De Roberto a Bobby, como Firmino virou um dos atacantes mais completos do mundo

De Roberto a Bobby, como Firmino virou um dos atacantes mais completos do mundo


	Champions League

Meses antes da convocação inicial, Tite confirmou 16 nomes que estavam com vaga garantida na Copa do Mundo da Rússia. Onze deles eram os titulares. Os outros, reservas de confiança. A surpresa nada chocante foi a presença de Roberto Firmino. Novidade por ter sido garantido com tanta antecedência, privilégio reservado aos incontestáveis, o que ele passou longe de ser desde que foi convocado por Dunga pela primeira vez. Por desconhecimento ou preconceito com um jogador que teve passagem meramente efêmera pelo Brasil, Firmino demorou para convencer público e crítica de que tinha qualidade mais do que suficiente para jogar na Seleção – e ainda não é unanimidade. Mas ninguém poderia ficar chocado se acompanhasse o que ele vinha fazendo pelo Liverpool.

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A história de Firmino não difere muito da maioria dos jogadores brasileiros. De origem humilde, os pais preferiam que estudasse, um jeito mais garantido de subir na vida do que apostando na baixa taxa de conversão de sonhadores em profissionais de sucesso do futebol, mas, como faz sempre que entra em campo, o garoto batalhou duro por uma oportunidade. Chegou ao CRB, grande clube de Alagoas, e buscou testes no São Paulo. Recusado, foi levado ao Figueirense e conseguiu se profissionalizar. Na prática, passou apenas um ano disputando competições de adultos em campos brasileiros antes de sair para a Alemanha, o que provavelmente contribui para a desconfiança que muitos tiveram e ainda têm com o seu futebol.

Firmino progrediu paulatinamente na carreira, mas sempre tentando melhorar. Chegou à Europa por um clube pequeno com um projeto promissor, lutou por um lugar na equipe titular, estabeleceu-se, tornou-se a estrela da companhia, chegou à seleção brasileira e saiu para um time maior. No Liverpool, o processo foi parecido: reserva e ridicularizado em seus primeiros jogos, cresceu com Jürgen Klopp, virou peça essencial do sistema tático e, atualmente, é um dos melhores atacantes do mundo. No próximo sábado, tem uma camisa vermelha à sua espera para a final da Champions League contra o Real Madrid, o ápice da melhor temporada da sua vida, em que colecionou números de gente grande: 27 gols e 16 assistências em 53 partidas. Até agora.

Roberto 

Natural de Maceió, Roberto Firmino deu seus primeiros passos no futebol com a camisa do CRB. Era atleta das categorias de base e já mostrava boa parte do seu potencial, mas foi necessária a ajuda de um dentista para que ele despontasse – e a história não tem nada a ver com os dentes. “Em 2006, eu era dentista do CRB e o vi jogando na base. Logo notei que era um menino muito talentoso, mas ninguém dava atenção para ele. Eu não tinha a pretensão de ser empresário de jogador, mas resolvi conversar com ele e os pais e, então, passei a administrar a carreira dele”, afirmou Marcellus Portella ao jornal O Estado de S. Paulo. Antes de virar um atacante completo, o protótipo do jogador moderno, Firmino atuou mais recuado, com a camisa 5. Identificando o potencial do seu novo pupilo, Portella buscou testes para ele no Sudeste. Por meio do ex-jogador Bilu, conseguiu acesso ao São Paulo. “Ele foi muito mal avaliado no São Paulo. Treinou muito pouco com bola. Terminou não sendo aproveitado. Eu estava responsável pelo jogador, levei-o a um hotel da Barra Funda e entrei em contato com o Abelha, que era coordenador da base do Figueirense. Expliquei a situação e indiquei o Firmino para ele”, conta, em entrevista ao Globoesporte.

