David Gilmour entrou no Pink Floyd, a princípio, para cobrir a voz e a guitarra de Syd Barrett, cujo incrível talento já começara a ser afetado pelas drogas. Mas assumiu definitivamente a posição de Barrett, quando este saiu da banda definitivamente. Saiu melhor que a encomenda para Gilmour, que completa 70 anos neste domingo como uma das grandes lendas da música.

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A habilidade com a guitarra e a voz suave fazem com que Gilmour apareça em todas as listas de celebridades que torcem para times de futebol da Inglaterra. O músico certamente é um dos torcedores mais famosos do Arsenal, assim como o seu ex-companheiro de banda Roger Waters. O problema é que Gilmour, por mais que goste de futebol, não é exatamente fanático pelos Gooners.

Em 2002, ele concedeu uma entrevista em que admite ter “uma queda” pelo Arsenal, mas ao mesmo tempo comete o maior crime possível para um torcedor de futebol: afirma que frequentemente torce para o time que está ganhando. “Eu sou um torcedor de futebol um pouco instável”, afirma. “Eu assisto ao time que está indo bem e me torno infiel quando está indo mal”.

Ele disse também que chegou a ter ingresso de temporada para Highbury, mais ou menos na época em que o clube conquistou a Dobradinha. Qual Dobradinha? Bom, o Arsenal conquistou o Campeonato Inglês e a Copa da Inglaterra na mesma temporada três vezes: 1970/71, 1997/98 e 2001/02.

O mais provável é que tenha sido no começo da década de setenta, um dos feitos mais famosos do clube, quando as gravações de Dark Side Of The Moon, lançado em 1973, foram interrompidas várias vezes para que Waters pudesse ir a Highbury assistir ao time. Gilmour pode muito bem ter ido junto acompanhar o companheiro, já que naquela época os dois ainda não se odiavam. O baixista queria até sugeriu que a música Echoes se chamasse We Won The Double.

Essas histórias de Waters, e outras, estão no texto abaixo, de Leandro Stein, que também conta a história do Pink Floyd Futebol Clube, o time criado pelos músicos da banda, que tinha David Gilmour na meia direita. Publicado originalmente em maio de 2015.

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Há detalhes que a memória e nem mesmo os livros podem lembrar com exatidão. Mas, por um lado ou por outro, 22 de maio de 1965 representa um marco para a história do rock. Um dia de cisão para uma das bandas mais importantes da história. Foi o primeiro (ou o segundo, dependendo do historiador) show em que o Pink Floyd chamou-se Pink Floyd, tocando em um baile universitário na cidade inglesa de Cambridge. Também dependendo da fonte, aquele concerto marcou a primeira vez que Syd Barrett assumiu a guitarra ao lado de Roger Waters, ou a despedida de Bob Klose, músico talentoso pressionado pela família a largar a banda. De qualquer maneira, um símbolo de transição.

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A partir daquele momento, o antigo “The Tea Set” assumia a identidade que o eternizou, com a formação que lançou o grupo para o sucesso, com a saída de Barrett para a entrada de David Gilmour em 1968. Cinquenta anos de trajetória que deixaram como legado alguns dos álbuns mais celebrados da música, assim como a influência para tantas outras bandas. E, como bons ingleses, os membros do Pink Floyd também nutriam sua paixão pelo futebol. Tanto que o esporte serviu de inspiração a algumas de suas obras e também de válvula de escape durante as turnês. A ponto de criarem o Pink Floyd Football Clube, uma equipe formada pelos próprios músicos.

A imagem do time está disponível para qualquer fanático pela banda, na contracapa da coletânea A Nice Pair, lançada em dezembro de 1973. Na ocasião da fotografia, tirada semanas antes, o Pink Floyd FC vencera um time amador do norte de Londres por 4 a 0. Roger Waters assumiu o gol, Richard Wright se alinhou na defesa e David Gilmour aparecia na meia direita. O craque da equipe, no entanto, era o baterista Nick Mason, incansável meio-campista descrito por sua raça. O resto do elenco era completado por outros membros do staff, como roadies e empresários, que aproveitavam para reforçar os laços de amizade com as peladas.

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“Durante as turnês, no estúdio ou em qualquer outra parte que estivéssemos, tínhamos sempre uma bola de futebol com a gente”, conta Roger Waters. Mais do que jogar, o Pink Floyd também acompanhava o futebol. Waters era torcedor do Arsenal, assim como David Gilmour, mas bem mais fanático. O baixista chegou a sugerir que a música Echoes, lançada em 1971, se chamasse ‘We Won the Double’, após os títulos dos Gunners no Campeonato Inglês e na Copa da Inglaterra. Além disso, as sessões de gravação de Dark Side of the Moon foram várias vezes interrompidas para que Waters, vizinho de Highbury, assistisse aos jogos do Arsenal. A frase ‘Think I’ll buy me a football team’ não está na canção Money à toa.

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Outra referência óbvia está em um trecho da música Fearless, encerrada com o inconfundível ‘You’ll Never Walk Alone’, do Liverpool, e com os gritos de ‘Everton’. Os sons, gravados durante um dérbi de 1970, serviam de homenagem de Nick Mason e Richard Wright aos Reds, para o qual torciam. E, nos últimos anos, até mesmo o futebol pareceu exaltar a banda. O Chelsea planejava construir seu novo estádio no atual terreno da Battersea Power Station, a usina termelétrica que aparece na capa do álbum Animals, de 1977.

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Enquanto tocava e torcia, o Pink Floyd FC continuava disputando os seus jogos ao longo dos anos 1970, em peladas sem registros e de poucas fotos. Tanto jogavam que mudaram as cores do próprio uniforme no final da década, do azul e branco original para o alviverde listrado e também o preto, enquanto emplacavam Wish You Were Here e The Wall. Curiosamente, nunca escolheram o vermelho e branco, comum nos corações dos quatro titulares no palco. Ao menos neste ponto, conseguiram separar as duas grandes paixões.

Abaixo, a música Fearless, na qual os cantos de Liverpool x Everton podem ser conferidos a partir de 4:30: