Livros, músicas, enfeites: a Copa do Mundo dá vazão a todo tipo de badulaque ou de produção artística que se possa imaginar. Todavia, pouco se fala a respeito de uma linhagem que acompanha os Mundiais praticamente desde a primeira edição, em 1930: os filmes oficiais das Copas. Feitos com a chancela da Fifa ou não, eles (quase) nunca foram exibidos em cinemas – e no entanto, durante grande parte desse tempo, mostraram uma linguagem agradavelmente cinematográfica. De 2002 até agora, porém, tal linhagem mudou barbaramente: cada vez mais, os filmes estão vinculados à televisão, sendo até produzidos especialmente para exibição diretamente nela.

VEJA TAMBÉM: Trivela, 20 anos: quem disse que não íamos voltar para o papel? Chegou a Trivela Copa ’18

Talvez, fruto da importância maior que a Fifa dá a eles: não só por um departamento que se destina à manutenção e aos direitos de exibição deles – o Fifa Films, vinculado à Infront, empresa suíça que cuida de tudo que se relacione à televisão na entidade -, mas também por causa da possibilidade de ganhos a partir deles. Ganhos financeiros: em 2010, a entidade proporcionou o lançamento de uma caixa com todos os filmes feitos até ali. E ganhos midiáticos: na Inglaterra, tanto BBC quanto Sky Sports exibem os filmes antes de cada Copa. E no Brasil, a ESPN faz o mesmo, desde a edição de 2014 – para nem falar no SporTV, que os mostra meses antes do início do torneio, desde 1998.

Por um lado, é cada vez mais raro se ver espontaneidade nessa nova lógica. Por outro, é um requinte que não se imaginava na primeira tentativa, em 1930. E que até possibilitou a recuperação dela. Afinal, naquela primeira Copa, há 88 anos, no Uruguai, tudo se deu por obra e graça de um austríaco que nem na república oriental morava: Max Glücksmann (1875-1946), dono de salas de cinema e produtor audiovisual residente na Argentina. Entusiasmado com aquele torneio que nascia, Glücksmann foi para o Uruguai e filmou tudo. Tudo mesmo: das construções do Estádio Centenário à festa dos uruguaios pela conquista do título. Só que Glücksmann levou o filme mudo de 90 minutos para a Argentina, e lá ele ficou, se deteriorando por décadas e décadas – apenas com os gols da final Uruguai 4×2 Argentina sendo exibidos vez por outra. Assim foi até 1999, quando uma versão original, quase irremediavelmente danificada pelo tempo, foi encontrada na Cinemateca Uruguaia. A Fifa soube, comprou a cópia, restaurou o que pôde (12 minutos), e tornou oficial aquele pioneiro trabalho de Max Glücksmann em 1930.

A mesma coisa aconteceu com o trabalho de 1934. E com o de 1938: nesta Copa, a Federação Francesa de Futebol solicitou que o documentarista René Lucot filmasse os principais jogos. E assim foi, com o trabalho de Lucot sendo exibido em pequenos compactos nos cinemas, como “trailers” antes do filme principal começar. No Brasil, o trabalho foi até mais longe: a empresa Ponce & Irmão (dona do Cine Broadway, no Rio de Janeiro) conseguira permissão para filmar todos os jogos do Brasil, para exibir trechos deles antes dos filmes. Assim foi – e o trabalho causou até polêmica.

Anunciava-se nos jornais a filmagem do polêmico pênalti de Domingos da Guia em Giuseppe Meazza, na vitória da Itália sobre o Brasil, nas semifinais. Mas o que foi exibido no cinema só trazia a cobrança do pênalti, não a falta do zagueiro brasileiro – e alguns espectadores protestaram, sentindo-se ludibriados. Precisou Generoso Ponce Filho, um dos proprietários da Ponce & Irmão, explicar em nota aos jornais que o anúncio se referia à cobrança, não à falta. As duas produções tomaram rumos diferentes. Parte das imagens de Lucot também foram restauradas, e estão à disposição hoje; já o trabalho brasileiro da Ponce & Irmão se perdeu, e não há notícias sobre o paradeiro dos originais.

