Depois da escolha de Emily Lima para comandar a seleção principal feminina, a CBF anunciou outra mudança em comissão técnica, mas desta vez na seleção sub-20. A ex-meio-campista Daniela Alves, experiência de 11 anos na seleção brasileira, será auxiliar técnica de Doriva Bueno. Ela já fará parte da comissão técnica que vai à Papua Nova Guiné para o mundial da categoria, a partir do dia 13 deste mês.

LEIA TAMBÉM:
– CBF dá raro prêmio ao mérito com Emily Lima no comando da seleção feminina
– Emily Lima: “O homem não precisa provar que é capaz de ser técnico, a gente precisa a cada dia”
– Emily Lima, em sua apresentação: “Vou trazer o que há de melhor e mais moderno para a CBF”

Daniela Alves, de 32 anos, foi jogadora da seleção brasileira de 1999 a 2008. Esteve em dois momentos marcantes, na conquista da medalha de prata em 2004 e em 2008. Jogou duas Copas do Mundo, em 2003 e 2007. Disputou ainda as Olimpíadas de 2000, 2004 e 2008, além do Pan-Americano de 2007, no Rio de Janeiro.

Daniela comentou sobre o trabalho. “A comissão foi excelente. No segundo dia, eu sentia que estava aqui desde o início, então isso foi bem importante, me abraçaram”, ela afirmou. O técnico da equipe, Doriva Bueno, também elogiou a ex-jogadora.

“A gente ficou feliz com a chegada dela. É uma pessoa muito proativa, quer ajudar, está sempre disposta a fazer o melhor. Isso é bom porque além dessa disposição que ela tem no dia a dia para o trabalho, é uma pessoa que tem a experiência de ter passado pela Seleção, tem ajudado muito nos trabalhos com as meninas e eu tenho a certeza que veio e encaixou direitinho dentro do nosso perfil”, declarou o técnico.

Daniela jogou o Mundial sub-20 em 2002, justamente o primeiro da categoria, e poderá ajudar com a experiência. Aliás, uma das jogadoras do grupo convocado irá para o segundo Mundial sub-20, algo raro de acontecer. Julia Bianchi, lateral direita, jogou a competição em 2014, aos 16 anos. Era a jogadora mais jovem do elenco e foi puxada da seleção sub-27, na época. Antes disso, em 2012, ela disputou o Mundial sub-17 com 14 anos. E foi titular da equipe.

O Brasil terá um grupo forte no mundial. Enfrenta a seleção da casa, Papua Nova Guiné, que não está entre as favoritas, mas as duas outras adversárias são complicadas: Coreia do Norte, campeã em 2006, e Suécia, que embora nunca tenha vencido a competição, é sempre uma seleção forte na categoria principal.

As brasileiras nunca foram campeãs do torneio. As duas melhores participações foram justamente nas duas primeiras edições, em 2002 e 2004, quando o time parou na semifinal. Em 2002, o Brasil perdeu para o Canadá. Em 2004, caiu para os Estados Unidos. Nas duas vezes, acabou como quarta colocada. Na última edição, em 2014, o Brasil fez uma campanha ruim, terminando em último lugar no Grupo B, um dos mais fortes do torneio, que tinha Alemanha, Estados Unidos e China.

Para que haja técnicas mulheres no futebol feminino, é preciso que haja gente competente interessada e que elas tenham oportunidade. Por isso, é ótimo que Daniela Alves tenha oportunidade de trabalhar na seleção sub-20 e pode seguir o caminho que a própria Emily Lima trilhou, anos antes. Ela trabalhou no sub-17 em 2013, antes de assumir como técnica principal de clubes e seguir carreira no São José, além de ter se qualificado com cursos da CBF – uma novidade nos últimos anos.