Mesmo debaixo da forte chuva de Jundiaí, não era difícil diferenciar o que era lágrima e o que era água no rosto dos jogadores da Chapecoense. Estavam tristes e desolados, desta vez, por causa de um resultado esportivo e não por uma tragédia inominável e cruel. É importante ressaltar isso porque mostra que o clube continua, que o clube segue em frente, e que ele pode procurar na brilhante campanha do seu time sub-20 na Copa São Paulo de Juniores motivos para pensar que o futuro pode ser promissor, apesar da eliminação, nesta terça-feira, para o Paulista, por 1 a 0, nas quartas de final da competição.

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Tudo que envolve a Chapecoense foi afetado pelo desastre aéreo de Medellin, e a equipe que se preparava para disputar a Copinha não foi exceção. Os mais experientes jogadores do time, como o lateral direito Gabriel, os zagueiros Hiago e Guarapuava, e o atacante Perotti, tiveram que ser emergencialmente integrados à equipe principal. O técnico Emerson Cris comandou uma equipe remendada e sob forte pressão emocional. Mas a Chape soube transformar esse sentimento em força para ir além do que se esperava na mais famosa competição de categorias de base do Brasil.

Não foi nada fácil. A Chapecoense sofreu na fase de grupos. Começou a campanha com derrota para o Nova Iguaçu, venceu o Sampaio Corrêa e se classificou, no saldo de gols, graças ao empate contra o Desportivo Brasil, conquistado aos 10 minutos do segundo tempo. Na primeira fase eliminatória, eliminou o favorito São Paulo, nos pênaltis, e passou por Capivariano e Ituano antes de medir forças com o Paulista, nas quartas de final. Seria, como foi, um jogo equilibrado e os possíveis adversários da semifinal – Botafogo, um dos únicos grandes que nunca venceu a Copinha, ou Batatais – indicavam que não seria nenhum absurdo ver a Chapecoense no Pacaembu no dia do aniversário de São Paulo.

Mas o Paulista mostrou força e abriu o placar, aos 9 minutos do primeiro tempo, com requintes de crueldade. Ó goleiro Tiepo, herói dos pênaltis contra o São Paulo, espalmou um chute de fora da área de Vitor Hugo. Brayan pegou o rebote, limpou o arqueiro e fez 1 a 0 para o time da casa no Jayme Cintra. Brayan quase ampliou, alguns minutos depois, ao sair na cara de Tiepo, que desta vez conseguiu abafar a finalização. A Chapecoense respondeu em boa jogada individual de Japa, um dos destaques deste jovem time catarinense. Tiepo interveio muito bem outras três vezes para garantir que a Chape fosse ao intervalo perdendo por apenas 1 a 0, com destaque para uma linda defesa em recuo de cabeça de Vini, que quase marcou contra.

O domínio do Paulista de Jundiaí no primeiro tempo esvaiu-se na etapa final, e foi a vez de Enzo brilhar. Primeiro, barrou uma tentativa de Japa, pela esquerda. Depois, executou uma defesa brilhante em chute de fora da área de Ned, que tinha no ângulo um destino quase inevitável. A equipe de São Paulo era perigosa no contra-ataque, mas desperdiçou muitas oportunidades e não foi capaz de definir a parada, o que manteve a Chape na contenda. Bruno acertou a trave, Tiepo foi à área em desespero, e os guerreiros catarinense conseguiram a pressão para fazer o gol de empate. Só não conseguiram o gol de empate e foram eliminados com a sexta vitória por 1 a 0 do Paulista na competição – a outra foi por 2 a 1.

E os jogadores choraram. Alemão, especialmente, derramou uma enxurrada de lágrimas. Decepção compreensível pela oportunidade que eles mesmo se deram de fazer história e chegar ainda mais longe na primeira competição da Chapecoense depois do desastre aéreo que levou tantos pedaços importantes do clube. Mas tanto Tiepo, quanto Japa, quanto Canhoto, quanto Bruno, quanto Alemão, quanto todos os jovens que honraram a camisa da Chape podem ficar tranquilos. Cumpriram muito bem a missão que lhes foi incumbida. E, agora, que venha o futuro. Para eles e para a Chapecoense.