Jürgen Klopp ficou chocado quando descobriu que a torcida do Liverpool ainda não havia feito uma música para Roberto Firmino. Assim que o alemão ordenou, o problema foi resolvido e, para ser sincero, não foi gasto muito tempo na composição da letra. Ao som de “Si Señor”, canto da torcida do River Plate, diz que a Kop (tradicional arquibancada de Anfield) quer que todo mundo saiba que Firmino é o melhor do mundo e que, se lhe derem a bola, ele marcará. No Mundial de Clubes, a segunda parte foi verdade. O atacante brasileiro foi decisivo nas duas partidas e anotou todos os gols do clube no torneio.

O Liverpool não esteve no seu melhor no Catar. Não jogou muito bem nem na semifinal e nem na decisão, parecendo dosar a sua energia de acordo com o que o jogo pedia. Contra o Flamengo, estranhou ao abrir mão da sua característica pressão à saída de bola, atributo em que Firmino se destaca. Sobrou a ele, portanto, brilhar nas suas funções com a bola. E olha que começou o jogo desperdiçando uma chance claríssima que poderia ter mudado todo o panorama da partida.

Apareceu nas costas de Rodrigo Caio e ficou cara a cara com Diego Alves, mas, pressionado mandou por cima. O roteiro mais ou menos se repetiu no começo do segundo tempo. O passe de Henderson foi ótimo, e o brasileiro teve um lapso de brilhantismo para tirar o zagueiro do Flamengo com um chapeuzinho antes de emendar um chute de canhota para baixo. A bola quicou no chão e explodiu na trave. Se o primeiro gol perdido não foi muito perdoável, o segundo foi um pouco de azar na conclusão de uma jogada brilhante que tirou da cartola.

Quase no fim do tempo normal, Firmino quase decidiu o jogo com uma das suas especialidades. Deu um passe perfeito para Sadio Mané sair na cara do goleiro, mas o senegalês não conseguiu finalizar direito, no lance em que o árbitro chegou a marcar pênalti de Rafinha, mas acabou voltando atrás ao consultar o assistente de vídeo – e nem falta assinalou. Mas, para concretizar a profecia da música, ele precisava marcar.

E o fez. Projetou-se no espaço vazio, enquanto Mané segurava a bola. Tirou Rodrigo Caio e Diego Alves com um único toque e teve calma para fazer o único gol da final. Como havia feito, na semifinal, o gol que resolveu a partida antes da prorrogação contra o Monterrey, ao aparecer na hora certa para completar o cruzamento de Alexander-Arnold.

A Bola de Ouro do Mundial de Clubes foi para Mohamed Salah, uma decisão bem estranha. Porque, se fosse para premiar algum jogador do Liverpool (e seria perfeitamente razoável não o fazer), deveria tê-la dado para Firmino – e ele provavelmente marcaria de novo.