O Mundial Sub-17 de 2019 vem rendendo um grande número de partidas emocionantes. Ainda assim, nenhum outro jogo do torneio supera a insanidade que se viveu no Bezerrão nesta quinta, onde Brasil e França se encaravam por uma vaga na final. Mesmo na casa dos adversários, os Bleus eram favoritos. Vinham de uma ótima campanha e abriram dois gols de vantagem logo nos primeiros minutos. No entanto, os brasileiros foram valentes. Não desistiram e reagiram no segundo tempo, com uma vitória arrancada na raça. Os três gols vieram na meia hora final e, a dois minutos do fim, Lázaro definiu o triunfo por 3 a 2. Heroico.

Foi um resultado gigantesco à Canarinho por todas as circunstâncias, e certamente marcará a trajetória desses garotos. A quem sequer havia conquistado a vaga ao Mundial através do Sul-Americano Sub-17, e ganhou a classificação de lambuja após a mudança da sede do torneio, o Brasil poderá buscar o tetra na categoria. A final contra o México acontecerá no próximo domingo, às 19h, dentro do Bezerrão.

Aos brasileiros mais supersticiosos, disputar uma semifinal de Copa do Mundo dentro do país não era bom presságio, mesmo no sub-17. E após golear a Espanha por 6 a 1 nas quartas de final, a França precisou de poucos minutos para desenhar outro passeio. Os gols dos Bleus foram instantâneos. Aos sete, o craque do time Adil Aouchiche deu um passe sensacional para Arnaud Kalimuendo-Muinga inaugurar o marcador. Já aos 12, Nathanaël Mbuku ampliou. Golaço do atacante, que começou aplicando um chapéu no marcador, tabelou com o companheiro e passou no meio de dois adversários, antes de bater por baixo do goleiro Matheus Donelli.

A França mandava no meio-campo, enquanto o Brasil parecia nas cordas. A seleção brasileira tinha dificuldades nas transições e ficava travada, sem superar as compactas linhas defensivas dos franceses. O nervosismo também pesava contra. Para atrapalhar ainda mais, os brasileiros tiveram um pênalti negado pelo VAR aos 46. O lance sobre Yan parecia claro e o árbitro apitou com convicção, mas o auxiliar de vídeo orientou a revisão e o juiz de campo voltou atrás após consultar o monitor, em decisão bastante contestável.

O Brasil retornou com outra atitude para o segundo tempo. Era uma partida aberta e os brasileiros agrediam bem mais. Após algumas boas chances, não demoraram a descontar. Aos 16, a defesa francesa não conseguiu afastar um escanteio e Henri cabeceou para Kaio Jorge escorar na pequena área. O time de Guilherme Dalla Déa mostrava mais energia, enquanto a França se acuou para segurar o resultado. Os Bleus entravam forte e começaram a acumular cartões amarelos, ao passo que também davam sinais do desgaste físico. O empate sairia aos 30. Daniel Cabral arrancou com tudo pela esquerda e se esforçou para cruzar quando a bola chegava à linha de fundo. A zaga bobeou e Yan chutou para defesa do goleiro. Na sobra, Gabriel Veron fuzilou. Prêmio ao bom camisa 7, um dos destaques da campanha.

A França acordou depois disso. Isaac Lihadji perderia um gol inacreditável em seguida, na pequena área e com a meta aberta, triscando a trave. Já aos 42, os franceses teriam um gol anulado. Após bola levantada na área, Chrislain Matsima completou, mas estava realmente impedido. E não seriam esses lances que abalariam o Brasil. O time não lutou tanto para morrer na praia. O gol decisivo aconteceu no lance seguinte, aos 43. Matheus deu o chutão para frente e a bola chegou a Lázaro, na entrada da área. O meia gingou para cima da marcação e bateu no canto do goleiro, marcando um gol apoteótico. O gol da classificação.

O Brasil vai à sua sexta final de Mundial Sub-17. Tentará o quarto título. Curiosamente, a última decisão do país aconteceu em 2005, contra o México – o adversário desta vez, que saiu campeão há 14 anos. Os mexicanos disputarão sua quarta decisão, com dois títulos anteriores. Também nesta quinta, El Tri eliminou a Holanda na outra semifinal. Após o empate por 1 a 1, conquistaram a vaga nos pênaltis – com o goleiro Eduardo García se redimindo de sua falha no tempo normal. Emoção não deve faltar no encontro de domingo. E os brasileiros crescem depois de tamanho épico diante dos franceses. Os anfitriões mostraram seu caráter, contra um adversário mais forte, para buscar uma virada inesquecível.