O Barcelona é hoje a maior referência do mais alto nível do futebol, seja por Messi, Guardiola ou La Masia. E dois times cariocas contam no comando do meio-campo com jogadores que estiveram por lá há pouco tempo. São Ronaldinho Gaúcho, no Flamengo, e Deco, no Fluminense. Foram felizes e tiveram sucesso na Catalunha, e agora vivem situações diferentes no Brasil. Enquanto o primeiro foi pivô de crise com o ex-técnico Vanderlei Luxemburgo, esteve com um pé fora do clube por não receber e já se acostumou com vaias, o segundo vive a melhor fase desde que voltou ao Brasil.

Donos dos maiores salários do futebol brasileiro (de acordo com pesquisa do Football Finance), os dois já participaram de Copas do Mundo e já levaram o título da Liga dos Campeões. Ronaldinho venceu o Mundial de 2002 com o Brasil, e esteve no  seguinte, já Deco disputou 2006 e 2010 por Portugal. Eles foram campeões europeus com o Barcelona em 2006, título que o Deco já havia conquistado com o Porto em 2004.

Talvez por sua idade, Deco tem 34 anos, três a mais do que o camisa 10 do Flamengo, o meia tricolor não era visto como imprescindível por boa parte da torcida do Fluminense no início do ano. Apesar dos populares chapéus, que sempre tem distribuído desde que voltou para o Brasil no segundo semestre de 2010, uma série de contusões deixava uma interrogação na cabeça da torcida. Na atual temporada, as dúvidas estão sendo respondidas em campo, com ótima leitura de jogo, distribuição precisa e, ao menos por enquanto, saúde para executar tudo isso.

Londe de ser um goleador, Deco marcou nas duas partidas mais importantes do ano, nas vitórias sobre o Vasco, na final da Taça Guanabara, e contra o Boca Juniors, na Bombonera, pela Libertadores. No Rio desde o primeiro semestre de 2011, Ronaldinho precisou de 12 jogos para marcar seu primeiro gol em um clássico carioca. E saiu de pênalti num Fla-Flu esvaziado em que apareceu mais pela justa expulsão ainda no primeiro tempo do que pelo futebol.

Ronaldinho não é nenhum pereba, consegue fazer uma bonita tabela como a que resultou no gol de Vágner Love contra o Emelec, mas está muito aquém do que era – e ainda é – esperado. Debate sobre custo-benefício à parte, Deco tem mostrado que ainda tem futebol para apresentar. Mostra também que não é necessário voltar a ser o mesmo jogador dos tempos de Barcelona ou ter uma sequência enorme de atuações espetaculares para ser decisivo e festejado no futebol brasileiro. Agora é com Ronaldinho.