Firmino chegou a Santa Catarina em 2008 para fazer testes no Figueirense e nem precisou se esforçar muito para impressionar o então técnico do sub-17, Hemerson Maria. “Firmino chegou para um período de testes”, disse , à ESPN Brasil. “Já no primeiro treino ele fez dois gols de bicicleta em 30 minutos! Foi impressionante. Era para ser um período de testes, mas não foi nem um período, precisou só de meia hora para ver que o moleque era bom”. Ainda com 17 anos, a personalidade tímida do adolescente causou algumas confusões. Hemerson Maria passou uma semana chamando-o de “Alberto”, sem que o jogador reclamasse. Até que foi alertado que o nome do moleque na verdade era Roberto. “’Pô garoto, tô há uma semana te chamando de Alberto e você respondendo’. Ele mudo, com cara de vergonha. É um menino muito bonzinho, mas muito envergonhado”, acrescenta à ESPN.

A ascensão de Firmino encontrou um obstáculo inesperado: a política de imigração da Espanha. O garoto foi convidado pelo Olympique Marseille para um período de testes na França, e a sua passagem implicava fazer conexão no aeroporto de Barajas. Naquela época, os espanhóis adotavam regras muito rígidas para deixar estrangeiros entrarem no país. Principalmente brasileiros: segundo dados do Ministério do Interior espanhol, nenhuma nacionalidade foi mais barrada em 2009 do que a brasileira. Um a cada cinco dos visitantes bloqueados. No total, 1902 pessoas nascidas no Brasil e, entre elas, Roberto Firmino. Conta ao Bleacher Report o então diretor da base do Figueirense, Erasmo Damiani, que viria a ser coordenador das categorias de base da CBF, que Firmino viajou sem a documentação necessária, portando apenas a carta-convite do Olympique. Ligou em prantos para a mãe e contou que foi colocado em uma sala, com apenas uma maçã e um copo d’água. A intervenção de Damiani, telefonando para o aeroporto, não foi efetiva. Firmino teve que voltar ao Brasil. Posteriormente, conseguiu manter o teste, agora com uma passagem direta para o Charles de Gaulle de Paris. Mas os franceses não quiseram pagar a cláusula de rescisão de € 1 milhão, e ele permaneceu no Figueirense.

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Apesar de inadvertidamente ter se envolvido em um grande incidente diplomático entre Brasil e Espanha, o ano de 2009 foi bom para Firmino. Promovido rapidamente ao sub-20 do Figueirense, foi um dos destaques da Copa São Paulo de Juniores daquela temporada. Tem dois gols registrados em seu nome no site da Federação Paulista de Futebol, como Roberto. Também estreou entre os profissionais em um jogo da Série B contra a Ponte Preta, em 24 de outubro. Entrou no segundo tempo no lugar de Toninho na derrota por 2 a 1. O Figueirense perdeu a final do Campeonato Catarinense do ano seguinte para o Avaí, mas Firmino levou seus primeiros prêmios individuais, eleito para a seleção do torneio e considerado a grande revelação. O desafio, em seguida, era tentar devolver o clube à elite do futebol brasileiro. Conseguiu, com o vice-campeonato e oito gols marcados – e ainda assinados como “Roberto” nas tabelas de artilharia. Foi eleito mais uma vez a revelação do campeonato e arrumou as malas: havia sido vendido para a Alemanha.

Firmino

Roberto Firmino, do Hoffenheim

Um repórter do Guardian visitou Hoffenheim para fazer uma reportagem, quando o clube da vila com aproximadamente três mil habitantes surpreendeu a Alemanha com uma ótima campanha na sua temporada de estreia na Bundesliga, e a descreveu desta maneira: “Há um padeiro, um café, um par de bares, e, além das ruas silenciosas e casas de madeira bem cuidadas, a paisagem levemente geada de Baden-Württemberg (nome do estado onde fica a vila, no sudoeste do país)”. Graças ao dinheiro do bilionário da informática Dietmar Hopp, o Hoffenheim galgou degraus na pirâmide do futebol alemão e chegou à Bundesliga em 2008, apesar de uma população que não dá a média de público da segunda divisão brasileira (ano passado, quase cinco mil). Um novo estádio para 30 mil pessoas foi inaugurado no ano seguinte, na cidade de Sinsheim, da qual a vila de Hoffenheim faz parte. Total do município: 36 mil almas humanas consumindo oxigênio. Variação da temperatura em janeiro: de zero a cinco graus celsius. Foi onde Firmino desembarcou no começo de 2011.

