Durante a breve pausa na Copa do Mundo, a quem quis manter a injeção de adrenalina alta, a Série D ofereceu boas doses de emoção neste domingo. Foram definidos os três primeiros clubes a se confirmarem na Série C de 2019, em confrontos pelas quartas de final do torneio nacional. Sobrou heroísmo e jogos abertos, ainda que em Caxias do Sul os sentimentos aflorados tenham descambado a uma lamentável violência entre jogadores e torcedores. Abaixo, comentamos um pouco mais sobre as epopeias de São José, Treze e Imperatriz na quarta divisão. Nesta segunda, sai o último acesso, no duelo entre Campinense e Ferroviário.

São José-RS

Dono da melhor campanha rumo às quartas de final da Série D, o São José tinha sofrido algum aperto nos mata-matas anteriores, contra Novo Hamburgo e Tubarão. Já o primeiro jogo contra o Linense colocou pressão sobre os gaúchos, depois da derrota por 1 a 0 no interior de São Paulo. Sofrimento revertido no Estádio Passo d’Areia, com a vitória por 2 a 0, suficiente para carimbar o acesso. Fechadinho, o Elefante segurou o resultado ao longo do primeiro tempo. No entanto, a história do confronto seria outra a partir da volta do intervalo, com um pênalti precoce a favor do Zequinha. Herói nesta Série D, o goleiro Fábio converteu e botou os anfitriões em vantagem, com um placar que forçaria ao menos a disputa por pênaltis. Fábio, aliás, trabalharia do outro lado, com uma defesaça para evitar o empate. Já aos 28, cruzamento de Kelvin para Márcio anotar o gol do acesso. O Linense ainda terminaria a partida com dez, após a expulsão de Carlos André.

O acesso marca a perseverança do São José e o bom trabalho, que se nota nas últimas edições do Campeonato Gaúcho, sempre com participações dignas. O time já tinha chegado às quartas de final da Série D em 2017, mas perdeu o acesso para o Atlético Acreano. Agora, conquista a sonhada promoção com todos os méritos. A agremiação não disputa a Série C do Brasileirão desde 2003, sem nunca ter passado do terceiro nível do futebol nacional. Desta vez, há uma aposta caseira para o sucesso. O comandante do Zequinha é Rafael Jacques, ex-atacante rodado, com passagens inclusive pelo futebol espanhol. Antigo treinador do sub-20, foi efetivado no último ano e vinha se sobressaindo, com a conquista da Copa FGF, além da semifinal no Gauchão em 2018. O ápice vem na Série D.

O Rio Grande do Sul, aliás, volta a emplacar na quarta divisão. São quatro acessos nas últimas seis edições do torneio, com Brasil de Pelotas, Juventude e Ypiranga de Erechim fazendo o mesmo caminho anteriormente. É ver como a estabilidade pode ajudar os porto-alegrenses, com as maiores receitas e a maior continuidade que a Terceirona oferece. Considerando o equilíbrio costumeiro que existe no Grupo B da Série C, não será surpreendente se o São José começar a almejar ainda mais nos próximos anos.

Treze-PB

Se não fez a campanha perfeita na Série D, o Treze manteve sua invencibilidade durante quase toda a campanha. Nos 16-avos de final, eliminou a URT nos pênaltis. Já nas oitavas, garantiu a vantagem na ida contra o Iporá, sem que a derrota em Goiás impedisse a classificação. O Caxias, todavia, prometia ser um desafio muito maior. Os gaúchos vinham em excelente campanha na quarta divisão, a segunda melhor até o momento. Embalo que não se reproduziu nos confrontos decisivos. O Treze deu um passo à frente ao vencer em Campina Grande por 1 a 0. Já neste domingo, não sentiram a pressão no Centenário. O Caxias até saiu em vantagem, gol de Júnior Alves logo aos 16 minutos. Contudo, os paraibanos partiram para cima depois disso e, em duelo franco, com chances para os dois lados, empataram com Brumati aos 33.

