Deco teve uma carreira repleta de passages marcantes e títulos importantes, e uma das coisas de que mais pode se gabar é ter sido treinado por alguns dos maiores técnicos do mundo. Na seleção portuguesa, foi comandado por um Luiz Felipe Scolari ainda em alta no cenário mundial. Pelo Chelsea, além de Felipão, Hiddink e Ancelotti ocuparam o cargo de treinador. No Barcelona, fez parte da geração liderada por Rijkaard, enquanto no Porto foi um dos jogadores mais importantes do time campeão europeu de José Mourinho. E, para o luso-brasileiro, foi justamente o treinador do Chelsea o melhor com quem trabalhou, e ele explica seus motivos.

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Deco encontrou-se com Andy Jackson, da revista britânica FourFourTwo, e respondeu a uma série de perguntas preparadas por leitores da publicação, que abordaram os mais diversos temas.Quando o tópico foi treinadores, o destaque foi para o atual técnico do Chelsea. Após elogiar Fernando Santos, Ancelotti e Felipão, o ex-jogador explicou porque Mourinho foi o melhor de todos.

“Na época (entre 2002 e 2004), o Mourinho trouxe algo diferente; trouxe a ambição, porque, na época, era difícil para um clube em Portugal pensar que poderia vencer a Champions League. O Porto já havia a vencido no passado, é claro, mas era uma época diferente. Depois da Lei Bosman, ficou mais fácil para os jogadores se transferirem, e clubes como Barcelona, Chelsea, Real e Manchester United tinham dinheiro para comprar os melhores jogadores. Se você joga bem por um ou dois anos no Porto, é muito difícil para eles manter os jogadores e, portanto, muito difícil vencer a Champions League. Mas o Mourinho trouxe essa confiança para nós; tínhamos um time fantástico, e ele nos deu o empurrão final para acreditar que era possível”, relembra.

“Ele trouxe algo diferente, novas ideias e a confiança de vencer algo com um clube português. Mourinho tinha estudado o esporte por um longo tempo antes (de se tornar técnico), assistindo a outros times, e o bom era que tudo que fazíamos no treino acontecia no jogo, o que deu aos jogadores confiança no técnico”, completa Deco, que falou brevemente sobre como deve ser para Mourinho lidar com um momento ruim como o que vive agora no Chelsea: “O Mourinho é um vencedor. É difícil para ele aceitar resultados que não acontecem como ele gostaria”.

Em uma entrevista preparada por fãs de futebol de todo o mundo, direcionada a alguém que jogou tanto com Cristiano Ronaldo quanto com Messi, era inevitável que a pergunta dicotômica sobre qual é melhor surgisse. E ela abre a publicação da FourFourTwo. Deco fica em cima do muro, mas tenta apresentar uma nova perspectiva na discussão.

“É difícil fazer uma escolha, não porque sou amigo dos dois, mas porque eles são diferentes. Quando você compara jogadores como Cristiano Ronaldo e o Ronaldo brasileiro, ou Messi e Maradona, é um pouco mais fácil, porque são jogadores similares, mas é difícil com esses dois, porque eles são tão diferentes. Os gols que o Cristiano marca, o Messi não marcaria, e os gols que o Messi marca, o Cristiano não marcaria. O Messi tem o talento que nasceu com ele. O Cristiano também tem talento, mas é inacreditável o quão duro ele trabalhou, o quão profissional ele é. Vocês (torcedores) podem escolher porque vocês gostam mais de um do que de outro, mas não dá para dizer que um é o melhor”, ponderou o ex-jogador.

Ao falar sobre estrelas do passado, Deco demonstrou sua predileção por colegas de posição, os meio-campistas. Perguntado sobre com quem gostaria de ter atuado, revela: “Zidane. Era da minha geração, um jogador fantástico”. E o adversário mais difícil de se enfrentar? Seja pela rispidez das jogadas ou pela classe em campo, o luso-brasileiro tinha resposta para tudo. “Talvez o Diego Simeone, ele era um oponente muito duro. O Paul Scholes também foi um dos melhores jogadores que vi. Para mim, ele foi um dos melhores meio-campistas do mundo e na história. Nunca é fácil em um time grande, e ele não marcava muitos gols, mas organizava o time fantasticamente. Quando um time tem bons meio-campistas com qualidade, é mais fácil para os atacantes”, opinou.

Deco ainda trata na entrevista de temas como a chegada de Guardiola ao Barcelona, sua saída do clube, ao lado de Ronaldinho e Eto’o, projeta duelo hipotético entre equipes pelas quais atuou, além de falar de sua passagem pelo Fluminense, na volta ao Brasil, e sobre sua escolha de defender a seleção portuguesa – segundo ele, por amor ao país. Vale a pena conferir a entrevista completa no site da FourFourTwo e ver o que um dos jogadores mais lembrados do futebol europeu na década passada tem a dizer.