Durante a Copa do Mundo feminina, a Trivela traz textos sobre o torneio francês: personagens, jogadoras e histórias, sempre escritos por mulheres que trarão suas visões. Aproveitem!

Talvez a gente bata na mesma tecla. Seis vezes eleita a melhor do mundo, líder de uma geração que conquistou o espaço no futebol feminino. Ganhou duas medalhas de ouro nos Jogos Pan-Americanos, duas pratas em Jogos Olímpicos e a segunda posição na Copa do Mundo em 2007. E nesta terça-feira, 18 de junho de 2019, nossa atacante escreveu um capítulo tão gigantesco para o futebol feminino mundial: marcou seu décimo sétimo gol em Copas.

Nós todos tivemos a oportunidade de acompanhar muito bem a carreira da Marta, chamada lá no começo, de “Pelé de saia”. São e foram tantas matérias que mostraram de onde veio e para onde ela foi ao longo dos anos, quantas inspirações…

Das oito edições de Copas do Mundo Feminina de Futebol, Marta marcou presença em cinco. Vestindo a camisa da seleção desde 2003 aos 17 anos, são dezesseis anos na equipe nacional. Para se ter uma ideia, do time titular da seleção brasileira masculina, campeã em 2002, todos os jogadores já se aposentaram.

As comparações vão ser inevitáveis. Os universos futebolísticos feminino e masculino se cruzam depois desse jogo. Então, recapitulando: Marta, dezesseis anos de seleção brasileira e vinte jogos de Copa do Mundo, marcou seu décimo sétimo gol. É a maior artilheira de Copas do Mundo – feminina e masculina. Ela ultrapassou Miroslav Klose. Conseguimos ver o décimo sexto e último gol do alemão de perto, era o segundo da Alemanha no 7×1. Ele marcou esse gol em seu vigésimo quarto jogo em Copas.

Também pudemos ver a história ser feita nesse dia 18, em vários canais de televisão abertos, à cabo, com transmissão em streaming. Com comentaristas mulheres, transmissão via Twitter minuto a minuto, bares espalhados pelas cidades com TVs e telões transmitindo o jogo. Todos vimos a Marta marcar o gol da vitória do Brasil, naquele pênalti contra a Itália. Um gol que se entrou para a história das Copas do Mundo de Futebol. Vimos esse capítulo ser escrito diante dos nossos olhos em Valenciennes, em Portugal, nos Estados Unidos, no Canadá, no Brasil todo.

Nem mesmo a técnica italiana Milena Bertolini poupou elogios à brasileira na entrevista para a Fifa após o jogo: “Estou feliz pela marca que ela alcançou. Eu acho que as pessoas que vêem a Marta jogar ao longo desses anos mudaram de ideia se as mulheres podem ou não jogar futebol”. Marta dedicou esse feito a todas a mulheres. “A gente representa todas elas e busca fazer o melhor sempre”, declarou a artilheira.

Marta tem a possibilidade de ampliar o número de gols na próxima partida. Ou na próxima da próxima, quem sabe? Na final no dia 7 de julho? Ou quem sabe na Copa de 2023…

Se não for em nenhuma dessas opções, o décimo sétimo gol já fez história, Marta. Obrigada!