Durante a Copa do Mundo feminina, a Trivela traz textos sobre o torneio francês: personagens, jogadoras e histórias, sempre escritos por mulheres que trarão suas visões. Aproveitem!

As oito melhores seleções da Copa do Mundo Feminina começam a disputa pelas vagas nas semifinais da competição nesta quinta (27). E para quem gosta de fazer previsões, apostas ou dar seus palpites, desta vez está bem complicado ter certeza de quem irá figurar na fase seguinte. Até o momento temos cinco times com 100% de aproveitamento: Inglaterra, França, Estados Unidos, Holanda e Alemanha. Noruega, Itália e Suécia tiveram uma derrota na competição, e as norueguesas ainda tiveram uma disputa de pênaltis nesse processo. Mas o que mais chama atenção entre as classificadas é o fato de os Estados Unidos ser a única equipe fora do eixo europeu ainda vivo na competição.

Nas disputas individuais há também um certo equilíbrio entre as jogadoras. Pela artilharia, Alex Morgan (EUA) segue na frente com cinco gols marcados. Ellen White (Inglaterra) está na franca disputa com quatro tentos. E com três gols cada estão Aurora Galli e Giarelli (Itália), Carli Lloyd e Megan Rapinoe (EUA), Sara Dabritz (Alemanha) e Wendie Renard (França). Em assistências, Amel Majri (França), Manuela Giugliano (Itália), Alex Morgan e Samantha Mewis (EUA) se destacam com três passes para o gol cada uma.

As goleiras também têm papéis à parte na competição. Das que tiveram mais trabalho nos últimos jogos, Ingrid Hjelmseth (Noruega) e Laura Giuliani (Itália) realizaram 14 e 13 defesas difíceis, respectivamente. Alyssa Naeher, dos Estados Unidos, teve mais tranquilidade com apenas 4 defesas mais complicadas e o maior número de clean-sheets, totalizando 3.

Agora confira a análise de cada partida das quartas-de-final da Copa:

Noruega x Inglaterra

Na ausência de Hegerberg, Hansen é a principal jogadora da Noruega (Foto: Getty Images)

No caminho até as quartas de final, a Noruega encarou a França na fase de grupos e foi derrotada por 2 a 1. Garantiu duas vitórias contra Nigéria (3 a 0) e Coreia do Sul (2 a 1) e venceu nos pênaltis a Austrália nas oitavas após o empate por 1 a 1 (4 a 1). O ataque formado por Caroline Graham Hansen – eleita a melhor da partida em duas ocasiões – e Isabell Herlovsen é a esperança de gols na partida. A goleira Ingrid Hjelmseth se destaca na defesa e foi responsável por barrar uma das penalidades na disputa contra as australianas além de salvar o time em, pelo menos, 14 oportunidades.

O time da Inglaterra chega invicto ao confronto com apenas um gol sofrido, contra a Escócia, e oito marcados. Junto de Lucy Bronze, uma das melhores laterais do mundo, juntam-se Ellen White com quatro gols marcados e Nikita Parris, que tem se lançado ao ataque com muito perigo. Na defesa, a zagueira Steph Houghton e a goleira Karen Bardsley – que jogou três das quatro partidas – se destacam para segurar o ataque norueguês.

A partida é a reedição das oitavas de final da Copa de 2015, quando a Inglaterra venceu a partida por 2 a 1 e avançou para as semis. Desde então, a Inglaterra tem o destaque por bons resultados e figura nas primeiras colocações do ranking da FIFA. E pelo desempenho do conjunto da obra, as inglesas parecem despontar na frente pela vitória.

França x Estados Unidos

Alex Morgan comanda o ataque dos EUA (Foto: Getty Images)

Considerada por muitos como uma final antecipada, a partida entre Estados Unidos e França coloca em campo as duas seleções favoritas ao título e a única equipe não europeia que resta na competição. De um lado, as atuais campeãs do mundo e um ataque poderoso que já marcou 20 gols nessa edição e sofreu apenas um. Do outro, a seleção anfitriã, que, nos últimos anos despontou como uma das grandes potências do futebol, e uma zaga liderada por Renard e seus 1,87 metros de altura.

Após se classificarem em primeiro lugar em seus respectivos grupos, EUA e França não tiveram vida fácil nas oitavas e fizeram partidas que deixaram os pontos fracos de cada equipe expostos. As americanas enfrentaram a Espanha (2 a 1), que conseguiu neutralizar Alex Morgan e, consequentemente, o ataque norte-americano. Sem espaços para trabalhar a bola e chutar a gol, a vitória veio em dois gols de pênalti, cobrados com precisão por Rapinoe. Já a França, enfrentou o Brasil (2 a 1) e, ao contrário do esperado, não dominou a partida. Com exaustivos 120 minutos de bola rolando, a batalha foi principalmente física, o que dificultou muito para a equipe francesa, acostumada a atuar com mais velocidade e fluidez de jogo.

