Corinthians e Cruzeiro se enfrentam na decisão da Copa do Brasil exatos 20 anos depois de disputarem uma final nacional, o Brasileirão de 1998. E se aqueles três jogos nos finados tempos dos mata-matas suscitam uma memória imediata, há também um amplo histórico para ser relembrado nos confrontos válidos pela Copa do Brasil. Até esta edição, mineiros e paulistas se cruzaram cinco vezes no torneio, sempre pelas oitavas ou pelas quartas de final. Equilíbrio que prevalece, com três classificações celestes e duas alvinegras – uma para cada terminando em título ao final da campanha. Aproveitamos o momento para relembrar, com destaque a Dida, protagonista em três momentos distintos, pelos dois clubes. Confira:

Oitavas de final, 1991

Campeão brasileiro no ano anterior, o Corinthians confirmou o favoritismo no duelo. Não era o período mais prodigioso ao Cruzeiro, ainda em transição rumo à fase copeira que se consolidou nos anos seguintes. Naquela ocasião, porém, a Raposa não conseguiu competir com Neto. O camisa 10 simplesmente acabou com o primeiro jogo, encaminhando a classificação. A ida aconteceu em um Pacaembu esvaziado, após os confrontos entre policiais e torcedores no Corinthians x Flamengo pela Libertadores. Mas quem foi ao estádio pôde ver a melhor forma do meia. Ele abriu o placar com uma cobrança de falta fantástica, na gaveta de Paulo César. Heyder empatou de cabeça antes do intervalo, enquanto Márcio Bittencourt e Marco Antônio Boiadeiro deixaram os dois times com um a menos por trocarem provocações na segunda etapa. Foi quando Neto arrebentou. Anotou mais um gol de falta, outro em arrancada imparável e ainda mandou uma bola na trave, que não alterou o placar por 3 a 1. Na saída de campo, até o técnico cruzeirense Evaristo de Macedo se rendeu, dizendo que o adversário jogou “acima de suas próprias possibilidades”.

Já o reencontro aconteceu no Mineirão, com o Cruzeiro afundado na crise. Evaristo pediu demissão na véspera e havia uma grande incerteza sobre o clube. O duelo teve sua data alterada, para que os jogadores convocados à seleção brasileira não se ausentassem do duelo. E justamente Charles e Paulão, chamados por Falcão, criaram algumas das melhores chances da Raposa. O goleiro Ronaldo estava inspirado e contou com o travessão, que barrou uma cobrança de falta caprichosa de Adílson Batista. Aliás, não seria o dia do zagueiro. A partir de um cruzamento de Fabinho na esquerda, ele mandou a bola contra as próprias redes e determinou o placar de 1 a 0 ao Corinthians. Os alvinegros sucumbiram logo na fase seguinte do torneio, eliminados pelo Grêmio.

Quartas de final, 1996

Cinco anos depois, as fases dos clubes eram bastante distintas. O Cruzeiro se firmava como uma potência na Copa do Brasil, enquanto o Corinthians aparecia como o atual campeão, mas com uma equipe mais frágil. Algo que ficou evidente logo no jogo de ida, com um passeio celeste no Mineirão. A Raposa já era melhor desde o primeiro tempo, criando mais chances, apesar de uma cobrança de falta de Marcelinho Carioca na trave do camaronês William Andem. Antes do intervalo, Marcelinho Paulista foi expulso pelo segundo amarelo, enquanto Uéslei também deixou os mineiros com dez no início da etapa complementar. O que não impediu o massacre. Nonato abriu a contagem a partir de uma sobra na área. Célio Lúcio aumentou depois de um bate-rebate e o terceiro, em mais uma bola parada, veio com o desvio de Cleison. Por fim, Palhinha invadiu a área e fechou a contagem. Os corintianos teriam outro expulso, Bernardo, depois que o estrago já estava completo.

O Corinthians até lutou no reencontro dentro do Pacaembu, mas não teria forças para evitar a eliminação. O primeiro gol saiu aos 38, com Souza finalizando por baixo de Dida, já de volta à meta do Cruzeiro. O goleiro se redimiria pouco depois, evitando o segundo tento no mano a mano com Edmundo, e antes do intervalo Marcelo Ramos empatou, graças a uma jogadaça de Palhinha, que driblou dois antes de rolar na pequena área. Na volta do intervalo, os corintianos reforçaram o seu ataque, mas uma bomba de Roberto Gaúcho assegurou a virada. Seriam necessários seis gols dos anfitriões para reverter a situação. Marcelinho Carioca e Edmundo guardariam, mas Dida evitou uma diferença maior, pegando um pênalti do Pé de Anjo. Ao final, os 3 a 2 não serviram aos paulistas e o duelo terminou com três expulsões – Robson, Marcelinho e Vítor receberam o vermelho. Passo firme dos celestes, que terminariam com a taça naquele ano, ao derrotarem o Palmeiras na final.

Oitavas de final, 1998

Em um ano de grandes duelos entre os clubes, a rivalidade começou a se acirrar a partir de março, com os encontros pela Copa do Brasil. O Cruzeiro vinha como o atual campeão da Libertadores, mas encarava um Corinthians que se fortalecia com os altos investimentos em seu elenco. Ainda assim, a tarimba dos celestes pesou nas oitavas de final. O confronto foi decidido logo na ida, com a vitória por 3 a 1 no Mineirão. O Corinthians até assustou, com um gol fantástico de Marcelinho Carioca cobrando falta, na gaveta de Dida. A reação do Cruzeiro começou no fim do primeiro tempo. Bentinho empatou com oportunismo, após cruzamento de Gilberto, e Marcelo Dijan virou em uma cabeçada certeira. Já na segunda etapa, uma boa jogada de Elivélton rendeu o segundo tento de Bentinho. E poderia ser mais ao time de Levir Culpi, não fosse um pênalti negligenciado pela arbitragem, que Gamarra cometeu sobre Fábio Júnior.