1950: drama se estendendo às imagens

Para filmar os jogos de 1950, a Aliança Cinematográfica Brasileira – produtora de Milton Rodrigues, irmão do dramaturgo e escritor Nelson e do jornalista Mário Filho – gastou 1,5 milhão de cruzeiros, ganhando uma concorrência cujo edital fora publicado em 29 de dezembro de 1949 (e o resultado, anunciado só em 9 de junho de 1950). Cedendo os direitos internacionais de distribuição à empresa alemã UFA (Universum Film AG), a Aliança tinha experiência para fazer bom trabalho: desde 1944, a empresa de Milton Rodrigues produzia “cinejornais” de 10 minutos, exibidos nos cinemas brasileiros.

De fato, imagens daquela Copa não faltaram. Mas por tudo que cercou o jogo final do torneio, durante e depois, o trauma foi tamanho que o filme resultante – “O Brasil no IV Campeonato Mundial de Futebol”, com duração de 75 minutos, com a narração de Mário Augusto, locutor da Rádio Ministério da Educação PRA-2 – só chegou aos cinemas no dia 25 de novembro de 1950, quase cinco meses após aquele 16 de julho no Maracanã. Só foi exibido em seis salas no Rio de Janeiro. E a falta de interesse foi tão grande que o filme só ficou dois dias em cartaz com a duração completa. Depois, foi encurtado para 25 minutos, numa semana de exibição em que teve ingressos vendidos em conjunto com o faroeste “Fogo no Inferno” (“Hellfire”, de 1949).

A partir de 5 de dezembro, apenas um compacto de dez minutos, exibido junto dos cinejornais da época. É justamente esse compacto que ficou com a Fifa para a posteridade, e cujas filmagens (na maioria das vezes, com os gols filmados por trás das traves – com destaque, claro, para o gol de Alcides Ghiggia) são exibidas sempre que a Copa de 1950 vira assunto. A íntegra? Perdeu-se em dois incêndios nas sedes da Aliança, em 1953 e 1965, e não há notícias sobre existência de alguém que tenha o filme. Restou apenas a edição espanhola (“España en Brasil”), com edições feitas a partir do original. Sem contar “Campionato Mondiale di Calcio”, documentário feito pelo italiano Stefano Canzio, destacando a participação da Azzurra em 1950, da viagem de navio aos jogos – trabalho que chegou a ser exibido uma única vez, em São Paulo, no cine Art Palácio, em 3 de dezembro de 1950.

1954 em diante: a linguagem de cinema toma conta

Em 1954, pela primeira vez se falou no conceito de “negociações de direitos de transmissão” – pelo menos na televisão europeia, que já tinha a Eurovisão para poder distribuir as imagens a todo o continente. Ficou mais fácil, pois, para que um filme oficial fosse chancelado pela Fifa. E o conceito de “filme oficial” se iniciou com “German Giants”, produzido pelo alemão Hans Schubert, da empresa cinematográfica Pegasus-Film GmbH. Nele, além do que se tornaria óbvio – imagens das paisagens do país, lances das partidas, os gols, a alegria da torcida, a voz de um narrador (no caso, Emil Fersil) recitando um texto para contextualizar as imagens -, havia ainda espaço para uma história dramática, enquanto a Copa rolava.

Nada muito profundo: o documentário mostrava as aventuras e desventuras do garoto suíço Marco, fanático por futebol, que comprara ingressos para a final do torneio com dinheiro dado pela mãe – mas que não tinha quantia suficiente para comprar uma passagem para Berna, local da final. Sem problemas: Marco deu seus jeitos. Uma carona de barco aqui, outra de motoneta ali, e o garoto conseguiu estar no Wankdorf. Protagonizando uma cena inimaginável nos dias atuais: no intervalo da final entre Hungria e Alemanha Ocidental, aparecem não somente cenas dos jogadores alemães recompondo as forças no intervalo, mas também de Marco pegando um… autógrafo, simplesmente de Fritz Walter, o grande destaque da seleção que seria campeã.

