CSKA Moscou, enfim, mostra sua força

O começo de temporada foi decepcionante para o CSKA Moscou. Derrotas inesperadas, negociação de jogadores e poucos reforços desmotivaram o time, que capengou nas posições intermediárias. Essa fase ruim culminou com o anúncio, em julho, com o anúncio do técnico Valery Gazzaev de que permaneceria no comando do time somente até o final do ano.

Desde então, no entanto, a equipe reagiu. Teve uma seqüência de ótimos resultados, seus jogadores voltaram a jogar com destaque e hoje, faltando seis rodadas para o fim da Premier Liga, o CSKA Moscou é o vice-líder, sete atrás do Rubin Kazan. Quais os motivos para essa virada?

Um dos primeiros fatores que pôde ser percebido foi a mudança de postura dos jogadores após Gazzaev anunciar que deixaria o time. O time ficou mais comprometido, até mesmo porque todos os jogadores gostam muito do treinador russo. Este colunista, após esse fato, entrevistou dois jogadores do CSKA, Dudu Cearense e Vagner Love – sendo que o primeiro já deixou o clube.

Ambos disseram entender a situação do técnico, que está no clube desde 2004, mas lamentaram muito sua saída.

Outro fator importante para essa virada do time no Campeonato Russo é a boa forma do atacante brasileiro. Vagner Love vive, talvez, sua melhor fase pelo clube desde que chegou em 2004. Isso se deve também à saída de Jô e um novo posicionamento do jogador em campo. Agora, Love, atual artilheiro da Premier Liga com 10 gols, é a principal referência do ataque, sendo que atua como único homem de frente. Além disso, a concorrência está fraca também – o polonês Janczyk e o brasileiro Ricardo Jesus ainda não corresponderam às expectativas.

Com isso, o CSKA tem jogado muito em função do ex-atacante do Palmeiras, sendo que nesse novo esquema, o time ganhou um meia armador, que normalmente tem sido Pavel Mamaev, que finalmente ganhou sua chance entre os titulares e tem jogado bem. Quem também tem brilhado e já é cogitado para ganhar um lugar na seleção russa, é o jovem meia Alan Dzagoev, que chegou do Krylya Sovetov na temporada passada e é um dos destaques do CSKA na temporada.

A distância de sete pontos do CSKA Moscou para o Rubin Kazan é grande, até porque faltam apenas seis rodadas, ou seja, teria que diminuir ao menos um ponto por rodada para sonhar. A tabela também não ajuda muito, já que reserva três clássicos moscovitas, mas ao menos o confronto direto: Amkar (C), Dynamo Moscou, Spartak Moscou, Moscou, Rubin (C) e Shinnik (F).

Além disso, a Copa Uefa começa no final desse mês (leia mais abaixo), o que obrigará o CSKA a dividir as atenções com o torneio continental. De qualquer modo, Gazzaev sonha em encerrar seu ciclo no Exército Vermelho de maneira triunfal, por mais que inesperada.

Soviéticos na Copa Uefa

CSKA Moscou, Spartak Moscou e Metalist Kharkiv são os representantes soviéticos na Copa Uefa 2008/09. Pela natural força e tradição, os moscovitas têm muito mais chances de ir longe do que o time ucraniano, apesar da surpreendente goleada de 4 a 1 do Metalist sobre o Besiktas, na fase preliminar, que resultou nessa inédita classificação.

A equipe de Kharkiv, por sinal, caiu no grupo B, um dos mais complicados dessa fase. Medir forças contra Benfica (Portugal), Olympiacos (Grécia), Galatasaray (Turquia) e Hertha Berlim (Alemanha) seria uma tarefa ingrata para qualquer time no mundo, imaginem para esse caçula ucraniano, atual quarto colocado do Campeonato Ucraniano.

O Spartak Moscou também não terá vida fácil. No grupo D, enfrenta Tottenham (Inglaterra), Udinese (Itália), Dinamo Zagreb (Croácia) e NEC (Holanda). Como três clubes avançam para as oitavas-de-final, é de imaginar que o Spartak fique com uma delas. A curiosidade fica por conta do confronto contra os Spurs, quando Pavlyuchenko reencontrará seu ex-clube.

Por fim, o CSKA Moscou caiu no grupo H e enfrenta Deportivo La Coruña (Espanha), Feyenoord (Holanda), Nancy (França) e Lech Poznan (Polônia) – dentre os soviéticos, foi o que deu mais sorte. Até pelo bom momento vivido, a equipe figura no pelotão intermediário dos favoritos ao título – bi, no caso.