Contratado por € 4 milhões, foi anunciado em 13 de dezembro, com uma nota no site oficial: “Hoffenheim arrebata jovem brasileiro Firmino”. E o texto continuava: “O Hoffenheim alistou os serviços do jovem talento brasileiro que atende pelo nome de Roberto Firmino, em sua primeira movimentação no mercado de inverno. Após uma avaliação médica bem-sucedida, o jogador de 19 anos assinou contrato de quatro anos e meio, até 20/06/2015 (…) Firmino receberá a camisa 22 para vestir como jogador do Hoffenheim e os detalhes da transferência ainda não foram divulgados”. O clube foi para a pausa de inverno em oitavo lugar, mas, em janeiro, perdeu o técnico Ralf Ragnick, um dos homens do futebol mais respeitados da Alemanha e no clube desde 2006. A venda de Luiz Gustavo para o Bayern de Munique sem consultá-lo foi considerada uma ofensa pelo comandante. O assistente Marco Pezzaiouli assumiu as rédeas. O elenco tinha nomes conhecidos, como Tom Starke, Gylfi Sigurdsson, um jovem Sebastian Rudy, Demba Ba e Ryan Babel, que também chegou em janeiro. Mas, com as vendas de Luiz Gustavo e Carlos Eduardo, ainda no começo da temporada, Firmino era o único brasileiro bem no meio do nada.

“Você encontra muitos jogadores de primeira qualidade no Brasil, mas eles conseguem se adaptar ao estilo de vida e o estilo de futebol da Inglaterra ou da Alemanha? ”, questionou o ex-goleiro Lutz Pfannenstiel, atual chefe de relações internacionais e de olheiros do Hoffenheim, ao jornal Independent. Quando Firmino chegou, Pfannenstiel trabalhava no clube há poucos meses e havia sido destacado para observar o brasileiro pessoalmente. “Ele era um papel em branco”, continua. “Ninguém realmente sabia muito sobre ele, mas os diretores achavam que ele poderia ser o que estávamos procurando. Ele não causou impacto em três dias. Chegou muito leve, mas trabalhou muito duro e internalizou muito da mentalidade alemã, fazendo trabalhos extras e sendo muito disciplinado. Ele era um cara agradável que se dava bem com todo mundo. Tinha um pequeno problema, como todos os brasileiros, no começo, com a língua, mas aprendeu bem rápido. Ele simplesmente parecia um desses caras que entende nosso jeito de jogar muito, muito rápido”.

Das praias quentes de Maceió à gélida Hoffenheim, Firmino precisou se adaptar a temperaturas muito baixas. Mal tinha completado 19 anos quando se mudou para a Alemanha e não sabia falar uma palavra da língua local. “Acredito que os quatro anos que vivi na Alemanha mudaram muito a minha mentalidade. Foi algo que me fez ficar mais duro. Recebi a oferta quando eu tinha 18 anos (faz aniversário em outubro). Eu estava no Brasil e não pensei duas vezes. Foi uma grande adaptação, a um novo país, comida, cultura, mas como não fui com soberba, consegui me adaptar”, contou, ao site do Liverpool. Não foi uma adaptação sem seus percalços. No seu primeiro ano, foi afastado por chegar atrasado aos treinamentos. Estreou pelo Hoffenheim em fevereiro, na 24ª rodada da Bundesliga de 2010/11. Faria apenas 11 jogos naquela temporada, mas a encerrou mostrando o que poderia fazer, com três gols em cinco rodadas.

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Firmino passou as duas temporadas seguintes aprendendo os macetes do futebol alemão e europeu, com presença constante na equipe. Marcou sete gols em cada campanha. No mercado de verão da temporada 2013/14, recebeu uma proposta do Lokomotiv Moscow, mas o Hoffenheim não quis saber de negócio. E fez muito bem. Aquele seria o momento de Firmino explodir. A goleada por 5 a 1 sobre o Hamburgo, na segunda rodada da Bundesliga, foi construída com dois gols e três assistências do brasileiro. “Acho que foi o meu melhor jogo da temporada”, brincou, segundo a Kicker. Aquele foi o início do campeonato que culminaria com a Copa do Mundo do Brasil, e Firmino, embora nunca tivesse sido convocado, ainda sonhava em ser lembrado por Felipão. “Se meu rendimento for consistente, é bem possível. Ainda tenho alguma esperança”, disse. Firmino atuou bastante pelos lados do campo em seus primeiros anos na Alemanha. Agora, mais centralizado como meia-ofensiva ou segundo atacante, conseguiu atingir todo o seu potencial. Terminou a temporada com 22 gols e 16 assistências em 37 partidas. O rendimento foi consistente. Mas a convocação não veio.