Por algum tempo, não haveria muito espaço para outras histórias além daquela que a Copa contou, nos filmes oficiais. E tanto “Hinein!”, o filme de 1958, quanto “Viva Brazil!”, o de 1962, seguiam o estilo documental que um filme oficial da Copa sempre teve, como se fosse uma “enciclopédia cinematográfica” do que ocorrera nos jogos. Já “Goal!”, o filme de 1966, trazia uma novidade, embora o modo de contar a história fosse o mesmo: se a televisão ainda mostrou em preto e branco os jogos na Inglaterra, o filme mostrou as imagens coloridas daquela Copa – com destaque para as constantes imagens da Rainha Elizabeth, a cada vez que ela aparecia na tribuna de honra em Wembley.

“Hinein!”, o filme oficial da Copa de 1958, com narração em grego.

Já 1970 traria de leve a volta de uma história dramática para amenizar o tom documentarista: “The world at their feet” (dirigido por Alberto Isaac, produzido por Morton Lewis, feito com apoio maciço da Coca-Cola) mostrava a tentativa de um garoto mexicano, obviamente fanático pelo ludopédio, para assistir a pelo menos uma partida daquela Copa no estádio Azteca, após ver a badalada chegada da seleção inglesa ao México. Até deu certo – não foi na final -, mas o garoto teve de aguentar puxões de orelhas da mãe ao ser encontrado no estádio. Apenas uma das histórias, dentro do que se nota no filme de 1970: o entusiasmo com que aquela Copa foi saudada – culminando na apoteose do título do Brasil.

“The world at their feet”, o filme oficial da Copa de 1970

1974-1990: começa o apogeu

Se a linguagem de um filme oficial da Copa já estava consolidada, ela começa a entrar em sua melhor fase a partir do filme de 1974. “Heading for Glory” (dirigido por Michael Samuelson, novamente produzido por Morton Lewis) varia o modo de produção do documentário: ao invés da ordem cronológica esperada – da abertura ao encerramento daquela Copa -, inicia o filme pelo final, com o apito de John Taylor decretando a Alemanha campeã após a decisão. E dali rebobina todo o caminho que as duas finalistas haviam feito, até a definição da campeã, num 7 de julho de 1974 que é descrito com riqueza de detalhes no filme, do café da manhã do trio de arbitragem à festa de encerramento da Copa, passando pelo manuseio da taça. Tudo contando até com auxílio brasileiro: entre os câmeras de “Heading for glory”, estavam os fluminenses Francisco Torturra e Carlos Leonam, dois dos principais responsáveis pelas imagens do antológico Canal 100 de Carlinhos Niemeyer.

“Heading for glory”, o filme oficial da Copa de 1974, com narração em grego
 

Já 1978 trouxe polêmica. Outro brasileiro, o diretor Maurício Sherman (de longa e prolífica carreira na televisão) fora chamado para dirigir o filme oficial daquela Copa. Sherman até fez seu trabalho, junto a outro diretor, Paulo César Saraceni. Mas o tom político da obra – claro já na abertura, com a entrevista de um militante dos Montoneros, movimento de guerrilha contra o governo militar no país-sede Argentina – desagradou a Fifa, que desautorizou aquele documentário. Abria-se caminho para que um novo filme oficial fosse feito: “Argentina Campeones”, também produzido por Maurício Sherman, junto a Drummond Challis (nome frequente nos filmes oficiais, a partir de então). E houve ainda uma produção feita por e para argentinos: “La fiesta de todos”, de Sergio Renan, que tinha a festa da torcida como assunto principal, com as imagens dos jogos retiradas de “Argentina Campeones”. Mas o trabalho inicial de Mauricio Sherman não foi perdido: veio para o Brasil e aqui foi lançado, com o título “Copa 78 – o poder do futebol”. Com a locução de Sérgio Chapelin, o documentário vez por outra é exibido no Canal Brasil.

“Argentina Campeones”, o filme oficial “para valer” da Copa de 1978, com narração em russo
 

A partir de 1982, a produção dos filmes oficiais passava a ganhar ainda mais requinte. Novamente produzido por Drummond Challis, “G’Olé” teria na locução das imagens um certo Sean Connery. E na montagem da trilha sonora, outro nome de peso: Rick Wakeman. Entre a voz calma de um dos grandes intérpretes que James Bond já teve e a trilha sonora produzida por Wakeman especialmente para o filme (destaque para uma versão de “Povo feliz (Voa, canarinho)” tocada nos teclados para sonorizar algumas passagens da Seleção Brasileira), imagens notáveis, como a preparação de Camarões, do almoço pré-jogo ao trajeto para o estádio Balaídos, em Vigo, antes do jogo contra a Itália. Você pode ver tudo isso aqui.

