O Cruzeiro era o principal favorito ao título do Campeonato Mineiro, mas chegou a este domingo sob pressão. O time tem bons momentos, mas outros nem tanto. Saiu perdendo na final, ao ser derrotado no primeiro jogo por 3 a 1. No Mineirão colorido de azul, precisava da vitória por dois gols para ficar com a taça. O Atlético Mineiro teve uma campanha na reta final que mostrou a evolução do time, mas sucumbiu diante do Cruzeiro que conseguiu, como se esperava no início do campeonato, se impôs.

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Uma das discussões do Cruzeiro nestes primeiros meses de 2018 foi a presença de Dde Arrascaeta no time. Por vezes o uruguaio começou a partida no banco de reservas, o que gerou questionamentos dos torcedores celestes, especialmente, claro, quando o time não rendia o suficiente ou não conseguia os resultados, como na semana passada, no Independência. Titular neste domingo, o camisa 10 brilhou.

Mano Menezes consegue o seu segundo título no Cruzeiro com uma escalação diferente. Henrique e Ariel Cabral foram os volantes, marcando para ter uma linha de frente com Robinho, Thiago Neves e Arrascaeta. No ataque Rafael Sóbis, que desde o ano passado, em 2017, perdeu espaço no time com atuações irregulares. Em um jogo tenso, difícil, o Cruzeiro conseguiu impor a sua qualidade técnica.

As dificuldades do Atlético Mineiro no jogo começaram cedo, com gol aos três minutos de De Arrascaeta. O uruguaio tentou duas vezes para marcar. Na primeira, Victor defendeu. Na segunda, ele completou cruzamento, de cabeça. Aos 21 minutos, a expulsão de Otero tornou a vida do Galo muito mais difícil ainda. O gol no começo do segundo tempo, de Thiago Neves. Com os dois gols que precisava, o Cruzeiro teve que segurar o resultado contra um Atlético com um jogador a menos. Desta vez, conseguiu fazer o que Mano Menezes queria: se defender bem, fechar os espaços e aproveitar a vantagem numérica.

Ao Atlético Mineiro, resta reavaliar o que fazer daqui em diante. O time teve clara melhora com o técnico interino Thiago Larghi. Será preciso definir se ele fica em definitivo ou se trarão outro treinador. O time mostrou qualidades que podem tornar o Galo competitivo em termos nacionais para brigar mais em cima na tabela. Ainda que não seja um time estrelado como nos dois últimos anos, ainda é um time que pode evoluir. Mas é importante ter a definição sobre o técnico o mais rápido possível. Afinal, o Brasileirão começa na próxima semana.

O Cruzeiro viveu muitos de tensão neste ano. Fez um grande jogo contra o Racing na Argentina, mas falhou defensivamente e perdeu por 4 a 2. No jogo contra o Atlético, no primeiro jogo da final, tomou outros três gols e foi novamente questionado por esse aspecto. Contra o Vasco, no meio da semana, não venceu e a situação na Libertadores ainda merece atenção, já que o grupo é muito difícil e muito equilibrado.

Mais do que o título mineiro, que tem lá o seu valor – 37º da história do Cruzeiro -, a vitória tem um peso grande para o Cruzeiro se ver mais forte, com um elenco que tem potencial para ser dos melhores do país. Termina o estadual com o título, como era espetado no começo, mas passando por instabilidades e por dificuldades que tornaram o jogo deste domingo crucial. O time mostrou muito mais força. E Mano Menezes também. Os questionamentos a algumas escolhas do técnico talvez o tenham feito repensar e trabalhar ainda mais. Consegue o seu segundo título no clube, depois da Copa do Brasil de 2017. Agora, os desafios são maiores, a Libertadores e o Brasileiro, além da própria Copa do Brasil. Com o título mineiro e a festa desta noite de domingo, o trabalho fica mais fácil.


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