A Copa Libertadores começou com grandes duelos em sua primeira fase preliminar. Já nesta semana, a competição continental pega fogo de vez. Alguns antigos campeões entram no certame e confrontos mais pesados ocorrem na segunda etapa. Além disso, o torneio se enche de figurinhas carimbadas. Todos os clubes possuem os seus veteranos, para encontrar o caminho das pedras rumo aos grupos. Aproveitando a deixa, apresentamos 14 deles (um por cada clube estrangeiro nesta fase), sem deixar de mencionar os demais medalhões que povoam a disputa.

Pablo Guiñazú (Talleres)

Adversário do São Paulo, o Talleres não deixou de ser reforçar à Libertadores, em sua primeira participação no torneio continental desde 2002. O nome mais tarimbado a chegar em Córdoba foi Dayro Moreno, histórico atacante do Once Caldas que vinha marcando seus gols pelo Atlético Nacional. O elenco ainda conta com o goleiro Mauricio Caranta, o zagueiro Javier Gandolfi e o lateral Miguel Araujo – este, não tão veterano, mas presente na última Copa do Mundo com a seleção peruana. De qualquer forma, o dono do time é Pablo Horacio Guiñazú. O volante retornou ao Talleres para completar o sonho de defender o clube de coração. Não apenas conquistou o acesso à primeira divisão, como também foi eleito o melhor meio-campista do Campeonato Argentino e recolocou La T na Libertadores. Desejo mais que completo ao medalhão, que ainda almeja mais. Permanece como titular absoluto e até marcou um golaço recente no Torneio de Verão. O segredo? ‘Asado y fernet’, como declarou há quase um ano em entrevista ao Olé: “Sigo com o churrasco e também tomo algum ‘fernecito’, sou cordobês. O fernet é suavezinho, senão começam os problemas, mestre. Com dois ‘asaditos’ por semana não acontece nada, é carne. O churrasco sempre faz bem, junta os amigos, a família. Alimenta outra parte do ser humano”. Um gigante aos 40 anos.

Óscar Cardozo (Libertad)

O Libertad é uma lista interminável de ‘aqueles’. A começar pelo goleiro Martín Silva, aquele do Vasco. A defesa conta com Paulo da Silva, aquele interminável da seleção paraguaia, e Iván Piriz, aquele que “parou Neymar”. No meio, Macnelly Torres e Alexander Mejía, aqueles que conquistaram a Libertadores com o Atlético Nacional – isso pra não me alongar no currículo do armador. O meio tem Cristian Riveros, aquele ex-Grêmio, e Sergio Aquino, aquele que faz parte das campanhas históricas do Gumarelo na Libertadores. Mais à frente, Edgar Benítez, aquele presente na Copa de 2010. E dá até para mandar um aquele ao técnico, Leonel Álvarez, lenda da seleção colombiana. Mas ninguém supera Óscar Cardozo, AQUELE, com letras garrafais. O emblemático atacante da Albirroja voltou para Assunção em 2017 e faz a diferença aos alvinegros. Tanto é que, na Libertadores passada, brigou pela artilharia, ao anotar cinco gols em seis jogos. Irá se reencontrar com o Strongest, um dos adversários que maltratou no último ano.

Daniel Vaca (Strongest)

Uma era se encerrou em La Paz. Alejandro Chumacero já tinha deixado órfãos seus fãs, ao assinar com o Puebla em 2018. Já no final do ano, aconteceu a despedida de Pablo Escobar. O indefectível ‘Patrón del Gol’ se aposentou considerado por muitos como maior ídolo da história do Tigre, e em noite de gala, ao anotar quatro gols justamente no adeus – um jogo oficial, ressalte-se. Desta maneira, os aurinegros se veem cada vez mais distantes da geração marcante. A bandeira destes anos inesquecíveis agora é empunhada pelo goleiro Daniel Vaca. Aos 40 anos, permanece como titular na meta do Strongest. Entre Libertadores e Sul-Americana, já passou das 50 partidas em competições internacionais com o clube, no qual aportou em 2011.

