A passagem de Daniele De Rossi pelo Boca Juniors foi curtíssima, mas suficiente para deixar um registro histórico no clube de Buenos Aires, no futebol argentino e também no da América do Sul. A aventura foi também um privilégio ao italiano, que, em entrevista à Sky Sport Italia, falou de seu encantamento com a torcida xeneize e da experiência em sua reta final de carreira.

De Rossi encontrou na Argentina um lugar “único” e ainda assim parecido com a Itália: “mais do que possamos imaginar”. “Especialmente considerando que metade da população de lá tem origens italianas. Eles vivem com absoluta paixão por tudo, da comida à música e ao futebol”, explica ele.

A um público acostumado com a qualidade de jogo vista na Serie A e em outras ligas nacionais europeias, o nível de futebol do Campeonato Argentino pode ser baixo demais para atrair um número significativo de espectadores na Itália. Mas, a esses, De Rossi faz uma defesa apaixonada daquilo que encontrou em Buenos Aires.

“Você pode achar a liga deles questionável em termos de táticas e de qualidade, porém, nos seis meses em que joguei lá, nunca vi um jogador tirar o corpo ou não dar 200% de si.”

A admiração, é claro, foi ainda maior pela fanática torcida xeneize. De Rossi vê nos argentinos algo que se perdeu nos italianos, e este é o fascinante de tal intercâmbio de culturas: observar como as coisas são, já foram e como elas poderiam ser.

“A coisa mais maravilhosa de estar lá era olhar para cima, para as arquibancadas. Eles tinham o tipo de paixão e fogo que perdemos na Itália. O amor deles pelo clube é puro.”

Por fim, o ex-jogador deixou uma recomendação aos apaixonados por futebol de qualquer canto do globo: “A Bombonera é o estádio mais impressionante do mundo, e gostaria que todos os fãs de futebol pudessem visitá-lo durante um jogo do Boca. Sinto-me realmente privilegiado de ter jogado lá, mesmo que não por muito tempo”.

De Rossi passou 17 anos como jogador profissional da Roma e, após o fim de seu contrato com os giallorossi, no encerramento da temporada passada, foi ao Boca Juniors a convite de seu ex-companheiro de time Nicolás Burdisso, que sabia da paixão do italiano pelo clube xeneize.

A passagem foi curta, de apenas seis meses, e De Rossi, em meio a um momento de transição política no comando do Boca, anunciou que não renovaria seu vínculo, aposentando-se e retornando à Itália para ficar com sua filha mais velha. Ao todo, fez oito jogos e marcou um gol. O suficiente para acrescentar um belo capítulo à história de todas as partes envolvidas.