O êxito se igualou em “Hero”, o filme oficial de 1986. Narrado por Michael Caine, dirigido por Tony Maylam e produzido por Drummond Challis, a película repete alguns bons pontos de “G’Olé”: a trilha sonora de Rick Wakeman valoriza as imagens, e o acesso a imagens internas é admirável. Difícil não se impressionar com o relaxamento no vestiário da Dinamarca, após a histórica goleada sobre o Uruguai (há até jogador filmado nu, sem se constranger). Ou com o nervosismo dos torcedores brasileiros, no decorrer das quartas de final contra a França, nas arquibancadas do Jalisco, em Guadalajara. Ou com o fervor da delegação da Argentina no vestiário, após as partidas contra Inglaterra e Alemanha.

Após fazer o que fez contra os ingleses, nas quartas, Diego Maradona puxa o coro: “Argentina va salir campeón/Argentina va salir campeón/Se lo dedicamos a todos la reputa madre que los reparió”. Depois do triunfo sobre os alemães na final, a conquista da taça é celebrada com o clássico “Vamos, vamos, Argentina/Vamos, vamos, a ganar/Que esta barra quilombera/No te deja, no te deja de alentar!”. Tudo isso, salpicado pelas narrações de rádio dos países que jogavam as partidas (em Brasil x França, por exemplo, são audíveis trechos da narração de Fiori Gigliotti, da Rádio Bandeirantes paulista). Embora um pouco cansativo, “Hero” rendeu sucesso até a duas canções na trilha sonora. “Me das cada dia más”, de Valeria Lynch, é comumente associada àquela Copa na Argentina. E “A special kind of hero”, a quase-faixa-título do filme oficial, de Stephanie Lawrence, exibida nos créditos finais, ganhou até status de música oficial daquela Copa.

 

O modo de produção de Drummond Challis se repete com um pouco menos de brilhantismo em “Soccer Shootout”, o filme de 1990, narrado por Edward Woodward. Já não há uma trilha sonora elaborada – é notável apenas uma canção, do grupo Les Têtes Brulées, a sonorizar os gols de Camarões contra a Colômbia, nas oitavas de final. No Brasil x Argentina da eliminação da Seleção, aparece em pleno trabalho na cabine do Delle Alpi de Turim, entre um lance e outro, a equipe que narrou aquele jogo para a Rádio Guaíba gaúcha: o narrador Marco Antônio Pereira e os comentaristas Edegar Schmidt e Wianey Carlet. Mas havia certo ar repetitivo. Que acabou no filme seguinte.

1994: o grande marco
Roberto Baggio, da Itália, lamenta enquanto brasileiros comemoram na final da Copa de 1994 (Photo by Mark Leech/Getty Images)

Quem era nascido e tinha idade suficiente para saber o que era futebol e Copa do Mundo (e para adorar essas duas coisas) certamente se lembra de tudo o que ocorreu nos Estados Unidos, em 1994. E tem como uma das principais fontes de lembrança o filme oficial daquela Copa. Que contou com muita atuação brasileira, não só em campo. O produtor foi Leonardo Gryner, que já deixara a direção de esportes da TV Globo para iniciar carreira no marketing esportivo. O diretor foi o cineasta Murilo Salles, responsável por filmes como “Nunca fomos tão felizes” e “Como nascem os anjos”. A auxiliar Murilo na fotografia, alguns nomes que se tornariam conhecidos no cinema nacional: Breno Silveira e Andrew “Andrucha” Waddington. E se Liev Schreiber foi o responsável pela locução internacional de “Two billion hearts” (no Brasil, “Todos os corações do mundo”), a narração brasileira foi do ator Antônio Grassi.

Talvez pela intimidade com o esporte, o fato é que a compreensão do que é uma Copa do Mundo e o acesso a cenas internas ganharam outro peso com “Todos os corações do mundo”. São hilárias as cenas iniciais, mostrando norte-americanos sendo confrontados com o grande evento que ocorria no país sem saber muita coisa (às vezes nada) sobre futebol. São comoventes os momentos do telefonema de Ingrid Preud’homme, esposa do goleiro belga Michel, para consolá-lo após a eliminação nas oitavas de final para a Alemanha, chorando ao desligar. Volta a ser hilário ver, já nos créditos finais, um torcedor colombiano olhando para a câmera e gritando “Colômbia”, correndo de costas até… se desequilibrar e cair, sem perder a pose. Há muito mais. É só ver aqui (a versão em português). De nada.

