Durante a Copa do Mundo feminina, a Trivela trouxe textos sobre o torneio francês: personagens, jogadoras e histórias, sempre escritos por mulheres que trarão suas visões. Aproveitem!

Chegou ao fim a Copa do Mundo considerada por muitos um marco na história do futebol feminino mundial. Para alguns países, foi o ponto de partida. Para outros, o indicador de uma rota a seguir. Para uma seleção, especificamente, foi o ponto de chegada e mais uma oportunidade para atestar sua primazia. Mas o calendário internacional do futebol das mulheres segue, e, inclusive, tem importante torneio formador rolando.

Segundo maior evento multi-esportivo do planeta em número de participantes e modalidades, atrás apenas dos Jogos Olímpicos, a edição de 2019 da Universíade de Verão teve início na última quarta-feira, dia 3 de julho, e vai até o próximo dia 14. A competição, disputada bienalmente, concentra milhares de atletas universitários e revela ao mundo diversas promessas olímpicas.

Este ano, está sendo realizada em Nápoles, na Itália, e foi a voz do tenor Andrea Bocelli que embalou a cerimônia de abertura. Embora Brasília tenha vencido o processo para poder receber esta edição do torneio, em 2013, a decisão foi revogada em 2016, quando a Federação Internacional de Esportes Universitários (FISU) apontou a cidade italiana como nova sede.

A Universíade de 2019 já chegou às semifinais no futebol feminino, e sobraram apenas Coreia do Norte, Irlanda, Rússia e Japão na busca pelo tão sonhado ouro. A seleção da casa, a Itália, México, Estados Unidos, Coreia do Sul, Canadá, China e o último time a esbanjar a medalha dourada, o Brasil, ficaram pelo caminho na fase de grupos, mas ainda estão em disputa pelas demais posições.

Portanto, nesta quarta-feira, penúltimo dia de competições do futebol de campo praticado por mulheres, acontecerão os confrontos das semifinais convencionais, com a Irlanda enfrentando a Coreia do Norte e a Rússia encarando o Japão. Haverá, também, as semifinais que definirão quinto, sexto, sétimo e oitavo posto, assim como as finais dos piores colocados. A final e a disputa pelo bronze serão na sexta.

Canadá x Coreia do Norte (Foto: Divulgação/U SPORTS)

Campeãs invictas em 2017, diante do Japão, e maiores vencedoras, as brasileiras terminarão esta Universíade em 11º ou 12º lugar. Por ter no comando Maurício Salgado, técnico do Internacional desde o início deste ano, a seleção brasileira universitária tem como base atletas coloradas. Ao todo, sete jogadoras do clube gaúcho compõem o elenco que está em Nápoles, além de Isa Haas, que, atualmente, defende o Sevilla, mas começou no Inter.

Na maioria das edições em que o futebol feminino esteve presente na Universíade – desde 1993 -, o Brasil figurou entre os três principais times. Nas seis vezes em que chegou à semifinal e final, faturou três ouros e três bronzes. Em 2011, aliás, entre o grupo que representou o país nos jogos universitários, estava Debinha. Já em 2013, Bárbara estava entre as atletas. Ambas estiveram na França este ano.

A Universíade pode parecer não tão relevante quando se leva em consideração que só duas jogadoras da atual seleção brasileira principal participaram da competição e que os Estados Unidos, país em que o futebol feminino universitário é um dos principais ingredientes da receita do sucesso da modalidade, só angariaram uma única medalha, dentro de casa, em Buffalo, há mais de 20 anos. No entanto, para certos países, esse evento que une a carreira acadêmica com a esportiva é uma enorme oportunidade.

É o caso da África do Sul. Em 2017, em Taipei, a Banyana Banyana foi a quarta colocada do torneio universitário, assim como na edição anterior. Três sul-africanas que estiveram nesta última campanha foram alicerces da classificação inédita ao Mundial deste ano. São elas Refiloe Jane, Thembi Kgatlana e Koketso Tlailane. Todas estiveram na Copa deste ano, assim como Kholosa Biyana, também presente na Universíade de Taiwan.

A África do Sul (Foto: Divulgação/University Sport South Africa)

Por sinal, a história de Biyana é bem interessante. Por conta de duas graves lesões, a trajetória no futebol da meio-campista de 24 anos correu o risco de ser interrompida no ano passado. Ela passou seis meses longe dos gramados se recuperando de uma fratura no tornozelo e um problema no joelho. Formada em Radiologia, a jogadora disse, em entrevista, que sua ocupação a ajudou a entender que o longo tempo de recuperação seria bom para que ela não voltasse a se lesionar futuramente.

Biyana conseguiu chegar inteira à Copa na França, tanto é que atuou nos três jogos da primeira fase. E, não fosse bastante, ainda sobrou fôlego para a agora estudante de Ciências do Esporte na University of KwaZulu-Natal, após a eliminação da África do Sul no Mundial, se juntar ao time universitário que estava em busca do ouro em Nápoles. E como capitã.

Como ela, Mapaseka Mpuru, Bongeka Gamede, Ongeziwe Ndlangisa e Amanda Mthandi, além do auxiliar técnico Thinasonke Mbuli, foram da França para a Itália para a disputa da competição com a seleção sul-africana. E são elas as adversárias do Brasil na partida de definição do penúltimo e último lugar da 30ª edição da Universíade.