O jogo no Mineirão foi surpreendente. A enorme vantagem do Cruzeiro parecia ter definido o duelo no primeiro jogo, ou, ao menos, ter deixado o time celeste quase classificado. Só que o São Paulo foi valente, lutou durante todo o jogo e venceu por 2 a 1, deixando uma sensação que poderia ter feito mais. O Cruzeiro pareceu correr muito mais riscos do que deveria, pelo time que tem, mas termina com a classificação, em festa com a torcida.

LEIA TAMBÉM: Nos 45 anos de Rivaldo, um vídeo com todos os seus gols pela seleção brasileira

Mano Menezes levou a campo um time forte, como no primeiro jogo. Na lateral direita, Mayke entrou como titular, Rafinha no ataque, ao lado de Arrascaeta e Thiago Neves, além de Rafael Sóbis. Neves, aliás, foi mais uma vez decisivo. No primeiro jogo, os dois gols do Cruzeiro saíram de cobranças de falta do meia. Desta vez, ele cobrou a falta que desviou no meio do caminho e acabou no fundo da rede do São Paulo, o que acabou sendo decisivo.

Na escalação, Rogério Ceni já surpreendeu. Jucilei, desgastado pelos jogos consecutivos, começou no banco. Em campo, Bruno voltou à lateral direita depois de sete jogos fora por lesão. No meio-campo, três jogadores diferentes do jogo contra o Corinthians no domingo: João Schmidt, Wesley e Cícero. No ataque a maior novidade: Morato, contratado do Ituano, começou jogando com Cueva e Lucas Pratto.

O estreante foi um dos destaques do time de Ceni. Atuando pelos lados do campo, Morato foi o jogador mais perigoso do São Paulo durante toda a partida. Vestindo a camisa 38, o atacante canhoto se movimentou, caiu pelos dois lados, fez o passe para um dos gols e sempre foi uma boa opção. Foi um dos responsáveis por fazer o São Paulo empurrar o Cruzeiro para o campo de defesa e encurralar o time mineiro, de forma surpreendente.

Aos 10 minutos, uma grande chance. Lançamento de Bruno para Pratto, que ajeitou de calcanhar deixando Cueva na cara do gol. O peruano bateu rasteiro, mas para fora. O time era muito melhor que o adversário. Aos 14 minutos, diante da pressão, Morato cruzou para a área, Pratto cabeceou e marcou 1 a 0. O gol, claro, animou muito o tricolor, que passou a pressionar muito. A torcida, no Mineirão, tentava ajudar o Cruzeiro a reagir.

Bruno não conseguiu ficar em campo muito tempo. O lateral sentiu novamente a lesão que o tirou de tantos jogos e teve que ser substituído. A ideia de Rogério Ceni de poupar o jogador acabou indo para o ralo. Ele foi para o jogo, deslocando Wesley para a lateral direita. E entrou muito bem, mantendo a boa fase dos últimos jogos.

O Cruzeiro teve um grande lance aos 35 minutos. Arrascaeta deu uma meia lua em Rodrigo Caio, que não desistiu do lance. O uruguaio foi até a linha de fundo, tocou para trás e Thiago Neves teve o chute bloqueado por Maicon. Lance de muito perigo. Pouco depois, Diogo Barbosa fez uma boa jogada com Rafael Sóbis, que cruzou para Arrascaeta chegar chutando, mas por cima.

No segundo tempo, o São Paulo continuo mais no campo de ataque, tentando chegar ao segundo gol. O Cruzeiro chegou ao empate aos 14 minutos. Rodrigo Caio perdeu o tempo da bola e fez falta perigosa em Arrascaeta. Thiago Neves cobrou, a bola desviou na barreira e matou o goleiro Renan: 1 a 1.

O gol desanimou o São Paulo. Nos minutos seguintes, o Cruzeiro passou a atacar mais. A intensidade do time paulista diminuiu. Mas o São Paulo tentava e fez alterações. Ceni colocou Gilberto em campo, assim como Thomaz. Tirou de campo Cueva, apagado, e Cícero, mais uma vez sem fazer diferença para a sua equipe.

O jogo ganhou mais emoção aos 33 minutos. Depois de um escanteio e o São Paulo pegar o rebote, Wesley cruzou alto, Rodrigo Caio ajeitou de fora da área e a bola sobrou no meio da área para Gilberto, artilheiro do time na temporada, marcar o segundo gol do São Paulo no jogo: 2 a 1. Ficava faltando um para a classificação do time paulista.

Com isso, o final da partida foi dramático. O Cruzeiro tentando contra-ataques no final, com os imensos espaços dados pelo São Paulo, que se jogou inteiro ao ataque tentando um terceiro gol salvador. Até teve chance para isso, de uma forma bem melhor do que aconteceu no Morumbi na partida de ida e na semifinal do Paulista contra o Corinthians. Só que o Cruzeiro é muito forte e acabou arrancando a classificação, ainda que de forma muito mais sofrida do que se esperava.

O Cruzeiro termina o jogo classificado e tem força para buscar mais um título. O desempenho foi abaixo do esperado, especialmente neste segundo jogo, mas as qualidades que o time têm são bem claras. Tem um ataque rápido, habilidoso e uma bola parada para lá de perigosa. Diogo Barbosa, o lateral esquerdo, está muito bem na temporada e é uma arma forte da equipe mineira. Arrascaeta mais uma vez mostrou que é uma das principais referências ofensivas do time, perigoso, rápido e muito habilidoso. A classificação dá moral também ao time para chegar à final do Mineiro.

Ao São Paulo, resta lamentar que a atuação no primeiro jogo tenha sido tão ruim, com uma dura derrota por 2 a 0. Fica, porém, a sensação que o time poderia ter vencido o Cruzeiro por mais gols e ter ficado com a vaga, o que anima um elenco que estava derrubado depois das duas derrotas consecutivas. O Corinthians é um time que se defende ainda melhor que o Cruzeiro e vai tirar lições do jogo desta quarta para não repetir o sufoco do Cruzeiro. O São Paulo precisará ser ainda melhor. Deixa, ao menos, a impressão que o time pode ser melhor do que o desempenho horroroso dos últimos jogos.

As imagens são do Esporte Interativo: