Anos depois do terceiro lugar na Copa do Mundo de 1998, a Croácia voltou a produzir uma geração talentosa. Jogadores de grandes clubes do mundo, como Ivan Rakitic, Luka Modric, Ivan Perisic e Mario Mandzukic. No entanto, antes do último mês, esse elenco unido não havia conseguido alcançar grandes feitos, e alguns dos principais jogadores começavam a envelhecer. A sensação de última oportunidade esteve presente na Copa do Mundo porque o mais destacável da campanha dos croatas foi a postura de nunca desistir.

LEIA MAIS: Modric elevou a Croácia e deixa a Copa como um craque para a história

Em uma competição em que o primeiro gol da partida foi tão preponderante, sempre condicionando os minutos seguintes, cedendo raros espaços para o time que abrisse o placar, o feito de chegar à final pela primeira vez na história foi ainda maior para uma Croácia que saiu perdendo em todos os jogos do mata-mata e em todos os jogos deu um jeito de voltar à partida. Até na final: depois do gol contra de Mandzukic a favor da França, os croatas empataram com Perisic. No entanto, seria rigoroso demais exigir que protagonizassem uma nova ressurreição depois que os franceses abriram 4 a 1.

Principalmente porque a seleção croata entrou em campo, no Luzhiniki, com o peso de uma partida a mais nas costas do que a França. Foram três prorrogações inteiras entre as oitavas e as semifinais, um total de 90 minutos de tempo extra, além de duas disputas de pênaltis, mentalmente muito desgastantes, para que a Croácia realizasse o sonho de disputar a final da Copa. Um que sonho negado pelos próprios franceses para a geração de 1998.

E, nem por isso, eles deixaram de correr. A Croácia foi a melhor equipe em campo durante vários momentos da final. O meio-campo encontrava os pontas com facilidade, embora a criação de chances tenha sido prejudicada pela ótima partida da defesa francesa. Eram os croatas quem tomavam a iniciativa e iam para cima. Tentaram. Fizeram o que podiam. Deram um pouco de azar na defesa, com os gols de Mandzukic, contra, e o pênalti cometido por Perisic.

O único momento de desânimo foi, compreensivelmente, entre o terceiro e o quarto gol dos adversários, quando a vaca foi definitivamente para o brejo. Mesmo assim, quando Lloris entregou o segundo tento croata de presente para Mandzukic, a Croácia voltou a tentar a improvável reviravolta. Não deu certo, mas certamente a coragem e a bravura da seleção foram fontes de orgulho para a sua torcida.

Mas a seleção croata não viveu apenas de força de vontade. Na Copa do Mundo da bola parada, dos contra-ataques, de equipes que abdicaram da bola, foi, ao lado da Bélgica, um dos times que mais gostou de colocar a bola no chão. Colecionou momentos de brilhantismo, como o atropelamento contra a Argentina e a prorrogação da semifinal diante da Inglaterra, embora a maior parte do seu mata-mata tenha sido de sofrimento.

Produziu heróis. O craque Luka Modric e o excelente coadjuvante Ivan Rakitic. O paredão Danijel Subasic, decisivo nos pênaltis. A história de superação de Sime Vrsaljko, que jogou no sacrifício contra a Inglaterra e tirou uma bola em cima da linha. A campanha da vida (sem trocadilhos) de Dejan Lovren e Domagoj Vida que, durante um mês, tornaram-se zagueiros de primeira linha. Os momentos decisivos de Perisic e Mandzukic. A disposição incrível de Ante Rebic, talvez o jogador que mais simbolizou esse esforço croata de nunca parar de correr.

E impossível ignorar os méritos do técnico Zlatko Dalic. Chamado de última hora, na reta final das Eliminatórias Europeias, o treinador conduziu muito bem o barco. Teve repertório tático para arrumar a equipe de acordo com o adversário. Administrou bem o grupo, até tomando decisões difíceis quando foi necessário, como o corte de Kalinic. E introduziu na cabeça dos jogadores a confiança de que eles poderiam vencer qualquer time se atuassem juntos, como um grupo, unidos.

O título não veio. E talvez não venha para essa geração. Subasic (33), Modric (32), Mandzukic (32), Rakitic (30), e até Corluka (32), líder pela experiência mais do que pelo momento técnico, têm no máximo a Eurocopa de 2020 para levantar uma taça para a Croácia. Seria evidentemente um momento de êxtase para o pequeno país dos Balcãs. Mas não obrigatório para que este grupo entrasse na história do futebol croata.