O Tottenham venceu um jogo muito difícil com o Leicester em Wembley por 3 a 1, um placar que pode iludir quem olha unicamente para os números. Uma partida que teve muitas dificuldades para os mandantes, com uma atuação que não foi das melhores, mas foi eficiente. O oposto do seu adversário, que criou chances no ataque e desperdiçou, ao mesmo tempo que falhou defensivamente e deu a chance para os Spurs matarem o jogo.

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O primeiro gol do jogo saiu aos 33 minutos, em uma bola parada. Uma cobrança ensaiada, que Trippier tocou para trás, Eriksen cruzou e o zagueiro Davinson Sánchez cabeceou para marcar: 1 a 0. O Leicester era esforçado, mas altamente ineficiente. O técnico Claude Puel, muito questionado, deixou Jamie Vardy no banco e começou sem um centroavante típico. Não ajudou muito o time, que ficou sem uma força e referência, além de perder a velocidade de Grey pela ponta para enfiá-lo entre os zagueiros.

O segundo tempo foi muito mais movimentado que o primeiro. O Leicester tentou ser mais incisivo. Foi mais ofensivo, sem dúvidas. Aos 14 minutos, o árbitro marcou pênalti em Maddison. O jogador acabou derrubado dentro da área, embora tenha forçado um pouco. Com a bola na marca da cal, ele pegou a bola para cobrar. Vardy, que já estava pronto para entrar, já foi direto para a cobrança. E o camisa 9 chutou forte, mas o goleiro Hugo Lloris fez uma grande defesa. Não foi uma grande cobrança.

O destino foi cruel. Ricardo Pereira tentou sair jogando, chutou em cima do marcador, a bola sobrou no meio, Fernando Llorente tocou para Eriksen, que chutou de fora da área e marcou: 2 a 0. Cruelmente, os Foxes saíram da possibilidade de igualar o marcador minutos antes para uma desvantagem de dois gols em seguida.

Com Vardy em campo, ao menos o time passou a ser mais perigoso, ainda que desperdiçasse quase todos os seus ataques. Aos 20 minutos, Vardy serviu Maddison, que, frente a frente com o goleiro Lloris, chutou em cima do francês. O gol do Leicester veio do melhor jogador do time na partida: Youri Tielemans, contratação da janela de janeiro. Vestindo a camisa 21, foi titular e mostrou muita qualidade técnica para dar fluência ao time de Puel. E em uma invertida de bola para Ricardo Pereira, ele tabelou com Tielemans e cruzou rasteiro para Vardy completar para o gol: 2 a 1.

Jogo aberto? Em tese, sim. O problema é que o Leicester continuava em uma tarde de desperdício. Foram 19 chutes a gol no total na partida, com apenas oito deles acertando o alvo. Nove foram para fora e outros dois foram bloqueados. Vardy, mesmo entrando em campo só no segundo tempo, chutou a gol três vezes, foi perigoso e melhorou o time. Não pode ser reserva de modo algum. Harvey Barnes, por sua vez, fez um jogo sem brilho, não deu continuidade aos ataques e acabou substituído por Shinji Okazaki, quando o time precisava ser mais ofensivo.

Já nos acréscimos, a defesa do Leicester entregou o ouro. Atacando com quase todos os jogadores, inclusive o zagueiro Harry Maguire. O ataque foi cortado, Moussa Sissoko lançou Son Heung-Min, nas costas da defesa. O volante Ndidi, último jogador na linha defensiva do Leicester naquele momento, tentou o corte. Furou. A bola ficou oferecida a Son, na linha de meio-campo, para correr sem oposição. Avançou, avançou e finalizou para marcar: 3 a 1 para o Tottenham e jogo definido.

O Tottenham chega a 60 pontos em 26 jogos, a melhor campanha da história do clube a esta altura. Pode parecer difícil, mas os Spurs ainda estão de olho no título. Se Liverpool e Manchester City bobearem – e ambos jogam com o Tottenham ainda -, o time de Pochettino parece pronto a dar o bote. Mesmo sem Harry Kane, que só volta no fim de fevereiro. O Liverpool tem 65 pontos, pontuação que o Manchester City pode atingir se vencer o Chelsea. Cinco pontos é uma distância que pode ser alcançada, se os dois times à frente bobearem. Porque o Tottenham parece resiliente para brigar, mesmo perdendo seus jogadores.