Danke, Shinji

Dortmund, 21 de abril de 2012. Robert Lewandowsk descobre Shinji Kagawa livre na área, o japonês dribla o goleiro Marc-André ter Stegen, do Borussia Mönchengladbach e faz o gol da vitória por 2 a 0. Era também o gol do título, o oitavo do clube na história da Bundesliga, e por isso foi muito mais comemorado do que todos os outros marcados pelo meia. Kagawa ainda balançaria as redes mais uma vez na temporada, contra o Bayern Munique, na goleada por 5 a 2 válida pela final da Copa da Alemanha. Parece ter sido o último gol dele.

O meia está de saída de Dortmund. Acertou salários com o Manchester United já há algum tempo, e só falta o acordo entre os clubes ser selado. Declarações do diretor esportivo do clube alemão, Michael Zorc indicam que o negócio vai sair e é questão de tempo. Pouco tempo. Talvez nesta quinta-feira mesmo. Basta saber quem consegue barganhar mais na mesa e aí teremos a resposta (se divulgarem) se os Red Devils pagaram 15 ou 20 milhões de euros.

A soma é relativamente pequena se levarmos em conta os padrões do mercado. Kagawa vale mais, mas só tem um ano de contrato pela frente e deixou claro que, se o negócio não acontecesse, sairia de graça em 2013. Os dirigentes do Dortmund fizeram beicinho no início, mas depois trataram de se ajeitar para ganhar dinheiro. Uma grana boa, que serve na pior das hipóteses para somar com a transferência de Lucas Barrios (cerca de € 8,5 milhões) e fazer com que o clube tenha um lucro, mesmo com os € 17,5 milhões investidos na compra do excelente Marco Reus, do Borussia Mönchengladbach. Justamente uma reposição antecipada da perda do japonês. E se analisarmos a relação custo-benefício, o time alemão não tem do que reclamar, pois pagou apenas € 350 mil pelos serviços do meia em 2010.

Em princípio, Kagawa fará falta. Mesmo com a chegada de Reus, o japonês já estava perfeitamente entrosado e integrado na dinâmica de jogo do técnico Jürgen Klopp. A força coletiva do Borussia Dortmund é bastante visível, e isso faz com que vários jogadores se destaquem em suas funções. Trata-se de um jogador acima da média, que mostrou potencial para decidir em vários momentos e é capaz de desequilibrar com um só lance.

A lesão que o tirou do segundo turno da Bundesliga em 2010/11, porém, mostrou que não se trata de um jogador insubstituível no time. Enquanto ele esteve contundido, Mario Götze segurou as pontas, com Robert Lewandowski exercendo bem a função de meio-campista pelo centro do campo e ajudando Lucas Barrios no ataque. A força do Borussia Dortmund é muito mais coletiva, e Klopp certamente dará um jeito de manter o time forte, ao menos em nível nacional. Internacionalmente, os aurinegros ainda precisam mostrar que são grandes como já foram na conquista da Liga dos Campeões em 1996/97.

Para isso, a desculpa da imaturidade já não cola mais. O time já vem de duas eliminações em fase de grupos (uma da Liga Europa e outra da Liga dos Campeões) e viu o Bayern Munique, freguês nos últimos cinco jogos entre as equipes chegar na final eliminando o Real Madrid. Alguma coisa precisa ser feita para que esse desempenho melhore, e a saída de Kagawa não pode ser utilizada como motivo para um novo fracasso.

Cortes dentro do previsto

 

Nesta segunda-feira, o técnico da seleção alemã, Joachin Löw anunciou os cortes para a Eurocopa. Conforme o previsto, Marc-André ter Stegen, do Borussia Mönchengladbach Sven Bender, do Borussia Dortmund, Julian Draxler, do Schalke 04, e Cacau, do Stuttgart, foram excluídos da lista definitiva. A derrota por 5 a 3 no amistoso contra a Suíça no sábado certamente foi determinante para as escolhas do treinador alemão.

Exceção feita a Cacau, os cortados provavelmente voltarão ao Nationalelf em breve e, se mantiverem o bom desempenho das últimas temporadas, estão nos planos para a Copa do Mundo de 2014. Não cabia todo mundo, e na atual geração sempre vai sobrar alguém de qualidade.