O mundo dos games parou na semana retrasada para acompanhar aquele que é o evento mais importante do meio, uma Copa do Mundo, só que sem mata-mata, no universo dos jogos eletrônicos: a Electronic Entertainment Expo, mais conhecida como E3. O evento, que andou meio por baixo nos últimos anos, segue dando sinais de que quem é rei, nunca perde a majestade, e presenciou uma nova batalha acirrada pelo topo da indústria, com as muito faladas inovações tecnológicas de Sony e Microsoft e um surpreendente e relativo silêncio da poderosa Nintendo.

“Tá, mas e daí?”, pode pensar o fã de jogos de futebol. Daí que, evidentemente, a coluna discorrerá um pouco sobre a grande feira dos games, focando seu assunto nos softwares com a bola redonda, é claro. Principalmente porque foi o futebol que propiciou ao evento estadunidense o momento, talvez, que será um dos mais lembrados da E3 2009: a presença de ninguém menos que Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, na apresentação das novidades da desenvolvedora francesa Ubisoft, logo no primeiro dos três dias de atividades.

Pelé compareceu a convite dos franceses para divulgar o mais novo jogo da empresa: Academy of Champions, para Nintendo Wii, que tem como personagem principal o próprio Rei do Futebol. A apresentação — veja aqui — foi acompanhada de muitos gritos extasiados de fãs, tanto de jogos eletrônicos, como do desporto bretão. Afinal, evidenciava-se aí a força que os games possuem hoje, a ponto de terem se tornado, até para Pelé, uma ótima ferramenta de investimento de capital. E, claro, como é de praxe, algumas pérolas acabam sendo proferidas pelo Atleta do Século.

Primeiramente, ao falar da “importância” em se fazer uma parceria vencedora entre ele, Pelé, e o “desenho animado”, apontando para a tela onde imagens do game apareciam. Peraí, desenho animado? Forçou a barra, né? Embora, justiça seja feita, o visual seja mais próximo de um cartoon do que de um game de futebol comum, o que é motivado pelo estilo gráfico usual do Nintendo Wii, que não prima pela excepcional qualidade de imagem, mas pela diferente mecânica (ou jogabilidade). Até porque seu enredo é bastante diferente do que se vê em Pro Evolutions ou FIFAs da vida. Basicamente, em Academy of Champions, você é um garoto que está (literalmente) em uma academia de jogadores para aprimorar suas habilidades, tendo como professor o próprio Rei.

A segunda pérola foi quando Pelé disparou que estava feliz em ter participado do “joguinho”. Tá, pode não parecer lá muito ofensivo, mas certamente não cairia nada bem, fosse para a relação Pelé-games, fosse para a Ubisoft, que conseguiu levar o brasileiro para sua apresentação em Los Angeles. E nessa, assim como na primeira, Pelé e a empresa francesa foram realmente salvos pela tradutora, que não reproduziu ao pé da letra o discurso do brasileiro, consequentemente, evitando que “joguinho” e “desenho animado” chegassem aos ouvidos dos fanáticos americanos. Ia cair mal, entende?

E o game? No primeiro momento, pelo roteiro que tendia a tramar, parecia se assemelhar a Mario Tennis, de Game Boy Color, jogo em que você entra em uma academia de tenistas e para treinar, ganhar dos amigos para se tornar membro da equipe e jogar em outros mundos. Esse encaminhamento, aliás, é relativamente parecido com o de Real Madrid: The Game, para PSP. Nele, o usuário ganha a chance da vida para atuar no time merengue e precisa conciliar a vida profissional com a pessoal. Apesar disso, vale salientar, o game madrileno poderia não ter sido lançado, que não faria lá muita diferença, à bem da verdade.

Conforme se demonstrou, todavia, em Academy of Champions, você comanda alguns personagens jogáveis, dentre eles o próprio Pelé, e pode jogar em minigames diversos (formato que se tornou um dos carros chefes dessa fase atual da Nintendo). Com o passar do tempo, conquista pontos e recursos para deixar o time de sua academia mais forte, até fazê-la a grande campeã (sinceramente, este colunista acredita que talvez fosse mais interessante um ‘modo carreira’, mas tudo bem…). No mais, pode-se dizer que é um jogo com 75% de história e outros 25% efetivamente de futebol, voltado principalmente para o público infantil (o que explica a menor complexidade no roteiro do game).

O nome de Pelé é forte, e essa é a estratégia da Ubisoft para fazer o game se propagar. Ganha peso também, aí, o fato de os franceses terem estabelecido, não há muito tempo, uma sede para produção de games no Brasil. E, vale lembrar, como explicou Pablo Miyasawa em seu blog, durante a cobertura da E3, em entrevista com um dos produtores de Academy of Champions, a opção por Pelé e não por Maradona, por exemplo, se deu pelo histórico mais “limpo” do brasileiro em relação ao argentino. De fato, por ser um game infantil, pode-se concordar com o bom senso dos europeus…

Grandes

“Tudo bem, mas e os verdadeiros games de futebol? Cadê FIFA e Pro Evolution Soccer (PES)?”. Pois bem, é uma pergunta que esse colunista buscou responder durante os três dias de evento (acompanhados ao vivo via internet, sem um pingo de inveja dos colegas que lá estiveram, como Théo Azevedo e o próprio Miyasawa), e nas datas posteriores — e que segue sem lá muitas respostas. A expectativa era de que FIFA 2010 fosse mostrado em grande destaque, especialmente porque, antes da E3, a Konami se apressou para divulgar os primeiros detalhes de um promissor PES 2010. Tanto que o tradicional jogo da EA Sports foi apontado, antes da feira, como grande nome da apresentação. No entanto, os canadenses ficaram quietinhos acerca do software de futebol virtual.

