A Europa vive um momento delicado, com a chegada de milhares de refugiados, neste momento a maioria do Oriente Médio e especialmente da Síria, mas é comum vermos imigrantes do leste europeu também. Quando Daniele De Rossi, um dos símbolos da Roma, xinga um adversário do leste europeu com um tipo de ofensa que é uma das demonstrações dos problemas europeus.

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Muitos dos ciganos presentes na Europa ocidental são do leste europeu. Como se sabe, há centenas de anos os ciganos são acusados de cometer crimes e não são bem vistos nesses países. Então, chamar alguém de cigano é tentar taxá-lo, indiretamente, de ladrão, ainda que os ciganos não sejam criminosos. A Croácia, de onde veio Manduzkic, é um país com muitos ciganos e a grande maioria vive em péssimas condições e são muito pobres. Não quer dizer que De Rossi seja uma pessoa preconceituosa em tudo que faz. Mas a sua atitude foi preconceituosa, racista até. E o julgamento é pelas ações, não por quem a pessoa é, até porque este segundo é impossível de avaliar.

O xingamento de De Rossi veio depois de uma entrada do volante italiano sobre o croata. O jogador da Juventus não gostou e reclamou para a rbitragem. O meio-campista da Roma saiu xingando e disse: “Sta muto zingaro di merda” (“Cale a boca, cigano de merda”). Uma atitude tomada no calor do jogo, mas isso não exime do erro. É preciso punição para esse tipo de coisa. Não é muito diferente de um xingamento racial, como chamar de macaco.

O insulto de De Rossi foi destacado pelos jornais italianos. De Rossi não foi punido em campo, já que o árbitro sequer deve ter visto. Especulou-se que o meio-campista poderia ser punido por até 10 jogos pela atitude. O site Calciomercato, porém, diz que o vídeo da TV não deve ser usado como prova e, assim, De Rossi pode escapar da punição.

O técnico da Roma, Luciano Spalletti, parece não ter entendido o problema. “Manduzkic provocou o jogo inteiro a todos. Vou ensinar De Rossi a tapar a boca quando for falar com algum adversário”, declarou o treinador. O problema, professor Luciano, não é ele ser pego ou não. O problema é o princípio: a punição existe para que isso não aconteça. Ofender as pessoas é grave. A punição é para ensinar isso. Só evitar ser punido não resolve o problema. Não punir De Rossi seria fazer o que acontece na maioria dos casos quando se trata de preconceito ou racismo: jogar a sujeita embaixo do tapete.