Firmino pelo menos foi poupado da vergonha do 7 a 1 e integrou o início do novo ciclo. Foi chamado por Dunga e estreou pela seleção brasileira em novembro de 2014, em amistoso com a Turquia. O primeiro gol saiu no jogo seguinte, contra a Áustria. A estreia como titular foi diante da França, em março. Conseguiu outro duplo-duplo, com 10 gols e 12 assistências pelo Hoffenheim e apareceu na lista da Copa América do Chile. Durante a competição, foi anunciado como a segunda contratação mais cara da história do Liverpool.

Bobby

A vida de Firmino no Liverpool foi revolucionada pela chegada de Klopp (Foto: Getty Images)

Entre os clubes europeus que acompanharam os primeiros passos de Firmino no futebol brasileiro, estava o Liverpool. Reportagem do site Joe, escrita por uma repórter que acompanha o clube de perto, conta que a ficha com as informações do atacante existe desde que ele passava do CRB para o Figueirense. Quando Firmino acertou com o Hoffenheim, o olheiro de futebol sul-americano dos Reds passou suas anotações para o responsável pela Alemanha. A observação continuou. Os prospectores de talento ficam impressionados com a energia, inteligência, eficiência, ética de trabalho e multi-funcionalidade do jogador. Mergulharam ainda mais, acompanhando treinamentos, e viram um atleta que “trabalhava duro sem a bola, defendia bem, sempre treinava com um sorriso no rosto e foi o primeiro a atender um grupo de fãs com deficiências pedindo uma foto”. Quando decidiu pagar £ 29 milhões para tirá-lo do Hoffenheim, valor inferior apenas à contratação bizarra de Andy Carroll do Newcastle, o Liverpool já sabia tudo que havia para saber sobre Roberto Firmino.

O Liverpool estava mais uma vez um caos. O dinheiro da venda de Luis Suárez foi mal investido, em uma série de jovens com potencial, alguns sem potencial, e em Mario Balotelli para substituir o uruguaio. A temporada em que o clube deveria construir em cima do vice-campeonato da Premier League e do retorno à Champions League foi um desastre, com eliminação na fase de grupos da competição europeia e o sexto lugar da liga inglesa. Brendan Rodgers balançou no cargo antes da pré-temporada e houve uma reformulação na comissão técnica. No mercado, além de Firmino, os Reds trouxeram James Milner, Nathaniel Clyne, Danny Ings e Christian Benteke, atacante com características diametralmente opostas às do brasileiro. Não estava muito claro o que Rodgers, com a palavra final em todas as contratações da sua passagem, e o comitê de transferências do Liverpool, responsável por vetar ou indicar os nomes, imaginavam para o time.

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Benteke foi a primeira escolha de Rodgers para o comando de ataque. Com o norte-irlandês, em seis rodadas da Premier League, apenas três como titular, Firmino atuou majoritariamente pela ponta-direita. Preso ao lado do campo, e ainda em adaptação a um futebol diferente, foi incapaz de mostrar o que poderia fazer. Não anotou nenhum gol nesses jogos, nem deu assistência, mal incomodou a defesa adversária e sofreu uma lesão nas costas no fim de setembro que o afastaria de três partidas do campeonato. A ansiosa torcida do Liverpool já estava desesperada. Traumatizada por uma quantidade vergonhosa de maus negócios realizados recentemente, acreditava que mais uma vez o clube havia investido no jogador errado, que Firmino entraria para o vasto clube de jogadores caros que deram errado em Anfield. Era motivo de piada inclusive entre os brasileiros que acompanhavam a seleção brasileira e a Premier League pela televisão e que não tinham desenvolvido laços afetivos com ele durante a breve passagem pelo Figueirense. Mas, então, depois de um empate por 1 a 1 com o Everton, os planetas se alinharam.

