Giuseppe Rossi, aos 49 minutos do segundo tempo da partida contra os Estados Unidos, dia 15 de junho, pela primeira rodada da Copa das Confederações. Este foi o último gol de um jogador italiano pela seleção. Desde então, seguiram-se as derrotas para Egito (1 a 0) e Brasil (3 a 0), encerrando a pífia participação da Azzurra no torneio na África do Sul. Mês passado, em amistoso, mais uma vez a equipe passou em branco: 0 a 0 contra a Suíça.

Para derrotar a Geórgia por 2 a 0 no último sábado, em Tbilisi, pelas Eliminatórias da Copa, a Itália precisou de dois gols contra de um velho conhecido da Serie A: o milanista Kakha Kaladze. E se não fosse pela infelicidade de Kaladze, possivelmente o time de Marcello Lippi teria amargado um empate – ou até perdido, já que o melhor azzurro em campo foi Gianluigi Buffon, autor de uma defesa espetacular na cabeçada de Dvalishvili dentro da pequena área, com o placar ainda sem gols.

O único motivo para comemoração é a defesa da liderança do grupo, mas a vitória da Irlanda sobre o Chipre mantém a Itália sem margem de erro: será preciso vencer a Bulgária nesta quarta-feira, em Turim, para impedir que o jogo contra os irlandeses em Dublin, mês que vem, se transforme em um confronto direto pela classificação direta.

Na formação inicial, Lippi mostrou ter abandonado de vez o 4-3-3 testado e reprovado na Copa das Confederações, optando em um 4-4-2 mais equilibrado no papel. O meio-campo começou com Palombo (no lugar do suspenso De Rossi) e Pirlo no centro, Marchionni e Camoranesi nas alas. Na prática, enquanto Marchionni buscava as jogadas de ataque pela direita, Camoranesi centralizava o jogo, procurando abrir espaços para os avanços de Criscito pela esquerda.

Nada disso funcionou no primeiro tempo, que certamente não entrará para a história do futebol. A Itália conseguiu a proeza de não acertar uma finalização na direção do gol adversário. A bola pouco chegou a Iaquinta e Rossi na frente, e deve-se dizer que, se o juventino ainda buscou o jogo, o ítalo-americano se omitiu. Os georgianos deram ainda a impressão de estarem mais inteiros fisicamente. E ainda assim, Lippi permaneceu inerte, sem modificar a equipe no intervalo.

O momento crucial da partida foi a defesa salvadora de Buffon, aos 10 minutos do segundo tempo. Porque logo em seguida veio o primeiro gol contra de Kaladze, em um disparo aparentemente inofensivo de Palombo. O rossonero não se deu por satisfeito e ainda empurrou para as próprias redes um cruzamento de Criscito da esquerda.

Que a Itália sempre teve a defesa como ponto forte e base do seu futebol não é novidade para ninguém. Mas sempre houve saídas para desafogar o jogo e agredir o adversário, algo que a atual equipe não tem. Falta um fora-de-série, um jogador como foi Baggio ou, para citar dois veteranos em atividade, Totti e Del Piero. Em 2006, Totti estava lá, e havia no meio-campo um Pirlo inspirado – bem diferente do Pirlo cansado e burocrático de hoje.

Buffon parece ter recuperado sua melhor forma e alcançado o nível de três anos atrás. Mas é o único dos campeões mundiais a fazê-lo. A dupla Cannavaro-Chiellini deve se beneficiar do entrosamento na Juventus e foi bem em Tbilisi, mas contra adversários de pouco nível. Ainda está na memória o desastre defensivo na Copa das Confederações, sobretudo contra o Brasil.

Qual a solução, então? Lippi já se mostrou avesso a renovar radicalmente o grupo e parece irredutível na questão Cassano – que é simplesmente o melhor jogador italiano em atividade, mas segue ignorado pelo técnico por questões pessoais.

A provável escalação para o jogo contra a Bulgária, com as entradas de Marchisio e Grosso, sugere que o treinador apostará na base da Juventus. São sete bianconeri na formação, podendo chegar a oito com a probabilidade de Amauri, que será italiano para todos os efeitos no fim de outubro, se juntar ao grupo para o Mundial.

Não seria novidade na história da Azzurra, que foi campeã em 1982 com seis jogadores da Juve entre os titulares, e vice em 1994 utilizando sete jogadores do Milan ao longo da campanha. Mas, neste caso, soa como medida desesperada – e vale lembrar que a Juventus tem um Diego e um Felipe Melo a mais.

Antes do título de 2006, a Itália também não se classificou com brilhantismo, mas deu razões para confiança com bom futebol e vitórias convincentes em amistosos contra seleções fortes como Holanda e Alemanha.

Não há dúvidas de que Lippi tem capacidade e conhecimento tático para armar um time bem montado na defesa para a Copa do Mundo. Mas também é necessário um mínimo de jogo, e é algo que a seleção italiana hoje não tem para mostrar.