A morte de George Floyd, homem negro asfixiado por um policial branco que se ajoelhou em seu pescoço, deu início a uma série de manifestações nos Estados Unidos contra a brutalidade da polícia e o racismo em geral e, desde o fim de semana, tem produzido também mensagens de jogadores de futebol sobre o assunto. Entre elas, o americano DeAndre Yedlin, do Newcastle, escreveu fortes palavras em seu Twitter.

Na Bundesliga, única grande liga europeia em atividade no momento, jogadores como Jadon Sancho e Achraf Hakimi pediram justiça para Floyd nas camisas que vestiram por baixo dos seus uniformes na goleada por 6 a 1 do Borussia Dortmund sobre o Paderborn. A mesma mensagem foi exposta pelo americano Weston McKennie, do Schalke 04, em uma braçadeira. Lilian Thuram, do Borussia Monchengladbach, ajoelhou-se como Colin Kaepernick, jogador de futebol americano, que notabilizou o gesto ao protestar contra a brutalidade policial durante o hino dos EUA.

Yedlin contou que recebeu uma mensagem de texto do seu avô, alguns dias depois da morte de Floyd. “Ele disse que estava feliz que eu não vivia nos EUA no momento porque ele temeria pela minha vida, por ser um jovem negro. Os dias foram passando, e essa mensagem do meu avô não saiu da minha cabeça”, começou.

“Meu avô nasceu em 1946, viveu durante o movimento dos direitos civis, viveu durante alguns períodos terrivelmente racistas na história dos EUA, e agora, 70 anos depois, ele ainda teme pela vida do seu neto negro, no país em que ele e seu neto nasceram, o país que seu neto representa quando joga pela seleção americana, o país que seu neto representa quando está jogando na Inglaterra”.

“Eu lembro na escola de fazer o juramento à bandeira , que termina com liberdade e justiça para todos. Todos os americanos precisam se perguntar se há ‘liberdade e justiça para todos’ e, se a resposta deles for sim, eles são parte do problema”, completou.

Para terminar, ele citou uma cláusula da Constituição americana que contava escravos negros como três quintos de uma pessoa livre, um meio termo negociado durante a convenção que escreveu o documento. Como a representação política era baseada em população, os estados escravagistas do sul queriam que os escravos entrassem na conta para ter mais influência. Pelo mesmo motivo, os estados do norte preferiam contar apenas as pessoas livres.

“De maneira alguma estamos pedindo para que as vidas negras importem mais do que as vidas brancas. Tudo que estamos pedindo é que sejamos vistos como iguais, como mais do que três quintos de um homem. Como humanos”.

“Meu coração presta solidariedade a George Floyd, sua família e às inúmeras vítimas que perderam suas vidas nas mãos da despropositada brutalidade policial”, encerrou.

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