Diante da vantagem, Cruzeiro pôde administrar melhor a situação no reencontro. O jogo de volta, no Pacaembu, foi aberto. O Corinthians partiu para cima e tentou pressionar, mesmo poupando alguns de seus titulares. O problema era passar por Dida, em uma daquelas suas atuações inspiradas. O goleiro tomou o primeiro gol aos 28 minutos, com Mirandinha completando o rebote de uma defesa milagrosa. Reação esfriada antes do intervalo, quando Rincón foi expulso. Em uma falta favorável aos paulistas, o meia Caio segurava a bola. Irritado com a cera dos visitantes, o colombiano deu um carrinho por trás do adversário e recebeu o vermelho. Por reclamar da decisão do árbitro, Wanderley Luxemburgo também precisou deixar o campo.

Com a vantagem numérica, a Raposa respondia e Nei também fazia boas intervenções. Mas o goleiro ficou vendido aos 12 minutos, quando Bentinho cruzou para Marcelo Ramos completar e decretar o empate por 1 a 1, que valeu a classificação. No fim da partida, ainda mais confusão, depois que seguranças corintianos tentaram invadir os vestiários do árbitro para agredi-lo e entraram em confronto com policiais militares. Depois de passarem por Vitória e Vasco, os mineiros perderiam a decisão diante do Palmeiras. E quem riu por último foi mesmo o Corinthians, com o triunfo sobre os celestes nas finais do Brasileirão de 1998.

Oitavas de final, 2002

Tempos de times fortes de ambos os lados, que renderam dois confrontos bastante movimentados. O primeiro sinal disso aconteceu na ida, dentro do Morumbi. O Cruzeiro começou melhor e, em lados invertidos desta vez, Edílson cabeceou para um milagre do agora corintiano Dida. O Corinthians responderia com Deivid mandando na trave e Sorín salvando em cima da linha. Contudo, o gás dos alvinegros foi maior. Deivid abriu a contagem com uma bonita cabeçada aos 33 e Ricardinho ampliou aos dez da segunda etapa, a partir de um cruzamento de Gil – ambos os lances, com impedimentos não assinalados pela arbitragem. Mas a Raposa não se entregou. O primeiro gol, aos 30, surge também a partir de um toque de mão de Joãozinho no ataque que o juiz não viu e, pior, assinalou escanteio. Na cobrança, Dida falhou e Edílson só cumprimentou. Por fim, a bobeira da defesa corintiana permitiu que Sorín buscasse o empate por 2 a 2 já aos 38.

Para conquistar a classificação, o Corinthians precisou reverter o cenário em pleno Mineirão. E foi um jogo bastante intenso. Durante o primeiro tempo, o Cruzeiro dominou as chances, mas não conseguiu marcar. Dida segurava o resultado. Já na segunda etapa, o time de Carlos Alberto Parreira voltou com outra postura. Fabrício anotou o primeiro aos 15, Kléber cruzou para Deivid ampliar aos 26 e Renato Abreu assinalou uma pintura, em bomba de fora da área aos 29. Neste momento, os cruzeirenses precisavam de quatro tentos. Anotaram dois, entre a cabeçada de Joãozinho e a bobeira de Fábio Luciano, que fez contra. A vitória por 3 a 2 botou os alvinegros nas quartas de final, superando Paraná e São Paulo antes de ficar com o troféu, em decisão disputada contra o Brasiliense.

Quartas de final, 2016

O encontro mais recente aconteceu há dois anos, quando Mano Menezes já treinava o Cruzeiro e Fábio Carille estava interinamente à frente do Corinthians. O primeiro jogo, na Arena Corinthians, teve um primeiro tempo aberto. Os alvinegros insistiam nas bolas alçadas, mas a melhor chance foi celeste, numa bomba de Willian Bigode que acertou a trave. Logo aos dois minutos da etapa complementar, em um lance brigado, os corintianos abriram a contagem com Léo desviando contra. Os paulistas capitalizariam o bom momento e ampliariam, em cabeçada de Romero. Todavia, as esperanças dos mineiros se reavivaram aos 32 minutos, a partir de uma reposição longa de Rafael. Ábila ganhou a bola após o erro de Balbuena e passou para Robinho descontar. A vitória por 2 a 1 dava a vantagem do empate ao Corinthians, mas o momento era instável, com a chegada de Oswaldo de Oliveira entre um compromisso e outro.

Dentro do Mineirão, o Cruzeiro mostrou quem mandava. Pressionando, abriu o placar aos 14 minutos, em cruzamento de Arrascaeta (que acabara de sair do banco, após contusão precoce de Rafinha) para Ábila arrematar. O Corinthians ainda empatou aos 35, em cabeçada de Rodriguinho. Na segunda etapa, no entanto, a Raposa sobrou. Guilherme até poderia ter feito o segundo alvinegro, mas desperdiçou com a meta aberta. Já aos 14, um pênalti permitiu que Ábila fizesse mais um. Logo depois de um milagre de Walter, Bruno Rodrigo marcou o terceiro aos 17. E se os paulistas tentavam pressionar, o espaço aos contragolpes era todo dos mineiros. O quarto nasceu em uma cobrança de falta ensaiada que Arrascaeta definiu. A quatro minutos do fim, Rildo descontou, mas o triunfo por 4 a 2 favoreceu os celestes. Naquele ano, cairiam nas semifinais, derrotados pelo Grêmio. Fica o tira-teima para 2018, na ocasião mais importante.