De uma pequena produtora de cimentos a uma grande indústria mexicana de construção. Do amadorismo a um domínio sem precedentes. As trajetórias da Cooperativa Cruz Azul e do clube de futebol que herdou esse nome e foi imbatível nos anos 1970 são parecidas. Começaram pequenos, como instituições locais, e na base do trabalho e da superação conquistaram o país. Não espanta que um esteja tão associado ao outro, principalmente porque existe um cordão umbilical entre eles.

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A Cooperativa Cruz Azul foi fundada em 1881 em Jasso, no estado de Hidalgo, cerca de 90 quilômetros ao norte da Cidade do México. Colocou o pequeno município no mapa, tanto que atualmente se chama Cidade Cruz Azul. Em 1927, diretores importantes da empresa pensaram em criar um time esportivo para a recreação dos funcionários. Jasso era mais apaixonada por beisebol do que por futebol, mas, talvez pelas origens britânicas, o segundo esporte foi escolhido.

Durante mais de 30 anos, o Cruz Azul disputou apenas torneios amadores do México, com times formados por funcionários da empresa, como Guillermo Álvarez Macías, futuro presidente que introduziria o clube ao profissionalismo. Foi inscrito para a temporada 1960/61 da segunda divisão e estreou na elite em 1963/64. Rapidamente, foi ficando grande: foi campeão nacional sete vezes entre 1969 e 1980.

Grande demais para Jasso. Em 1971, mudou-se para o Estádio Azteca, na capital mexicana, onde mandou seus jogos por 25 anos. A partir de 1996, no Estádio Azul, na mesma cidade. Mesmo mais distante da sua base de torcedores, não perdeu a identificação com o lema “honra e lealdade à nossa pátria, valor e nobreza no esporte”. Juntou-se aos protestos de torcidas mexicanas contra o caso de Ayotzinapa, no qual 43 estudantes foram dados como desaparecidos em um protesto contra o governo do país. No minuto 43 da partida contra o León, gritaram Ayotzinapa, nome da faculdade que eles frequentavam:

Mais claro ainda do quanto o clube manteve suas raízes com a cidade onde nasceu foi o termo que um funcionário da prefeitura de Juárez usou para tirar sarro do Cruz Azul, depois do título da Concachampions, em abril do ano passado. Fernando Mora Rosas, torcedor do Toluca, derrotado pelos “cimenteiros”, chamou os torcedores rivais pejorativamente de “pedreiros”. Renunciou ao seu cargo pouco depois, alegando motivos pessoais.

Nos últimos anos, torcer para o Cruz Azul foi um exercício de persistência. Desde o título mexicano de 1997, o último do clube, especializou-se a ser derrotado em finais. Chegou à da Libertadores de 2001 e perdeu. Chegou a cinco do Campeonato Mexicano e perdeu. A duas da Concachampions e também perdeu. Agora no Marrocos, o maior palco que o clube poderia conhecer, ser derrotado na decisão não seria mau negócio.

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