A campanha na Copa de 2014 esteve aquém do esperado. Mas não dá para negar que a Croácia conta com uma das seleções mais técnicas da Europa na atualidade. A orquestra de vários maestros possui os seus destaques principalmente no meio de campo, com a presença de Modric, Rakitic, Kovacic e Badelj. E sem contar os talentos em outros setores, como Mandzukic, Olic, Perisic e Srna. Time forte o suficiente para disputar a Euro 2016, embora tenha esperado até o último instante. Prevaleceu o bom futebol dos croatas, por mais que a situação caótica da federação tenha colocado o desempenho em xeque.

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Tudo bem que o grupo da Croácia não era dos mais simples. A Itália confirmou o favoritismo terminando na liderança, sem nenhuma derrota, apesar do futebol burocrático. Já a Noruega ficou a apenas um ponto de desbancar os croatas. O empate com o Azerbaijão por pouco não custou caro à seleção balcânica. Mas pior ainda seria se a eliminação acontecesse por conta da punição causada pelo desenho de uma suástica no gramado do Estádio Poljud, em Split, contra a Itália. Por causa do episódio, a equipe perdeu um ponto na tabela.

Os problemas, aliás, foram recorrentes. Diante do comportamento racista de croatas contra a Noruega, o jogo contra a Azurra já havia acontecido sob portões fechados. E, com a reincidência na punição, a Croácia não forneceu ingressos a seus torcedores para os últimos três jogos fora de casa – sob a justificativa de, em caso de um terceiro incidente, serem excluídos de vez da briga pela Euro 2016. Cenário crítico que ainda ocorreu sob a queda de braço entre dirigentes e os principais grupos de ultras do país.

Embora Davor Suker seja o presidente da federação croata, quem realmente manda no futebol local é Zdravko Mamic. Além de ser chefe do comitê executivo da federação, o cartola também preside o Dinamo Zagreb, atual decacampeão nacional. Ao lado de seu irmão, Zoran (que também é técnico do Dinamo), Mamic é acusado de evasão fiscal. Eles teriam desviado dinheiro do próprio Dinamo em vendas de jogadores como Modric e Eduardo da Silva, em esquema no qual assinavam contratos como agentes dos atletas.

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A corrupção seria motivo suficiente para a insatisfação da torcida do Dinamo Zagreb. Mas o dirigente ainda tem perseguido os ultras do país, com restrições arbitrárias. Por exemplo, centenas de pessoas foram banidas dos estádios croatas apenas por protestarem contra Mamic, cantando contra o cartola e levando camisetas com seu rosto riscado. Diante das restrições, há um grande boicote nos estádios locais, com baixíssimas médias de público. Até mesmo rivais históricos, como os Bad Blue Boys do Dinamo e a Torcida do Hajduk Split, têm se unido na briga contra Mamic.

A onipresença de Mamic no futebol croata, ao menos, não tirou o apoio da torcida nos jogos da seleção, mesmo com os protestos se repetindo. Mas o cenário de crise pode afetar o time. Técnico do time a partir da reta final das Eliminatórias, Ante Cacic, precisa trabalhar para que o ambiente não atrapalhe o elenco. Até porque, no papel, a Croácia possui qualidade para fazer uma grande campanha na França. Quem sabe, com sorte nos chaveamentos, para chegar até às semifinais e conquistar o seu melhor desempenho na história do torneio.