos 44 é que os bávaros realmente ameaçaram. Após boa jogada de Kingsley Coman, passando pelo futuro companheiro Niklas Süle, Robert Lewandowski completou dentro da área. A bola, caprichosa, bateu no travessão.

Já durante a segunda etapa, o Bayern buscou mais o ataque. Diante do bom posicionamento dos adversários, o time de Carlo Ancelotti apostava principalmente nos cruzamentos. Encontrava uma muralha pela frente, com o esforço dos marcadores em travar as finalizações. Quando seus homens de linha não conseguiam salvar, o goleiro Oliver Baumann também brilhava, especialmente nas saídas de sua meta. A partir dos 27 minutos, os bávaros tentaram renovar suas ideias, com as entradas de Franck Ribéry e Juan Bernat. Alterações em vão. O sufoco dos minutos finais engrandeceu ainda mais o feito do Hoffenheim.

O Bayern não perdia pela Bundesliga desde novembro, quando caiu ante do Borussia Dortmund. Acumulava invencibilidade de 15 partidas. De qualquer maneira, não é o tropeço que deve atrapalhar o time em sua empreitada rumo ao pentacampeonato, com 13 pontos de vantagem. Nesta terça, porém, a vez é de exaltar o outro lado. E, sob as ordens do “ousado” Julian Nagelsmann, enfatizando o jogo ofensivo, o Hoffenheim faz uma campanha acima do elenco que tem. A organização coletiva prepondera e coloca os alviazuis na direção da Champions, um objetivo que completa os melhores sonhos de Dietmar Hopp.