As imagens da comemoração do Ajax após a conquista do título holandês rodaram o mundo. O discurso de Matthijs de Ligt é fantástico e parece hipnotizar a multidão. No entanto, outro instante singelo também merece sua devida reverência. Diferentemente de outros clubes pelo planeta, os Godenzonen demonstram a responsabilidade com os seus. A agremiação assumiu o erro de seus médicos nos procedimentos realizados depois da parada cardíaca sofrida por Abdelhak Nouri. Apesar de alguns atritos iniciais, a assistência oferecida aos familiares vem sendo contínua e os reaproximou da equipe. E os alvirrubros despejaram um pouco de seu carinho sobre o pai e o irmão de Appie, durante a celebração.

A família de Nouri voltou a frequentar as arquibancadas há algumas semanas, comparecendo à final da Copa da Holanda e ao jogo contra o Tottenham na Champions League. Na partida que valeu a conquista da Eredivisie, várias foram as referências feitas pelo Ajax a Nouri – que escolheu o 34 para ser o número de sua camisa justamente por ambicionar o 34° título nacional. Já nesta quinta, os familiares foram convidados de honra. Subiram ao palco e ouviram o nome do meio-campista ser gritado por mais de 100 mil. O pai de Appie, Mohammed, recebeu a Salva de Prata das mãos de De Ligt e não escondeu a emoção, agradecendo todo o apoio dos torcedores.

“O sonho do meu filho se tornou realidade. Somos o Ajax, somos os melhores”, declarou Mohammed Nouri. Enquanto isso, a multidão gritava: “Nouri, nós te amamos”. O meio-campista era tratado como um dos jogadores mais promissores da base e fez sua estreia entre os profissionais em 2016. Já na pré-temporada rumo a 2017/18, uma parada cardíaca sofrida durante um amistoso interrompeu sua trajetória. A casa da família se tornou ponto de peregrinação dos torcedores, dispostos a apoiá-los, assim como as manifestações nas arquibancadas da Johan Cruyff Arena são cotidianas. A fatalidade com Appie também aumentou o público nos jogos da base.

Nouri permanece em estado vegetativo, sem apresentar grandes evoluções em seu quadro. A falta de sangue no cérebro causada pela parada cardíaca afetou as interações mais básicas, embora ele dê sinais de consciência. Internado em uma casa de repouso, quase dois anos após o incidente, o jovem de 22 anos retornará à residência de sua família durante o próximo verão. Continua recebendo o auxílio do Ajax e o calor de uma multidão de torcedores. Nunca será esquecido.