Nicolás Freitas (Melgar)

A torcida do Internacional conhece bem Nico Freitas. O volante, também uruguaio, antecedeu o xará Nico López e passou pelo Beira-Rio em 2015, titular em quase metade dos jogos pelo Brasileirão. Aos 31 anos, possui uma carreira bastante rodada, com destaque às idas e vindas pelo Peñarol. Nas últimas temporadas, perambulou por equipes menores do Uruguai e chegou ao Melgar neste ano. Vai para a sua sétima participação na Libertadores. Tenta dar um pouco mais de tarimba internacional ao elenco que já conta com jogadores de Argentina, Colômbia, Equador, Paraguai e, claro, Peru.

Carlos Grossmüller (Danubio)

O adversário do Atlético Mineiro na Copa Libertadores é conhecido por seu excelente trabalho nas categorias de base. A lista de revelações do Danubio inclui Álvaro Recoba, Ruben Sosa, Edinson Cavani, Diego Forlán e Jose María Giménez. E que o elenco atual seja recheado de garotos, há também um prodígio que regressou a Montevidéu para o fim da carreira. Carlos Grossmüller participou dos títulos dos alvinegros no início da década e ganhou suas convocações à seleção principal, antes de virar andarilho da bola. Defendeu Schalke 04, Lecce e Peñarol, entre outros, até retornar a La Franja. Pois a classificação à Libertadores teve boa contribuição do meia de 35 anos, autor de oito gols no último Campeonato Uruguaio.

Hernán Barcos (Atlético Nacional)

O Atlético Nacional tenta reencontrar a sua identidade, após a conquista da Libertadores em 2016. Os Verdolagas passaram por várias mudanças desde então e raros são os remanescentes da conquista continental – como Daniel Bocanegra e Alexís Henríquez. E depois da decepção com diferentes técnicos, a exemplo de Juanma Lillo e Jorge Almirón, os paisas confiaram na experiência de Paulo Autuori. Após uma passagem ruim pelo Ludogorets, o bicampeão continental tenta mostrar em Medellín que ainda dá caldo. Para isso, também conta com reforços velhacos. Aldo Leao Ramírez e Vladimir Hernández foram contratações de outros verões. Agora a aposta recai sobre Hernán Barcos. Aos 34 anos, o argentino estava sem espaço no Cruzeiro e teve que buscar novos rumos. Ao menos a primeira impressão é boa, com um gol logo na estreia pelo Campeonato Colombiano.

Jean Beausejour (Universidad de Chile)

A Universidad de Chile, como outros clubes de seu país, possui em seu elenco os espólios de uma geração vitoriosa e envelhecida da seleção chilena. Jhonny Herrera segue na meta de La U, acompanhado por Jean Beausejour. O coringa segue dando sua contribuição ao time. Que a intensidade não seja a mesma de outros tempos, o meio-campista de 34 anos é uma peça importante no elenco e ganha suas convocações à Roja. Terá a companhia do argentino Matías Rodríguez no meio. Já ao ataque, destaque às novidades: o panamenho Gabriel Torres, que disputou a última Copa do Mundo, e o chileno Ángelo Henríquez, que estourou nos tempos de Sampaoli, passando até mesmo pelo Manchester United, mas volta para casa ante as frustrações na carreira.

Luis Jiménez (Palestino)

Luis Jiménez viveu grande parte de sua trajetória na Itália. Vestiu a camisa de grandes clubes do país, incluindo Fiorentina, Parma e Lazio. Sua passagem mais lembrada aconteceu na Internazionale. Não foi exatamente bem em Milão, embora sempre saísse do banco na época do pentacampeonato dos nerazzurri. Nos últimos anos, rodou por Emirados Árabes Unidos e Catar. Seguiu na conexão com o Oriente Médio, retornando ao Palestino para o final da carreira. Aos 34 anos, anotou o gol do título na Copa Chile. Depois de disputar a Champions League e também a Champions Asiática, vai para sua primeira Libertadores.

