Uma forma muito eficiente de mudar comportamento, como você já deve ter ouvido a sua mãe dizer, é mexer no bolso. Às vésperas das eleições presidenciais de 2015 na Fifa, temos a chance de descobrir se isso funciona também com homens adultos e ricos. Depois de perder os apoios da Sony e da Emirates, a entidade perdeu mais três patrocinadores em meio a escândalos de corrupção e falta de transparência.

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A Castrol, a Continental e a Johnson & Johnson confirmaram ao The Telegraph que não renovaram os seus contratos ao fim do ano passado. Eram parceiros importantes da Fifa e estavam há muitos anos financiando os eventos da entidade. Como no caso da Sony e da Emirates, nenhuma delas afirmou que foi por causa dos processos escusos de candidatura às próximas duas Copas, mas dá para acreditar em uma mera coincidência?

Dessas, a empresa que tinha contrato há menos tempo era a Johnson & Johnson, cujo acordo era para a Copa do Mundo de 2014 e não foi renovado para 2018. A Sony assinou em 2005; a Castrol estava desde 2008; a Continental, de 2003, e a Emirates começou a financiar a Fifa durante o Mundial de 2006. E no ano em que as pressões contra os torneios do Catar e da Rússia cresceram, todas desistiram de associar suas marcas à entidade.

Ano passado, o investigador Michael Garcia divulgou um relatório extenso com várias provas de corrupção nas candidaturas dos dois países, mas, segundo Blatter, por razões legais, apenas uma parte das informações foi divulgada ao público. Ele se demitiu em protesto. Além da óbvia falta de transparência, levantou outra questão: o que estão tentando esconder?”

O deputado britânico conservador Damian Collins está organizando a campanha New Fifa Now para pressionar a entidade e realizar reformas substanciais. Para ele, a explicação para a debandada dos patrocinadores é clara: a Fifa virou uma marca tóxica. “Eu acho que é por isso que as empresas que se importam com suas reputações não querem se associar a ela. Eu pediria a todos os patrocinadores da Fifa que reconsiderassem suas associações com ela e aos torcedores de futebol que consomem essas marcas a protestar contra esse parceria”, disse ao Telegraph.

Basta saber qual será o tamanho, se houver um, do impacto disso nas eleições para a presidência da Fifa em 2015. Neste momento, Blatter pinta como favoritíssimo para mais uma reeleição. Jérôme Champagne ainda tenta buscar apoio, Harold Mayne-Nicholls está se decidindo e a candidatura de David Ginola é uma piada. A única ameaça real é o príncipe da Jordânia, Al Bin Al-Hussein, o favorito do presidente da Uefa, Michel Platini. Será que, se o bolso começar a doer, a Fifa começa a corrigir o seu curso?

Veja tudo sobre os escândalos e as polêmicas da Copa do Mundo do Catar.

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