De lá para cá, a mudança de formato

“La Coupe de la Gloire”, o filme oficial de 1998, volta ao que se viu entre 1974 e 1990. Até porque Drummond Challis voltou a ser um dos produtores executivos do trabalho, narrado por Sean Bean. Ou seja: o típico documentário filmado em película, com lances importantes de vários jogos, destaque para a torcida… era um pouco repetitivo, mas ainda assim, dava a impressão de ser algo cinematográfico. Isso se perdeu a partir de “Seven games from glory”, o filme oficial de 2002.

Desde o começo, fica claro que “Seven games from glory” é uma produção “made-for-TV”. A imagem deixa de ser em película, como num filme, e passa a ser feita para a televisão. Nas duas horas de documentário, o ar jornalístico é claro, com entrevistas formais envolvendo os principais personagens, de Ronaldo a Bruno Metsu, passando por Guus Hiddink, Luiz Felipe Scolari e Michael Ballack. Até mesmo os trechos de narrações durante os jogos deixam o rádio de lado, usando o que se ouvia na televisão. Claro, há cenas que não se viram muito por aí – como o vestiário de Senegal, após a vitória sobre a França na partida de abertura, ou o encontro dos jogadores da Argentina com crianças japonesas, no local de concentração. Vale o registro. Mas a impressão é de que, a partir de então, os filmes oficiais das Copas passam a ser mais um material da Fifa do que um material de cinema.

“The Grand Finale”, o filme oficial de 2006, lançado em DVD no Brasil (e exibido pela HBO na televisão), dirigido por Michael Apted, tentou intercalar essas duas abordagens. Conta com imagens televisivas, conta com algumas entrevistas, mas as partidas principais (do Brasil, apenas o jogo contra Gana) são filmadas em película e voltam a ter um caráter de documentário, algo enfatizado pela volta de um personagem do cinema para narrar o trabalho – Pierce Brosnan (mais um “007” em filmes oficiais de Copas, como Sean Connery fora em 1982). Porém, àquela altura, o filme oficial da Copa já perdera o seu caráter exclusivo, até pela produção de material parecido da BBC inglesa,

Isso ficaria ainda mais claro em 2010. Na falta de um, foram dois filmes televisivos. O primeiro ainda se preocupava em ser um documentário: mesmo com o nome pouco criativo de “The Official 2010 Fifa World Cup in 3D”, trazia entrevistas com jornalistas que haviam coberto aquele Mundial na África do Sul, além de imagens exclusivas das principais partidas, com a locução do comentarista Ian Darke. Mas o segundo tinha o indisfarçável tom de um programa produzido pela Fifa. Aliás, de uma série: ali começava “Match 64”, filme de uma hora feito pela entidade, falando apenas sobre a final no Soccer City de Joanesburgo. Sem narração, havia os depoimentos de Howard Webb, juiz daquela decisão; de John Heitinga, expulso naquela prorrogação; e finalmente, de Andrés Iniesta, autor do gol do título. Certo, davam um pouco de emoção.

E “Match 64” teve a sequência em 2014, com mais gente ouvida na produção da Fifa para a televisão: brasileiros que moravam no Rio de Janeiro e haviam acompanhado a Copa (alguns, até lembrando da Copa de 1950), torcedores de Alemanha e Argentina, Carles Puyol (que levara a taça até o Maracanã, na cerimônia de encerramento), Lionel Messi, Mario Götze. Uma produção da Trator Filmes (“Brasil! Fifa World Cup Brasil”, de Adriano Santiago) foi feita, mas não foi disponibilizada ao público.

De todo modo, mesmo que a história dos filmes oficiais das Copas tenha transitado da telona para a telinha, fica ainda alguma curiosidade sobre o que será feito para 2018. O que foi feito, já está aí. Oficialmente (nos serviços “on demand” de ESPN e SporTV) ou oficiosamente (nos downloads online que existem por aí).