* Por Bruno Rodrigues

O volante Matías Kranevitter enfim foi apresentado pelo Atlético de Madrid, no Vicente Calderón, nesta segunda-feira. Comprado pelos colchoneros em agosto do ano passado, permaneceu no River Plate até dezembro para a disputa do Mundial de Clubes, que terminou com o vice diante do Barcelona. Agora, o tucumano de 22 anos terá a oportunidade de começar os trabalhos com o técnico Diego Simeone, que pediu sua contratação aos dirigentes do Atleti em 2015.

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A relação com Simeone, entretanto, já data de outros tempos. Não propriamente com o Cholo, mas com outro Simeone: Giovanni. De certa forma, o sobrenome traça uma linha do tempo – e de progressão – da ainda curta carreira de Kranevitter como jogador profissional. Para que entendamos melhor, precisamos voltar um pouco no tempo: mais precisamente, para o dia 17 de novembro de 2013, em Buenos Aires.

O River Plate vivia um péssimo momento dentro do Torneo Inicial, amargando um jejum de vitórias que já durava seis partidas. Para por fim a essa sequência negativa, o adversário seguinte, o Olimpo, era ideal, já que também passava por fase complicada na competição e, no papel, tinha uma equipe consideravelmente inferior à dos millonarios. Na capa do Programa Oficial do jogo, produzido pelo departamento de comunicação do River, aparecia um promissor atleta que começava a ganhar seu espaço no time: ele, Matías Kranevitter.

Programa Oficial - Kranevitter

Logo aos nove minutos, o Monumental de Núñez explodiu quando o cruzamento de Vangioni pela esquerda encontrou na pequena área a definição precisa de Gio Simeone, filho de Cholo. Os donos da casa não jogavam bem, mas a abertura do placar logo cedo parecia encaminhar uma vitória tranquila aos comandados de Ramón Díaz. Parecia.

Aos 43 minutos da etapa inicial, o Olimpo chegou ao empate. No segundo tempo, o Monumental voltou a explodir, desta vez de angústia e raiva. Aos 20, os visitantes chegaram à virada; aos 34, uma falta desviada sacramentou a vitória dos de Bahía Blanca. Nos minutos finais, gritos de protesto e cantos para que os jogadores fossem embora, o famoso “que se vayan todos”. O único salvo pela hinchada millonaria era Kranevitter, aplaudido cada vez que recebia a bola apesar da atuação apagada – fato destacado pelo Diário Olé no dia seguinte ao revés.

Aquela derrota para o Olimpo foi e é emblemática, porque o torcedor sabia que algo especial estava reservado para o volante, bancado também, obviamente, por ser cria da base e identificado desde cedo com o clube. Para o time, esperavam o mesmo, mas poucos imaginariam um futuro próximo tão brilhante como foram as duas temporadas seguintes.

Em 2014, com Kranevitter ganhando mais protagonismo, o River conquistou o Torneo Final e a Copa Sul-Americana. No ano passado, a tão sonhada Copa Libertadores sob o comando de Marcelo Gallardo, título que não era comemorado em Núñez desde 1996, quando o Muñeco ainda jogava. Kranevitter foi peça fundamental da equipe nessa reviravolta vivida pelo clube do fim de 2013 para cá.

A coroação individual desse crescimento como jogador chegou com as convocações para a seleção principal da Argentina e segue agora com a transferência para o Atlético, hoje líder de La Liga e treinado por um argentino que já o observa há algum tempo. Pelo menos desde aquele 17 de novembro de 2013, em que o filho de Simeone marcava um gol, mas quem ganhava os aplausos do Monumental era um tal Matías Kranevitter.

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