O Liverpool demitiu Brendan Rodgers e contratou Jürgen Klopp. “Foi um período curto com Rodgers. Eu o considero um grande treinador, mas não tive muita chance para jogar com ele. Quando os resultados não aparecem, é imperativo trocar treinadores”, disse Firmino. “Acho que Klopp tem a típica mentalidade alemã, com a qual estou acostumado por ter jogado quatro anos na Alemanha”. A chegada de Klopp foi uma boa notícia, além de se tratar de um treinador com bagagem no futebol alemão, como ele. O futebol dinâmico de Firmino era perfeito para o estilo de jogo preferido do treinador; e as ideias de Klopp eram perfeitas para potencializar as qualidades do brasileiro. A velocidade, de pernas e pensamento, a capacidade de se movimentar para abrir espaços, a qualidade para sair da área e armar o jogo e a incansável disposição para correr cada minuto da partida, com ou sem a bola, tornaram Firmino o atacante perfeito para o novo Liverpool intenso e ofensivo que começava a ser arquitetado por Klopp.

“Ninguém me perguntou sobre ele, mas eu o achava um dos melhores jogadores da Bundesliga, então, quando eu vi que o Liverpool o havia contratado, pensei: ‘Como o Liverpool fez isso?’. O clube não estava no seu melhor momento e outros poderiam ter pagado mais por ele, então imediatamente pensei: ‘Que boa contratação para eles’. Quando eu soube que estava vindo para cá, sabia que eu tinha um bom jogador, estava ansioso para trabalhar com ele”, contou Klopp. “Claro que ele é muito importante porque pode jogar nas três posições do nosso esquema e também tenho certeza que poderia jogar como camisa 8, como Wijnaldum, Coutinho e Can. Ele é diferente, mas pode jogar lá. Ele é um jogador muito importante, um jogador de conexão, um finalizador, um lutador, um defensor, o primeiro defensor, e isso é importante. Muitas coisas em que ele é bom são importantes para nós”.

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Benteke foi relegado à reserva, e Firmino pode atuar mais livre como principal atacante do Liverpool. Depois de um começo devagar (seu primeiro gol saiu na 13ª rodada da Premier League), os números começaram a melhorar, e ele terminou a temporada com 11 gols e 11 assistências. Fez uma grande partida no jogo de volta contra o Villarreal, que classificou o Liverpool à final da Liga Europa, e teve sete tentos em sete partidas da liga inglesa na virada do ano. “Desde que Klopp se tornou nosso comandante, essa tem sido minha nova posição. Antes disso, eu não jogava como centroavante, costumava ficar mais atrás dos atacantes, mas posso afirmar que, quanto mais jogo nessa posição, mais eu gosto. Eu me sinto extremamente confortável jogando dessa forma e quero seguir assim até o fim da minha carreira”, afirmou, ao site do Liverpool.

Firmino foi de novo importante na sua segunda temporada, com 12 gols e nove assistências em 41 partidas, mas a explosão veio na atual campanha. O plano de Klopp concretizou-se com a chegada de Mohamed Salah. Junto a Sadio Mané, o ataque passou a ter dois pontas muito rápidos, incisivos e com faro de gol para completar transições velozes. Firmino ajuda a fazer a ligação, ao lado de Coutinho enquanto o compatriota ainda estava no clube, e, contra defesas fechadas, recua à intermediária para auxiliar na armação. E quando a bola vai para os lados, entra na área para finalizar. E quando a bola está com adversário, corre, corre e corre sem parar. Sua dedicação começou a ser premiada com números exorbitantes e recordes. Em sua temporada de estreia na Champions League, foi o primeiro a igualar o recorde de gols em uma única edição com a camisa do Liverpool, que era de Roger Hunt e Steven Gerrard (sete). Ao lado de Salah, superou a marca no jogo de volta das quartas de final contra o Manchester City e ambos já dispararam, com dez. Roberto foi para a Europa e virou um atacante completo. Firmino foi para a Inglaterra e virou “Bobby”. E a torcida só dá apelidos carinhosos para aqueles que ela realmente ama.


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