O “novo” (já nem tão novo assim) regulamento da Copa do Brasil está longe de ser uma unanimidade. A vantagem do empate aos visitantes nesta primeira fase permite que muitos times favoritos joguem com as regras sob os braços. Não à toa, teve muita gente graúda se aliviando com a igualdade no placar, a exemplo do Vasco e do Corinthians. Apenas dez mandantes conseguiram confirmar a classificação rumo à próxima etapa, conquistando as necessárias vitórias. E a semana, afinal, guardou boas surpresas. Foram dias de redenção a veteranos e noites históricas pelo Lado B de Brasil.

O resultado mais impactante foi o conquistado pela URT. O time de Patos de Minas é o lanterna do Campeonato Mineiro, com apenas dois pontos em cinco rodadas. Tinha um compromisso suficientemente difícil, ao receber o Coritiba no Estádio Zama Maciel. E, por mais que os anfitriões tenham ficado em vantagem por duas vezes, em ambas os paranaenses acabaram arrancando o empate. Só não reagiram quando, aos 23 do segundo tempo, Gladstone surgiu como herói e determinou a vitória por 3 a 2. Sim, o rodado zagueiro está na URT, depois de uma carreira que inclui passagens mais lembradas por Palmeiras e Cruzeiro, mas até uma obscura estadia na Juventus. Detalhe é que os três gols do Trovão Azul nasceram em bolas paradas. Eleito o melhor em campo, Gladstone recebeu R$100 como prêmio de uma rádio local.

Se a URT guardou a principal história da quinta-feira, as emoções foram maiores no dia anterior. O Moto Club cometeu o crime contra o Vitória, anotando 2 a 0 no Castelão. O herói do Papão do Norte foi Gleissinho, que já tinha aprontado no clássico contra o Sampaio Correa durante o final de semana. Desta vez, ele saiu do banco para anotar o primeiro gol contra os baianos e ainda sofreu o pênalti que ocasionou o segundo, convertido por Juninho Arcanjo. Detalhe é que o jogador de 26 anos havia sido contratado como lateral direito, mas anda causando estrago como meia. O Bragantino do Pará, por sua vez, deixou pelo caminho o Asa de Arapiraca. No início do segundo tempo, Rafinha selou o triunfo por 1 a 0. E o Remo não resistiu ao Serra, superado em sua visita ao Espírito Santo. Rael assinalou o 1 a 0 para os capixabas. Pela primeira vez em 24 anos (!) um time do ES superou a etapa inicial da Copa do Brasil.

Mas nada pode ser comparado ao baile que o Tombense deu no Sport: 3 a 0 para os mineiros, sem contestação. A noite guardou o show de seu camisa 10, o tarimbado Juan – antigo lateral esquerdo do Flamengo, do São Paulo e até do Arsenal, entre outros clubes. Aos 36 anos, o medalhão demonstrou sua qualidade na nova função como armador. Abriu o placar num chute rasteiro durante a etapa inicial e ainda participou diretamente nos outros dois gols, de Denilson e Marquinhos, fechando o caixão dos pernambucanos na segunda etapa. Cabe dizer, no entanto, que Magrão contribuiu ao falhar duas vezes. Nada que tire os méritos dos alvirrubros, ocupando atualmente a sétima colocação no Campeonato Mineiro.

Não menos experiente, o técnico Ricardo Drubscky rasgou elogios ao seu destaque. “Fica suspeito eu dizer. Perante os jogadores tenho elogiado a postura dele. É o craque do tamanho que o Tombense precisava. Ele abraçou a causa. Está aqui, fala, chama atenção dos garotos, não quer sair do treino. Hoje eu fiquei perguntando se ele queria sair, ele pediu: ‘Me deixa’. Quer viajar todas, quer jogar todas. Agradeço por ele estar aqui”, declarou, durante coletiva de imprensa.

E o mais curioso é que tanto bugrinos quanto pontepretanos sucumbiram precocemente. Os dois rivais encerraram cedo suas caminhadas na Copa do Brasil. A Ponte Preta foi a primeira a cair, na terça-feira. Melhor para a Aparecidense, que já tinha causado furdunço ao despachar o Botafogo na edição passada. O interminável Nonato segue encabeçando o ataque dos goianos, mas desta vez quem resolveu a parada foi Uenderson, no gol que determinou a vitória por 1 a 0. O tento mais comentado da noite, de qualquer maneira, não valeu. Aos 44 do segundo tempo, a Macaca empatou com Hugo Cabral, mas o lance foi anulado pela arbitragem. Os campineiros ameaçam acionar o STJD, alegando interferência externa na decisão do juiz. A CBF promete apurar.

O grito derradeiro que ninguém tirou foi do Avenida. O clube de Santa Cruz do Sul vinha de uma péssima semana, ao ser goleado pelo Grêmio por 6 a 0. Conseguiram tirar forças para encarar o Guarani e eliminar os paulistas com o triunfo por 1 a 0. O gol saiu a partir de uma bola recuperada aos 45 minutos, em que Welder cruzou para Flávio Torres fuzilar de cabeça. O tento provocou uma efusiva comemoração no Estádio dos Eucaliptos. E o detalhe é que Flávio havia perdido o tio no mesmo dia, tendo um claro motivo para dedicar o lance memorável. Após a partida, o técnico Fabiano Daitx se emocionou: “Quando perdemos o jogo na Arena, agradeci pelo fato de termos saúde, pelo fato de ter tudo o que tive. Pedi a Deus para ter força para levantar no outro dia e tentar reverter, por tudo o que fizemos aqui no clube. Sei que todo empenho e dedicação de todos que fazem o futebol do Avenida seria pisoteado se não tivéssemos um grande resultado hoje”.

Na semana anterior, outros quatro anfitriões haviam avançado: Foz do Iguaçu (1×0 no Boa Esporte), Santa Cruz de Natal (1×0 no Tupi), Atlético Cearense (2×0 no Joinville) e Mixto (1×0 no CSA). Já na segunda fase, destaque ao clássico entre Santa Cruz x Náutico, marcado para o Arruda. Vale lembrar que nesta segunda etapa, em caso de empate, os anfitriões ao menos têm o direito de irem aos pênaltis.