Nesse embate de ataque contra defesa, a solução pode vir do lado oposto. Apesar dos holofotes serem para a zagueira Renard, a França conta com o entrosamento de Le Sommer, Diani e Gauvin no ataque para chegar ao gol. Para os EUA, a lição parece ter sido aprendida. Após o resultado pífio nas Olimpíadas de 2016, a seleção se reformulou e as mudanças passaram pela defesa, até então, o calcanhar de Aquiles da equipe. Com isso, além de zagueiras mais consistentes, a técnica Jill Ellis também conta com peças-chave como Horan e Heath, que apoiam na marcação e controlam o jogo no meio de campo.

Vale lembrar que foi a França a responsável por colocar um fim à invencibilidade dos EUA. O feito aconteceu no início desse ano, durante um amistoso. As francesas venceram por 3 a 1, encerrando a marca de 28 partidas sem perder das norte-americanas, desde 27 de julho de 2017.

Itália x Holanda

Lieke Martens é a principal fonte de talento da Holanda (Foto: Getty Images)

A Holanda é a atual ganhadora da Eurocopa, mas mesmo assim não chegou com selo de favorita. Veio correndo por fora, fez uma boa primeira fase e tem um grande time do meio pra frente: Van de Sanden, Martens e Miedema estão com boa pontaria e são comandadas pela ótima Spitse no meio de campo. Nas oitavas, passaram sufoco contra o Japão, precisando de um pênalti no fim se classificaram.

A Itália chegou como terceira força no grupo que tinha Brasil e Austrália e acabou se classificando em primeiro. As italianas evoluíram demais nos últimos anos, estão empolgadas e jogam com a consistência defensiva já tradicional da Itália no futebol. No duelo das oitavas contra a China, ficou clara a precisão das italianas… no ataque: chutaram menos, não tiveram um escanteio sequer, mas quando chegaram, não perdoaram. Venceram por dois gols e seguiram.

Se alguém perguntasse no começo da Copa sobre as chances de Holanda e Itália estarem em uma semifinal da Copa do Mundo, muita gente ia achar que a pessoa era, no mínimo, uma torcedora muito empolgada. Contrariando as expectativas, uma dessas duas seleções jogará a semifinal. Pela qualidade técnica das jogadoras, apostar na Holanda parece mais certeiro, mas a paixão italiana pelo jogo sempre pode surpreender.

Alemanha x Suécia

Hedvig Lindahl fez uma baita defesa em pênalti contra o Canadá (Foto: Getty Images)

No duelo de duas das mais tradicionais seleções européias do futebol feminino, encontramos uma animada Suécia que fez uma boa primeira fase e perdeu apenas para os EUA em um confronto em que poupou diversas titulares. Nas oitavas, venceu o Canadá por 1 a 0 com direito a uma defesaça de Lindahl no pênalti cobrado pelo Canadá. As suecas não jogam um futebol empolgante, mas são um time muito bem treinado, obediente taticamente e sem grandes afobações. Blackstenius, Asllani e a ótima Lindahl são os principais destaques do time.

A Alemanha chegou como uma das favoritas para a Copa do Mundo, mas até agora não mostrou a que veio. Na primeira fase pouco foi testada e ganhou contra seleções muito mais fracas e, desde a segunda partida, perdeu Dzsenifer Marozsán, sua principal jogadora, por lesão. Nas oitavas, ganhou de forma fácil da fraca Nigéria e agora terá que provar que pode vencer uma grande seleção. De ponto positivo, fica a ascensão de Giulia Gwin, de apenas 19 anos, que vem jogando muito bem.

O duelo promete ser equilibrado: a Suécia parece estar em um momento mais inspirado e com mais ânimo, nada que o talento alemão não possa superar, mas será que ele vai finalmente aparecer?

Portanto, se prepare. Amanhã (27) às 16h você acompanha Noruega x Inglaterra; sexta-feira (28) às 16h França x Estados Unidos; e no sábado (29) rodada dupla com Itália x Holanda às 10h, e Alemanha x Suécia às 13h. Ligue a TV, o streaming, o live no Twitter do Joga Miga e acompanhe essas que prometem ser excelentes jogos da Copa do Mundo!