A partir desta semana, a Trivela traz textos sobre a Copa do Mundo Feminina: personagens, jogadoras e histórias, sempre escritos por mulheres que trarão suas visões. Aproveitem!

O relógio marcava 13 minutos do duelo entre Brasil e Austrália quando a árbitra Esther Staubli puxou o cartão amarelo e o empunhou em direção a Formiga. A volante, que já havia sido advertida contra a Jamaica, terá que cumprir suspensão no jogo decisivo contra a Itália, na próxima terça (18). Não bastasse, ela ainda levou uma pancada no tornozelo e precisou sair no intervalo, dando lugar a Luana.

Sem a incansável Formiga, que ontem jogou mais recuada para dar liberdade a Thaísa e Marta, a defesa ficou exposta, e a criação, comprometida. A substituição de Marta por Ludmilla também pesou bastante. Diante de um meio-campo inoperante, uma zaga bagunçada e um ataque tomado pelo nervosismo, o time não demorou a tomar a virada. Vadão ainda usou a última troca para tirar Cristiane, com cãibras, e colocar a quarta atacante, Bia Zaneratto, em vez de priorizar a entrada de uma peça mais capaz de articular jogadas.

O problema no meio-campo não é novo. Ficou evidente na série de nove derrotas antes da Copa do Mundo, nas quais o time de Vadão abusou do chutão e das ligações diretas para chegar ao ataque, e também contra a Jamaica, mas a superioridade técnica do Brasil falou mais alto. Já diante da Austrália, tanto o pênalti em Letícia Santos quanto o gol de Cristiane saíram em contra-ataques pelo lado esquerdo, e a falta de articulação custou caro na hora de correr atrás do prejuízo.

Luana deve ser a titular contra a Itália. Ela ganhou a vaga na Copa após a lesão de Adriana e até cumpriu bem sua função contra a Austrália, mas seria interessante se Vadão tivesse mais opções para suprir a ausência de Formiga. Aos 41 anos, a baiana disputa sua sétima Copa do Mundo e é essencial pela experiência, qualidade técnica e liderança.

Quando a lista das 23 convocadas foi anunciada, em maio, os jornalistas presentes na CBF questionaram a escolha por oito atacantes e quatro meio-campistas. Quem acompanha a modalidade concorda que há meias brasileiras que poderiam oferecer outras características a serem aproveitadas pela comissão técnica na França: os nomes da experiente Gabi Zanotti, que vive grande fase no Corinthians, e das novatas Angelina e Brena Carolina, do Santos e do norueguês Avaldsnes, foram unanimidade.

Jogadora que atua entre as linhas, com bom passe e poder de cadenciar as jogadas, Zanotti chegou a ser convocada por Vadão na primeira passagem do treinador, em 2015. Não foi muito bem, mas desde então evoluiu bastante e se tornou um dos destaques do futebol brasileiro. “Ela está na nossa lista de suplentes, mas nesse momento entendemos que essas preenchem melhor o que nós queremos”, disse Vadão ao ser questionado sobre a ausência da jogadora.

Aos 19 anos, Angelina é mais combativa e poderia atuar como meia ou volante de contenção para proteger a zaga, já prejudicada com o corte de Érika antes da Copa. Brena, por sua vez, tem 22 anos e é dona de uma visão de jogo acima da média. Seu forte não é a marcação, mas ela poderia atuar como volante de chegada, sendo o “elemento surpresa” do Brasil.

Vadão também pode simplesmente dar uma chance para Andressinha. O certo é que o técnico fez suas escolhas e agora precisa montar um time com as peças que levou. Logo ele, que bateu tanto na tecla do talento individual para explicar como não fazer feio na Copa, acaba de perder sua maior meio-campista para o jogo que vale a classificação. O que será da Seleção sem Formiga?