Sebastián Pérez (Barcelona de Guayaquil)

Diferentemente da maioria dos nomes citados nesta lista, Sebastián Pérez está longe de alcançar os 30 anos de idade. Mas não se nega a experiência do meio-campista, aos 25. Um dos protagonistas nos sucessos recentes do Atlético Nacional, deixou Medellín cortejado por vários clubes. Acumulando lesões, não rendeu no Boca Juniors e no Pachuca, baixando o patamar rumo a Guayaquil. Talento não falta a quem foi nome constante na seleção colombiana, mas as interrogações pairam. Outro jovem tarimbado no clube é o atacante Fidel Martínez, de ampla rodagem no México e que estava no Peñarol. Entre os figurões da casa, menções a Damián Díaz e Maximo Banguera.

Geovany Nazareno (Delfín)

Clube de ascensão recente e realidade modesta, o Delfín confia na projeção de jovens jogadores. O que não evita a presença de seus medalhões. A grande referência do elenco é o zagueiro Geovanny Nazareno, que já disputou Libertadores por Barcelona e Emelec. O veterano de 31 anos até mesmo jogou a Copa América com a seleção equatoriana, em 2011. Deste 2017 atua pelo Delfín, contribuindo ao crescimento dos Golfinhos.

Germán Cano (Independiente Medellín)

O maior símbolo do Independiente Medellín é David González. O goleiro de 36 anos viveu as conquistas do DIM no início do século e retornou ao clube para ser campeão novamente, após jogar na Europa por seis anos – com direito a passagens por Manchester City, Brighton e Aberdeen. Mas apesar da influência do arqueiro, convocado pela seleção colombiana no último ciclo, Germán Cano se torna um nome inescapável. O atacante de 31 anos já defendeu diversos clubes, incluindo Lanús, Nacional de Assunção, Chacarita Juniors, Pachuca e León.  Mas sua verdadeira casa é o Atanásio Girardot. Já tinha feito sucesso em sua primeira passagem, artilheiro do Finalización em 2012 e 2014, liderando em ambos os títulos do Rojo. Já em sua volta ao clube, a partir de 2018, foi goleador tanto do Apertura quanto do Finalización, quebrando o recorde de gols nos torneios curtos do Colombiano. Com a faixa no peito mais uma vez, aos 31 anos, merece ser observado. Já anotou três gols nas três primeiras rodadas do Apertura 2019.

Alain Baroja (Caracas)

Alain Baroja despontou no Caracas durante o início da década e disputou diferentes edições da Libertadores. Chegou à seleção venezuelana e, além das Eliminatórias, foi o titular da Vinotinto na Copa América de 2015. Aventurou-se pelo AEK Atenas e disputou uma edição do Campeonato Grego, antes de voltar à América do Sul. Defendeu Caracas, Sud América, Monagas e Carabobo, com mais algumas competições continentais do currículo. Aos 29 anos, retorna à capital de seu país pela segunda vez.

Álvaro González (Defensor)

Em um passado não muito distante, Álvaro González foi um dos esteios de Óscar Tabárez na seleção do Uruguai. O volante era titular na conquista da Copa América de 2011, assim como na Copa do Mundo de 2014. O jogador da Lazio, porém, entrou em declínio e deixou as listas da Celeste. Passou por Torino e Atlas, antes de retornar ao Nacional em 2017. Já neste ano, reforçou o Defensor, onde começou a carreira. O meio-campista atuou nas duas partidas da primeira fase da competição continental. Tem ainda a companhia de Nicolás Correa e Álvaro Navarro, outros dois acima dos 34, que conduzem uma garotada quase toda abaixo dos 25.

César González (Deportivo de La Guaíra)

O Deportivo La Guaíra já começou a escrever uma das histórias mais surpreendentes nesta Copa Libertadores. E a classificação sobre o Real Garcilaso não contou com o nome mais conhecido de seu elenco. César González possui 59 jogos pela seleção venezuelana. Disputou três edições da Copa América. Além disso, fez parte de uma notável equipe do Caracas na década passada, além de rodar por Deportivo Cali, Huracán, River Plate e Deportivo Táchira, entre outros. Após uma passagem pelo Coritiba em 2016, mudou-se a La Guaíra e lidera a eclosão de sua equipe, estreante na competição continental. Aos 36 anos, continua rendendo no Campeonato Venezuelano.