O Cruzeiro conquistou uma vitória sem percalços contra o Deportivo Lara, na Venezuela. Sem precisar acelerar o jogo, o time celeste envolveu o adversário com facilidade e venceu por 2 a 0 com um gol em cada tempo, garantindo o quinto triunfo consecutivo na Libertadores da América, e segue sem sofrer gols na competição.

Mais uma vez nesta Libertadores, o jogo na Venezuela foi marcado para um horário inusual. A bola rolou para Deportivo Lara e Cruzeiro a partir das 16h00 no horário local, uma hora antes do horário de Brasília. A motivação é a insistente crise elétrica causada pelos distúrbios políticos e econômicos que o país tem sofrido e que já causaram alguns blecautes de longa e curta duração, inclusive durante jogos da competição continental, como aconteceu no jogo entre Lara e Huracán, no início do mês, paralisado por alguns minutos durante a primeira etapa. A situação, que já causou a suspensão do futebol no país, também gerou problemas logísticos para os clubes, e afetou principalmente o restante da sociedade, atingindo serviços básicos.

Além do horário incomum, o Cruzeiro teve pela frente um estádio completamente vazio, sem a pressão da torcida adversária. Este foi o último jogo de punição ao Lara, em decorrência do comportamento inadequado dos torcedores durante a Copa Sul-Americana do ano anterior.

Com a bola em jogo, o Cruzeiro não passou por dificuldades. Tinha a bola e tinha espaço para jogar. E pressionou a frágil saída do time adversário, que ainda marcava até de forma um pouco displicente. Jogando no 442, a segunda linha defensiva às vezes sequer estava completa, e os dois atacantes pouco ajudavam na recomposição. Ainda assim, a raposa não conseguia entrar na área e criou mais chances em chutes de média distância, testando o goleiro Salazar. Bastou uma jogada um pouco mais incisiva para que o Cruzeiro chegasse ao gol. Lucas Silva tocou para Thiago Neves de costas para a área. O meia só deu um toque sutil para Fred e atraiu a marcação. O artilheiro dominou a bola e aproveitou a falta de marcação característica do Lara durante a partida para decidir com tranquilidade o que fazer. O camisa 9 encheu o pé da entrada da área e marcou um belo gol abrindo o placar em favor do Cruzeiro aos 30 minutos, chegando aos 4 gols na competição.

No segundo tempo, o Lara melhorou e exigiu um pouco mais de trabalho para a defesa cruzeirense, mas nada que efetivamente assustasse. Na casa dos vinte minutos, Mano Menezes aproveitou a tranquilidade que o jogo apresentava para poupar fisicamente dois de seus principais jogadores. Thiago Neves ainda longe da melhor forma física,deixou o campo para dar lugar a Jadson, na aparente intenção de segurar a correria do time venezuelano. E na sequência, Fred deu lugar a Sassá.

As alterações não mudaram significamente a partida ou a atuação do Cruzeiro, mas os dois jogadores que saíram do banco foram justamente os jogadores  decisivos para definir o placar final. Aos 31 minutos, Jadson recebeu na entrada da área e mal pôde dominar a bola ao ser atingido por um violento carinho cometido por Marcos Miers. Na cobrança da penalidade, Sassá converteu e praticamente encerrou o jogo, porque o que se viu daí em diante foi apenas o cumprimento do protocolo. O Lara não queria sofrer mais gols e o Cruzeiro se dava satisfeito com a manutenção dos 100% de aproveitamento na Libertadores, chegando à última rodada com grandes chances ter a melhor campanha geral da primeira fase.