A necessidade dos gaúchos se tornou maior no segundo tempo. Principalmente a partir dos dois minutos, quando o Galo da Borborema virou, em belíssima jogada coletiva que terminou no chutaço de Carlos Copetti. A vantagem, aliás, não fez o Treze abdicar do ataque. Ainda buscou o terceiro gol, com boas chances, diante do desespero dos anfitriões. E conseguiu aos 39, com Dedé aproveitando um contragolpe e fechando a contagem em 3 a 1. Depois disso, não houve mais jogo. O Caxias alega que o autor do gol provocou a sua torcida. Nada que justifique a reação. Os jogadores do clube da casa partiram para cima dos adversários e, pior, a torcida invadiu o campo para agredi-los. Os atletas do Treze precisaram se proteger na entrada dos vestiários. Diante do clima de guerra, a arbitragem não permitiu que a partida prosseguisse. Com o policiamento no gramado, decretou o final do duelo e confirmou o acesso dos paraibanos.

Sem conquistar o Campeonato Paraibano desde 2011, e com uma modesta quarta colocação na última edição, o Treze fatura o acesso na Série D pela segunda vez. A primeira tinha sido justamente em 2011, mas não em campo. Os paraibanos terminaram com a quinta colocação na quarta divisão, superados pelo Santa Cruz nas quartas de final. No entanto, na Série C de 2011, o Rio Branco acionou a Justiça Comum para anular uma interdição da Arena da Floresta. O Treze foi oportunista o suficiente para se meter no caso e, após longa briga judicial, ganhar o acesso. Passou três anos na Terceirona até cair, em 2014, e nas duas últimas temporadas sequer disputou as divisões nacionais. A redenção, em campo, aconteceu desta vez com uma campanha sem asteriscos. Entre os destaques, menção honrosa a Marcelinho Paraíba. Aos 43 anos, o atacante chegou a sofrer uma isquemia em março. Voltou às atividades e foi o camisa 10 do Galo da Borborema, participando inclusive do duelo com o Caxias no Centenário. Já no comando, o ‘rei do acesso’ Flávio Araújo conquistou sua sétima promoção nas divisões nacionais, após já ter subido com Sampaio Corrêa (duas vezes), Icasa, América de Natal, River e CSA.

Imperatriz-MA

Os maranhenses acumulam campanhas dignas na Série D. Sampaio Corrêa e Moto Club já subiram na competição, enquanto o Maranhão ficou no quase em 2017, caindo apenas nas quartas de final. Desta vez, o Imperatriz chegou longe e consumou o acesso diante do Manaus. A campanha na fase de grupos foi apenas suficiente, longe de competir com o América de Natal, mas se impondo sobre Belo Jardim e Guarani de Juazeiro. Os méritos maiores começam nos mata-matas, derrubando o próprio América nos pênaltis, antes de superar o duelo regional com o Moto, acumulando duas vitórias. Já nas quartas de final, foi fundamental o triunfo por 1 a 0 no Maranhão, antes do reencontro no Amazonas, para um jogaço neste domingo.

Com seis minutos, o duelo já tinha dois gols. Eloir abriu o placar ao Imperatriz, mas Nena empatou ao Manaus. Os amazonenses, aliás, ainda acertaram uma bola na trave e forçaram grande defesa do goleiro Jean na etapa inicial. Durante o segundo tempo, o time da casa precisou substituir seu goleiro e, por mais que Jean fizesse milagre do outro lado, a pressão resultou na virada do Gavião, com Derlan. O placar por 2 a 1 perdurou até o apito final, apesar de mais uma bola do Manaus no travessão e de mais defesaças de Jean. O reconhecimento final ao goleiro do Imperatriz viria mesmo na disputa por pênaltis. Ele defendeu três cobranças, assegurando não apenas a vitória por 3 a 2 aos maranhenses, mas também o acesso à Série C. Frustraram o lendário Aderbal Lana, que havia retornado ao comando do Manaus durante o último mês de maio.

Dono de dois títulos maranhenses, o Imperatriz começou a disputar os campeonatos nacionais apenas neste século. Figurou em quatro ocasiões na Série C, durante meados da década passada, a última delas em 2007. Já em 2015, fez sua estreia na Série D, sem passar da fase de grupos, retornando apenas nesta temporada. Além de Jean, outro personagem de destaque no Cavalo de Aço é Marcinho Guerreiro. O ex-volante, agora treinador, bateu os interioranos na decisão do Campeonato Maranhense, campeão com o Moto Club. Deixou o comando da equipe diante da crise interna e a partir da terceira rodada da Série D, assumiu o Imperatriz, dando novos rumos ao time. Demonstra talento para seguir na função, já com dois feitos consideráveis em tão pouco tempo.


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