Thierry Henry, de 41 anos, foi apresentado como novo técnico do Monaco nesta quarta-feira. O ex-atacante era assistente técnico da seleção da Bélgica, junto com treinador Roberto Martínez, que acabou em terceiro na Copa do Mundo de 2018. O ex-jogador, campeão do mundo em 1998 pela França, assinou contrato com o Monaco até 2021. Na sua apresentação, falou sobre o estilo de jogo que pretende usar e inspirações.

LEIA MAIS: De volta para onde tudo começou, Henry é o novo treinador do Monaco

Ele volta ao clube que o formou como jogador, em 1994, onde ficou até 1999. Depois, passou por Juventus por um semestre antes de chegar ao Arsenal. Foi lá que brilhou por mais tempo, até 2007, fazendo parte de alguns dos melhores times da história do clube. Jogou ainda pelo Barcelona, de 2007 a 2010, e no New York Red Bulls, de 2010 a 2014. Chegou a voltar a atuar pelo Arsenal em 2012, por empréstimo curto, de apenas três meses. Pelo Monaco, foi campeão da Ligue em na temporada 1996/97. Era jogador do clube quando esteve na Copa do Mundo de 1998, que a França terminou campeã.

“Quando eu recebi a proposta do Monaco, foi óbvio, uma escolha com o coração para mim. É claro, vocês sabem a conexão que eu tenho com o clube de Londres [Arsenal], mas quando a oportunidade veio, foi um sonho que se realizou. Eu sei que terei muito trabalho, mas eu estou muito feliz por estar aqui. Eu amei todos os técnicos com quem eu trabalhei”, disse Henry.

“Obviamente, Wenger me abriu muito a cabeça, Guardiola para mim é uma referência, eu pude observar isso. Eu também gostaria de mencionar técnicos franceses, incluindo José Arribas, Jean-Claude Suaudeau e Raynald Denoeix, que respiravam futebol, fizeram o Nantes ganhar com jogadores da base. Eu também gostaria de mencionar os treinadores de Clairefontaine [centro de treinamentos da seleção francesa]”, continuou o novo técnico.

Thierry Henry, do Monaco (Foto: AS Monaco)

O novo treinador do Monaco foi direto quando perguntado sobre quem o inspira para a profissão. “Pep é a referência para mim”, disse Henry. “A invenção que ele teve no jogo, ele está muito à frente”, continuou. “Não há certo ou errado; essa é a referência para mim. Nós aprendemos como jogar o jogo quando eu fui para o Barcelona sob o comando dele. Com Pep, você pode falar sobre o jogo, ele não vai dormir e ainda fala sobre o jogo, você cai no sono e ele ainda está falando. Você aprende das pessoas, elas inspiram você. Mas você também tem que colocar seu próprio tempero”.

Henry foi lembrado sobre o seu início de carreira, em 1993. “O ano de 1993 está muito longe. Nós perdemos cabelo e temos mais velocidade, é difícil, é difícil… Se alguém me dissesse que um dia eu seria técnico do Monaco, eu não acreditaria. É uma evolução. Às vezes você precisa passar por uma porta pequena e você tem que crescer e crescer. E às vezes, ninguém abre a porta. E às vezes ela é pequena… Eu fiz o que eu tinha que fazer. Eu passei pela primeira formação de técnico, então a segunda, depois a terceira. No começo, eu tinha que pegar as camisas dos jogadores das categorias de base do Arsenal e eu fiz isso. Então, eu tive que colocar os equipamentos e carregar os gols, e eu também fiz isso. E então, na terceira formação, fomos para a Copa do Mundo. Você tem que ir desde o começo”, contou Henry.

Perguntado sobre Zinedine Zidane e Didier Deschamps, seus companheiros em 1998 e também técnicos atualmente, ele foi elogioso com ambos. “Ganhar como eles seria bom. Essas são duas pessoas que eu admiro muito. Quando nos vemos, nós falamos sobre ser técnico. Antes, falávamos sobre futebol, futebol. Todos têm suas próprias ideias sobre táticas, como eles trabalham, mas eles são exemplos para todo mundo”, afirmou ainda o treinador.

Henry foi ídolo também da seleção francesa, com 51 gols em 123 jogos, e se aposentou em dezembro de 2014 da sua carreira no futebol como jogador profissional. Foi comentarista esportivo e passou a trabalhar como assistente técnico na seleção da Bélgica em 2016. Terá agora a chance de ser técnico pela primeira vez no clube que começou a carreira e que precisa muito dele. O Monaco é apenas o 18º colocado na tabela, lutando neste momento contra o rebaixamento depois de nove jogos.