A seleção brasileira fez uma boa estreia na Copa do Mundo da França, depois de nove derrotas consecutivas, e venceu a Jamaica, por 3 a 0. O volume de jogo do time treinado por Vadão, especialmente os passes açucarados de Andressa Alves, precisou passar por Cristiane para se transformar em gols. Com os pés e a cabeça, a jogadora de 34 anos anotou uma tripleta em Grenoble.

E isso sem estar em sua melhor forma física. Cristiane passou três anos e meio fora do Brasil, defendendo o Paris Saint-Germain e o Changchun Yatai, da China, antes de retornar para defender o São Paulo. No começo deste ano, sofreu com lesões, sendo cortada da She Believes Cup, em fevereiro, e dos amistosos contra Espanha e Escócia, em abril. A estreia pelo clube paulista, na vitória por 2 a 0 sobre o Internacional de Franca, no fim de março, pelo Campeonato Paulista, foi seu primeiro jogo oficial desde outubro.

Jogaria apenas mais uma vez pelo São Paulo, entrando no intervalo do empate por 2 a 2 contra o Palmeiras, em 7 de abril. Três dias depois, estava escalada para enfrentar a Chapecoense, pelo Campeonato Brasileiro A2, mas sentiu dores na panturrilha ainda no aquecimento e nem entrou em campo. Adiantou sua apresentação à seleção brasileira para intensificar a recuperação e chegar afiada à França.

Pelo jeito, deu certo. Contra a Jamaica, Cristiane fez gol de tudo que é jeito. Começou com uma cabeçada perfeita e, de carrinho, mostrou faro de artilheira para marcar o segundo, em dois cruzamentos de Andressa Alves. O terceiro saiu de uma bomba em cobrança de falta, que ainda bateu no travessão antes de cruzar a linha.

Cristiane começou sua quarta Copa do Mundo – e última – , posicionando-se para fazer história. Com a tripleta contra a Jamaica, chegou a dez gols na competição, isolando-se na segunda posição da artilharia da seleção brasileira em Mundiais, à frente de Sisi, com sete, e atrás apenas de Marta, com 15. No geral, está em sétimo lugar, ao lado de Ann Kristin Aarones (Noruega) e Heidi Mohr (Alemanha).

A possibilidade de subir nessa lista é muito boa. Das jogadoras que estão à sua frente, apenas Marta, poupada da estreia por questões físicas, segue em atividade. A alemã Bettina Wiegmann e a chinesa Sun Wen marcaram 11 gols; a americana Michelle Akers fez 12; a alemão Birgit Prinz e a americana Abby Wambach têm 14; e, claro, Marta tem 15.

Marcar três vezes em um mesmo jogo de Copa do Mundo, aliás, é coisa rara na seleção brasileira. Marta, por exemplo, nunca conseguiu, embora tenha feito dois várias vezes. As únicas tripletas canarinhas foram anotadas por Pretinha e Sissi, ambas no mesmo jogo: em 1999, o Brasil estreou goleando o México por 7 a 1, com três gols de cada uma delas.

Além disso, Cristiane surge como candidata à artilheira da competição. Após três dias, lidera a tabela com três, à frente de Jennifer Hermoso, da Espanha, Barbara Bonansea, da Itália, e Wendie Renard, da França. Duas vezes o Brasil teve a maior goleadora da Copa do Mundo: Sissi, em 1999, ao lado de Sun Wen, e Marta, em 2007, ambas com sete gols. Cristiane será a terceira? Dependerá muito da sua condição física e de quantos jogos o Brasil fará na França.

Três gols valem música no Fantástico. E Cristiane pediu uma bem representativa. A meia Cacau, atualmente no Corinthians, e a ex-jogadora Gabriela Kivitz lançaram o hino da seleção brasileira para a Copa do Mundo. A música se chama “Jogadeira” e começa assim: “Desde pequena muito preconceito / Aqueles papo “futebol não é para mulher”/ Mas aprendi a dominar no peito / Por no chão e responder com a bola no pé”. Cristiane realmente aprendeu muito bem.

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