Ver os rivais patinando costuma ser ótimo para os torcedores. Afinal, é mais um motivo para tirar um barato com os amigos do outro lado. Para os dirigentes, porém, não há motivo para comemorar. Ou, ao menos, deveria ser assim. Afinal, rivais fracos significam campeonato fraco e isso é ruim. É o que pensa o diretor da Juventus, Giuseppe Marotta, que diz que a crise nos rivais Milan e Internazionale não é ruim só para eles, mas sim para todos, inclusive a Juventus.

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“Para vencer, você precisa de um time com um núcleo duro como granito”, disse o diretor ao Corriere della Sera. “Se você agita as coisas constantemente, fica difícil encontrar a mistura que Massimo [Allegri, o técnico] quer conseguir”, analisou o dirigente. “A crise de Milan e Inter causa danos em todos. Seria bom competir pelo Scudetto contra eles também”, afirmou.

A Internazionale é atualmente a 10ª colocada na Serie A, 20 pontos atrás da Juventus. O Milan é oitavo colocado, 19 pontos atrás da rival de Turim. A Roma, segunda colocada, está a 14 pontos da Juventus. Basicamente, não há disputa pelo título e os bianconeri nadam de braçada no Campeonato Italiano, enquanto ainda disputam a Champions League.

Ter os dois principais rivais no país mal das pernas acaba jogando o nível da liga para baixo, o que acaba prejudicando a própria Juventus. Ter tão pouca concorrência na liga local faz com que a Juventus não seja devidamente testada e torna o desafio da Champions League ainda maior. O time precisa fazer jogos na competição europeia que não está acostumada a fazer no seu campeonato local.

Além disso, a força de um rival empurra o outro a ter que se mexer para continuar no mais alto nível. Ter Inter e Milan fortes torna a Juventus também mais forte. Claro que para o torcedor não é assim e quanto pior o rival estiver, melhor. Mas os rivais estarem mal é ruim para a Itália como um todo. A falta de força de times italianos em competições europeias foi o que levou o país a perder uma das vagas na Champions League para a Alemanha, em 2011. É também o torna a liga italiana cada vez mais enfraquecida diante das rivais, Premier League, La Liga e Bundesliga. É cada vez mais difícil convencer um jogador de alto nível a jogar por um clube do país.

Ter o rival mais forte pode dificultar para levantar taças todos os anos, como a Juventus tem feito e fará novamente nesta temporada. Por outro lado, faz o time ter que ser mais forte semana a semana dentro do campeonato, tornando também mais forte para competições europeias e gerando um clico positivo, atraindo mais atenção, gerando mais dinheiro de TV e fazendo os times médios e pequenos também serem atraentes para jogadores.

A Juventus sentiu isso nas últimas temporadas. Desta vez, mais tarimbada, conseguiu uma vitória até surpreendente sobre o Borussia Dortmund e deu sorte ao encarar o Monaco, um time que não está entre os mais fortes e ter a oportunidade de chegar às oitavas de final. Ver se repetir o cenário de 2003, quando Inter, Milan e Juventus chegaram às semifinais e Milan e Juventus decidiram o título – com os rossoneri levantando a taça – parece um cenário muito improvável. Ver um italiano na semifinal parecia bem difícil até o sorteio definir o Monaco no caminho da Juventus. Agora, é difícil também imaginar que o time pode ser campeão. Com uma concorrência melhor qualificada, talvez a Juventus fosse também melhor.