Com isso, a tensão acerca do que ambos os jogos reservam aumentou. Os primeiros detalhes da franquia japonesa mostram uma nova fase do sistema Teamvision, agora na versão 2.0, que cuida da inteligência artificial (IA) dos atletas — embora este que vos escreve concorde com o jornalista de games Cláudio Prandoni, quando ele diz que se trata apenas de um nome dado a alguma coisa que todo mundo já conhece — no caso, a supracitada IA. O grande ponto positivo, todavia, aparenta ser o aumento do prazo da Master League, o que permitiria novas e diferentes negociações. Fiquemos alertas.

E o FIFA? Bom, segue a incógnita. Imagina-se, no primeiro momento, que a preferência do público estadunidense pelos títulos de futebol americano e beisebol tenham sido relevantes para a EA ter optado em dar maior ênfase aos seus outros jogos esportivos. Outra possibilidade? O mistério, grande mistério, que os produtores vêm fazendo. Um exemplo pôde ser notado na entrevista que David Rutter, produtor da EA Sports, concedeu à Eurogamer Portugal. Muitas das respostas se mostraram bastante evasivas quando dizendo a respeito das equipes que estarão no game, e principalmente o modo on-line. Ainda assim, o produtor revelou a (sempre) prometida reformulação na jogabilidade e nos dribles, novas opções para treinamento e maior realismo no Manager Mode. E agora? Por hora, é esperar, talvez, a Tokyo Game Show (TGS), no fim do ano.

Melhores

O jornal O Estado de S. Paulo, em seu caderno Link, na última segunda-feira (8), divulgou um ranking que foi publicado na 200ª edição da revista Eletronic Gaming Monthly (EGM) americana, com os 50 maiores jogos de todos os tempos, conforme especialistas do ramo. A lista, que é, de modo justíssimo, encabeçada por Super Mario Bros., de 1985, tem dois games futebolísticos nela citada: tratam-se de FIFA 96, em 35º lugar, em Winning Eleven, em 49º, sendo ambos de 1995. Os dois jogos serão, juntos, os temas da próxima coluna.

Vendagens

Poucas alterações em relação aos últimos números do Gamasutra aqui publicados, há quatro semanas. Para PCs, Football Manager 2009 encara a forte concorrência de The Sims 3, mas ainda mantém o segundo post. Vale, ainda, um destaque para uma grata surpresa: após mais de dois meses, Pro Evolution Soccer 2009 volta a figurar na lista, mais precisamente, na semana de 5 de junho. Confira os números abaixo.

Dados de 5 de junho (1ª semana)

Xbox 360 (Reino Unido)

1. Red Faction: Guerrilla (THQ), 2. UFC 2009 Undisputed (THQ), 3. Left 4 Dead (EA Games), 4. Grand Theft Auto IV (Rockstar), 5. FIFA 09 (EA Sports).

PlayStation 2 (Reino Unido)

1. FIFA 09 (EA Sports), 2. SingStar: Queen (SCEE), 3. Guitar Hero: Metallica (Activision), 4. SingStar: ABBA (SCEE), 5. Pro Evolution Soccer 2009 (Konami).

PC (Reino Unido)

1. The Sims 3 (EA Games), 2. Football Manager 2009 (Sega), 3. Call of Duty 4: Modern Warfare — Game of the Year Edition (Activision), 4. Empire: Total War (Sega), 5. The Sims 2: Double Deluxe (EA Games).

PSP (Reino Unido)

1. FIFA 09 (EA Sports), 2. Football Manager 2009 (Sega), 3. Tiger Woods PGA Tour 09 (EA Sports), 4. Metal Gear Solid: Portable Ops (Konami), 5. Lego Batman (Warner Bros.)

Dados de 12 de junho (2ª semana)

Xbox 360 (Reino Unido)

1. Prototype (Activision), 2. Red Faction: Guerrilla (THQ), 3. Call of Duty: World at War (Activision), 4. Gears of War 2 (Microsoft), 5. FIFA 09 (EA Sports).

PlayStation 2 (Reino Unido)

1. FIFA 09 (EA Sports), 2. Guitar Hero: Metallica (Activision), 3. SingStar: Queen (SCEE), 4. SingStar: ABBA (SCEE), 5. SingStar '80s (SCEE).

PC (Reino Unido)

1. The Sims 3 (EA Games), 2. Football Manager 2009 (Sega), 3. Prototype (Activision), 4. The Sims 2: Double Deluxe (EA Games), 5. Battle Forge (EA Games).

PlayStation Portable (Reino Unido)

1. FIFA 09 (EA Sports), 2. Tiger Woods PGA Tour 09 (EA Sports), 3. Resistance: Retribution (SCEA), 4. Ben 10: Alien Force (D3 Publisher), 5. Lego Batman (Warner Bros.)