Quando Cristiano Ronaldo saiu do Real Madrid, surgiu uma miríade de hipóteses sobre os motivos que o levaram a quebrar o vínculo com o clube em que se tornou uma lenda. Falou-se na questão financeira, na busca por um novo desafio e também em atritos com o presidente merengue Florentino Pérez. Em entrevista à France Football, o jogador da Juventus afirmou que a relação com o dirigente foi de fato determinante.

Segundo o craque, em certo momento, ele passou a se sentir menos valorizado dentro do Real Madrid. Na época de sua transferência para a Juventus, a imprensa espanhola noticiou que Florentino Pérez informou a Ronaldo que ele poderia sair do clube por € 100 milhões, caso o destino não fosse um adversário direto. O objetivo era deixá-lo satisfeito, mas o gesto acabou sendo interpretado como um insulto.

“Eu senti, dentro do clube, especialmente do presidente, que eles não me consideravam mais como no começo. Nos primeiros quatro ou cinco anos, eu tinha a sensação de ser ‘Cristiano Ronaldo’. Depois, menos. O presidente me olhava com olhos que não queriam dizer as mesmas coisas, como se eu não fosse mais indispensável para eles”, afirmou.

O Real Madrid fez questão de deixar claro que foi Cristiano Ronaldo quem pediu para sair do clube, uma maneira de se blindar de eventuais críticas da torcida. “Às vezes eu olhava as notícias, que diziam que eu estava pedindo para sair. Houve um pouco disso, mas a verdade é que eu sempre tive a impressão que o presidente não me seguraria”, explicou.

Outra hipótese levantada durante as negociações foi a de que Ronaldo estava insatisfeito por ter um salário inferior ao de Messi e Neymar. Antes de sair, houve conversas entre o clube e seus agentes a respeito de uma renovação de contrato. Mas não chegaram a um acordo. “Se tivesse sido sobre dinheiro, eu teria ido para a China, onde eu receberia cinco vezes mais do que na Juventus ou no Real. Eu não fui para a Juventus por dinheiro. Eu ganhava o mesmo no Real, talvez mais. A diferença é que a Juve realmente me queria. Eles me disseram isso e deixam claro”, afirmou. “A verdade é que o presidente (Pérez) me queria, mas, ao mesmo tempo, ele me fez saber que minha saída não seria um problema”.

Por fim, ele afirmou que a saída de Zinedine Zidane do comando da equipe não teve muita influência na sua decisão. “Minha decisão de sair não se baseou nisso. Isso dito, foi uma das pequenas coisas que fez com que eu me sentisse um pouco melhor em termos do que pensava da situação no clube”, encerrou.