A pressão sobre o Manchester City, ao menos na Liga dos Campeões, é evidente. O clube estreou com uma retumbante derrota dentro de casa contra o Lyon e precisava se recuperar. O compromisso não era dos mais tragáveis, visitando o Hoffenheim na Rhein-Neckar Arena. E a resposta do time foi positiva, mesmo que a vitória tenha vindo apenas nos minutos finais. David Silva se tornou o salvador da equipe de Pep Guardiola. Teve sua participação no tento que abriu o placar e arrancou a vitória já aos 41 do segundo tempo. Um pouco mais de tranquilidade para a sequência da competição continental, em uma chave de concorrentes com bom nível, mas na qual os ingleses têm totais condições (e obrigações) de dominar.

O Manchester City entrou em campo com uma equipe mais leve. No ataque, Sergio Agüero tinha a companhia de Raheem Sterling e Leroy Sané, enquanto David Silva e Ilkay Gündogan se encarregavam do apoio. Enquanto isso, o Hoffenheim confiava principalmente no trio de frente, composto por Joelinton, Ishak Belfodil e Ádám Szalai. Pois o começo avassalador dos alemães seria determinante. O passe de Kerim Demirbay encontrou um rombo na linha defensiva dos Citizens e Belfodil saiu de cara para o gol, sem perdoar Ederson. E enquanto os visitantes estavam atordoados, por pouco o segundo não saiu na sequência. Os celestes teriam que se empenhar para buscar a virada.

Ao menos não demoraria para o City arrancar o empate. Aos oito minutos, David Silva fez a parte mais importante da jogada. Girou no meio e deu uma enfiada de bola precisa a Sané, explorando as costas da defesa pela esquerda. O goleiro Oliver Baumann tentou fechar o ângulo e o ponta rolou para Agüero no meio. O centroavante estava pressionado e conseguiu ganhar a disputa pela bola, antes de estufar as redes vazias. Os Citizens movimentavam bem a bola no campo de ataque, mas não apresentavam tanta criatividade no passe final. Quando achavam os espaços, Baumann crescia. O goleiro faria uma defesaça aos 34 minutos, em chute colocado de Agüero, voando para espalmar. O argentino, aliás, era o mais ativo em sua equipe e voltou a assustar antes do intervalo, em arremate perigoso para fora.

O Hoffenheim mantinha o resguardo no campo defensivo e tentava explorar os contragolpes, atacando em massa. Não conseguiu finalizar tanto, mas sempre levava perigo quando chegava, outra vez assustando no início do segundo tempo. Pavel Kaderabek representava um grande incômodo. Além disso, contava com um Manchester City mais desligado na volta do intervalo. E as situações também não ajudavam os ingleses. Primeiro, Gündogan sentiu contusão e precisou ser substituído. Depois, o árbitro negligenciou um pênalti em disputa de Sané com Baumann, na qual o goleiro atingiu as pernas do ponta. O alívio dos Citizens só aconteceu mesmo aos 41, com nova participação decisiva de David Silva. Em uma troca de passes dos visitantes, após cruzamento da esquerda, o meia aproveitou a bobeira de Stefan Posch dentro da área e roubou a bola do zagueiro, batendo no canto e determinando o triunfo. No final, o Hoffe esboçou uma pressão, se posicionando inteiro no ataque, sem recobrar o prejuízo.

Depois do péssimo resultado na estreia, o mais importante ao Manchester City são os três pontos. Não foi a atuação avassaladora que sempre se pede dos celestes contra um adversário inferior, mas no embate entre times tão bem treinados e de futebol intenso, não se reclama do placar magro. E quem se põe em evidência, mais uma vez, é David Silva. Impressiona a importância do meio-campista ao clube nestes tantos anos de dedicação. É um jogador muitas vezes subestimado, por não ter sido exatamente o protagonista em alguns dos melhores momentos dos Citizens. De qualquer maneira, sua presença essencial se espalha por diferentes campanhas históricas do clube. A vitória desta terça é mais uma mostra de sua qualidade.